É engraçado como as coisas funcionam muito melhor quando você não planeja nada. Eu planejei, na sexta-feira da semana passada (ou duas semanas atrás? Já é domingo, merda), escrever sobre a quinta-feira mais aleatória que eu já vivi, mas eu obviamente procrastinei porque isso já faz parte do meu caráter. O que aconteceu é que boa parte dos dias subsequentes foram potencialmente interessantes e eu comecei a questionar: por que aquela quinta-feira foi tão interessante a ponto de precisar de um texto inteiro só para ela? E salvei o post como rascunho.
Mas aí é que tá, aquela quinta-feira foi maneira. Então eu vou começar esse novo capítulo da minha novelinha por ela.
[Post Que Ainda Não Tinha Título]: Director's Cut
Eu tenho alguns problemas com memória recente, então às vezes não sei explicar muito como ou por que as coisas aconteceram do jeito que aconteceram e ter acordado cedo foi uma delas. Acordar cedo me fez participar do Café Da Manhã Com As Meninas, um evento que eu raramente presto atenção que acontece porque, bom, eu sempre acordo em cima da hora e saio de casa com o estômago vazio (she's so crazzzzy).
Por sorte, no dia anterior eu tinha feito o melhor lanchinho-fácil-com-coisas-que-eu-tenho-em-casa (como você pode ver pela evidência acima) e estava doida para comer de novo. Convenientemente, demora muito para fazer um lanchinho-fácil-com-coisas-que-eu-tenho-em-casa. E eu queria dois!
Para fazer o seu próprio lanchinho-fácil-com-coisas-que-eu-tenho-em-casa você precisará de 4 ingredientes simples:
- pão de forma
- manteiga
- geléia
- tempo
Conseguiu tudo? Ótimo! Passe a manteiga dos dois lados de duas fatias de pão (é um pouco chatinha essa parte, mas você consegue!), coloque na sanduicheira e esqueça eles lá, não posso afirmar aqui, galera, mas deve funcionar na frigideira sim! Aqui vai depender da potência da sua sanduicheira, a daqui não é lá essas coisas, então preste atenção na textura do pão, estamos procurando o mais torrada douradinha que você conseguir (cara, como eu quero uma torradeira), um lado vai chegar no ponto antes do outro, daí você vira as fatias para igualar, eu recomendo deixar uma parte mais queimadinha para ser o lado de fora. Torrada pronta, passe sua geléia preferida no lado menos crocante de cada uma das suas fatias e divirta-se.
Toda essa coincidência (que inclui o fato de eu não ter aula de quinta) me levou a ter tempo de qualidade como uma pessoa normal e com pessoas normais. Eu sinto isso com muito mais frequência do que expresso, óbvio, mas eu gosto muito desses momentos que são naturais e orgânicos e eu me lembro de que, mano, eu sou só uma pessoa tipo kkkkkkk ?????
Talvez eu tenha dado muita atenção para um café da manhã naquela sexta-feira, mas realmente foi um ponto chave na narrativa das últimas semanas. O jeito que interagi com Volúpia escalonou para conversas com a Pod, e, consequentemente, com Querida, uma querida que eu também conheci no café da manhã, com o Maridinho, um pouco com Volúpia, mas, principalmente, comigo mesma.
Esse não é um post sobre a evolução do meu personagem, tá? Não tenho nada de novo para trazer além do bom e velho Medo de relacionamentos e Tendência à ser cúmplice (descobri que essa palavra soa melhor que "submissa" ou "chaveiro").
De volta para o meu dia, eu segui para o meu segundo compromisso: Fazer uma tatuagem (eu ia considerar o café da manhã ou a conversa da tarde como Compromisso, e eles teriam o C assim para significar ponto-chave da história, mas ficaria idiota, então vamos considerar que o primeiro foi trabalhar porque, é, teve isso também).
Também no dia anterior, eu descobri que fui inocente demais em combinar coisas com um homem e que a tatuagem foi reagendada das 15h para as 17h, olha que detalhe bobo, né? E mesmo assim ele foi enrolado o suficiente para me fazer sair do estúdio 22h da noite! Eu gostei muito das tatuagens, aliás.
Me desdobrei para chegar no meu último compromisso do dia: A Festa.
A Festa era um evento que o Maridinho tinha me convidado semanas antes, mas, obviamente, eu não me importei muito e esqueci completamente de comprar na hora, então estava decidida a não ir. Isso até, novamente, o dia anterior (provavelmente, não lembro muito bem, mas vamos fingir que sim pelo bem da história, ok?) em que meu grande mano Jay precisou vender o ingresso dele porque "precisava fazer uma cirurgia. É tão a cara dele fazer uma cirurgia só pra furar o rolê. E pra quem ele vendeu? Isso mesmo, pra esta que vos fala.
Então eu fui. Comi rápido pra cacete pra ter mais tempo de esperar o Uber que cancelou, foi ótimo, só não foi melhor do que ficar 40 minutos na fila do Campinas Hall pra descobrir lá na frente que eu tava na fila da festa errada :D e eu já mencionei que tava frio? Tipo MUITO frio?
Entrar na festa ainda foi difícil, depois de mais uma fila eu ainda fiquei um bom tempo andando em círculos pra encontrar o Maridinho porque usar o celular não tava nos planos dele aparentemente (eu sei, eu atrasei pra caralho, a culpa é minha, mas é muito solitário andar por uma pista de festa que tá começando), mas quando finalmente tudo deu certo, incluindo Pod levando o famoso beck pra mim, foi definitivamente uma Festa.
Vamos começar por partes. E a partir de agora eu vou mascarar um pouquinho a verdade para manter a história interessante (eu sei, eu fiz o pacto da honestidade quando comecei esse diário, mas eu juro que são mentirinhas leves para enfeitar o roteiro, todas as coisas que aconteceram continham sendo verdade).
Maridinho levou dois amigos dele que conhecemos na época do Cursinho (não era um cursinho), mas eu não era tão próxima, e ainda não sou o suficiente pra pensar em apelidos para eles. Eles aparentemente namoravam, não um com outro, então a Temporada de Caça ficou só para a gente. A Amiga é muito boa em ajudar nisso, ela tem olhos bem afiados e nenhuma vergonha de chegar nas pessoas, o que infelizmente faz ela receber cantadas demais para alguém num relacionamento sério. O Amigo... Bom, ele foi divertido em outros momentos do rolê.
Eu criei um outro jogo para mim e para Maridinho, porque festas sem jogos são entediantes e eu vou provar isso alguns parágrafos abaixo, e jogo desse rolê foi: nós só vamos fumar maconha quando cada um beijar alguém. As regras são simples: 1 beijo = 1 saída para fumar. Parece fácil, né? Não foi. Começando que maridinho tava naqueles dias, às vezes ele só não sente vontade de beijar na boca no meio do rolê, não importa o quão empolgado ele tava antes. Eu não entendo, mas respeito. Outro obstáculo foi que eu não tenho o menor tato social. Eu sei que me gabo muito por ser boa nisso, mas eu tenho um MEDO de chegar em alguém, dá muita ansiedade, e, pior, eu dei um fora SEM QUERER numa mina e não tenho nem uma justificativa pra isso!
Já que tocamos no assunto ansiedade para chegar em alguém, vale ressaltar que foi muito engraçado que eu e Maridinho conseguimos observar todo o processo de um carinha no rolê se preparando pra chegar na Amiga (grande erro), e foi muito engraçado, sério, tadinho ele tava respirando mt fundo antes de chegar. O ponto desse parágrafo é que eu e Maridinho estávamos completamente alinhados nesse rolê. Tudo o que um comentava o outro estava vendo, tudo o que um pensava o outro dizia. Carne e unha, alma gêmea.
Eu descobri que detesto paieiro e me faz passar mal. Vi uma foto de um pênis comparado com um desodorante. Compartilhei detalhes da minha vida pessoal por meio de piadas. Fumei maconha (tive que mudar as regras pra liberar o beck quando fica 3x0 porque o a Maridinho não colaborava). Beijei 3 bocas. Vi uma menina normalmente se aproximar do nosso grupo e dançar do lado da Amiga. Perguntei para Maridinho se era uma conhecida, não era. Sorrimos e acenamos enquanto a menina dava em cima da Amiga, que veio imediatamente até a gente pedindo para sair dali.
E por algum motivo essa foi a cena mais engraçada da minha vida. Ok, eu sei que posso culpar a maconha, mas não foi só isso. Foi tão rápido e dinâmico e sincronizado... Parecia ensaiado, juro. E ficou ainda melhor quando eu voltei e a menina tinha LAMBIDO o pescoço do Amigo. E espera, espera, depois o Amigo beij–
Quer saber? Já deu da quinta-feira. Vamos para a sexta e a festa que me fez perceber que héteros são um saco.
Para começar o pagode. Eu também gosto de um pagode? QUEM não gosta de um pagode???? Mas precisamos de limites!!! O pagode tem que acabar imediatamente quando as pessoas estão começando a ficar alegrinhas e daí você coloca o FUNK porque é quando estamos alegrinhos que queremos nos mexer e não depois de ter GASTADO a energia de bêbado cantando só o refrão de músicas de quando reuniões de família eram algo agradável por muito mais tempo do que precisava!!!!! Meu. Deus. Toda. Santa. Vez. Na real eu mudo o meu alvo, como eu detesto toda a nostalgia em setlist de festa, ok é muito bom ouvir alguns funks antigos e até falecidas divas do pop que realmente eram marcaram época, mas isso tá tão marcado que dá para saber que horas são só pela música que tá tocando (Alerta: se você está em uma festa de rep e começa a tocar Firework, eles tão te mandando para casa).
Outra coisa, que pode ser diretamente ligada à questão anterior, é como ninguém se mexe. É estranho dançar perto de grupinhos que estão parados conversando. Não julgo estar parada e conversando, eu amo ficar parada e conversando, mas a impressão que dá é que eu preciso esperar a hora certa para começar a me divertir? Vai ter, tipo, um sinal? Bom, na verdade teve.
Era para ser a coisa mais divertida do meu já agitado final de semana, jogaram papelzinho do alto e liberaram a casa como um novo espaço de festa, começaram músicas boas e eu considerei uma Temporada de Caça sozinha, mas... Eu tava cansada.
É, sei lá, rolês não funcionam sem o Maridinho, essa foi minha lição do dia.
Na quinta-feira seguinte, também conhecida como quinta-feira da semana passada eu desafiei essa lição (caramba, sempre uma quinta-feira? Que falta de criatividade, universo!), mas esse texto já tá enorme e eu não quero mais me sentir culpada por não terminar logo então fica para quando eu lembrar.
Só porque eu achei importante relatar, já que teremos esse salto temporal até eu resolver aparecer aqui de novo, o resto do meu final de semana envolveu consumir droga, conversa desconfortável com parente, ficar triste, beber muita cerveja, enfim o mesmo de sempre.