𝐑𝐄𝐀𝐋 𝐆𝐈𝐑𝐋𝐒 𝐃𝐎𝐍’𝐓 𝐖𝐄𝐀𝐑 𝐃𝐑𝐄𝐒𝐒𝐄𝐒 ─ ainda me lembro de encontrar com LEONITA “ROYAL” HUDSON nos corredores de acadia high! ela era tão parecida com MAIA REFICCO, mas, atualmente, aos 31 anos, me lembra muito mais MELISSA BERRERA. também fiquei sabendo que atualmente é GAMER e que ainda é DETERMINADA e TEIMOSA. uma pena acabar encontrando ela assim… não é possível que esteja envolvida com a morte de idris niven, certo?
aesthetic
afogando as mágoas em garrafas de vinho baratas; lábios e coração com cortes profundos; playstation 3 até horas da noite; fones de ouvido para esquecer do mundo; uma amante de One Direction em blusas largas do Queen e all star; bandagem preta nas mãos; maços de cigarro; campeonatos de jogos; vida virtual para fugir da realidade.
headcanons
2009
a última filha e única mulher entre os hudson. quer dizer, havia ângela ─ a matriarca ─ mas ela e nada era quase a mesma coisa. não tinha voz, não tinha poder, apenas uma dona de casa que aceitava as palavras do marido, um homem que serviu o exército por décadas e depois de ter se aposentado por invalidez passou a perturbar todos, sem exceção. leonita era considerada corajosa ─ ou burra ─ por desafiá-lo.
o fato da figura masculina reinar na casa, fez com que isso afetasse a aparência da garota. calças rasgadas, blusas largas, fone de ouvido, tênis e cabelo desarrumado e até mesmo um pouco bruta, leo (como gostava de ser chamada) quebrava todo e qualquer esteriotipo de que garota precisa estar com os cabelos arrumados, unhas feitas e vestidinho. mas também, pra que se arrumar? se nada durava quando chegava em casa.
as dores que sentia, tanto físicas quanto emocionais sempre eram aliviadas com uma boa garrafa de vinho barata. não se enganem com a garrafinha que leonita carregava pra cima e para baixo, aquilo definitivamente não era água. e como era algo constante, ela já sabia muito bem como disfarçar e nunca exatamente pega por estar bêbada na aula…. ok, as vezes acontecia.
outro ponto de se ter quatro irmão era o fato de suas brincadeiras eram sempre… masculinizadas. futebol, skate, video game e luta. os dois últimos em específico, era difícil ganharem da garota. o único que conseguia tirar uma boa luta consigo e a fazendo perder era seu irmão gêmeo.
jogar sempre foi algo que leo gostava de fazer, seja jogos eletrônicos, de tabuleiro ou em campo/quadra. mas sua fascinação mesmo era nos eletrônicos e em como era boa. no entanto, sempre pensava se não estava se tornando como seu pai ─ que com a aposentadoria por invalidez o fez ficar viciado em jogos de cartas e bastante agressivo ─ e por diversas vezes tentou fugir, não ficar tanto tempo jogando e não atrair o mesmo destino que ele.
2022
morar sozinha sempre foi um ponto importante para leonita, visto que todos seus problemas consistiam em continuar morando com seu pai, mas não foi algo fácil, afinal, não tinha dinheiro suficiente para tal. ganhar dinheiro de forma ilegal acabou sendo a forma de lidar com isso tanto para si quanto para seu irmão gêmeo. além do trabalho de meio período, leo vendia trabalhos tanto na escola quanto na faculdade e foi isso que a sustentou o suficiente até ter algo sólido.
dizem que velhos hábitos nunca morrem e ela sabe bem disso. apesar de ter melhorado muito em relação a época da escola, leonita ainda gosta bastante de um vinho ─ apesar de agora beber em uma taça ─ e de lutar. na verdade treina todos os dias na academia de seu irmão, não só para se manter em forma, mas o jeito que encontra para fugir dos problemas quando aparecem.
agora não é mais leo ou leonita mas sim royal. esse foi o apelido que escolheu quando começou a jogar online com alguns amigos. sua habilidade excepcional foi bem vista não só por si, mas por terceiros que a incentivaram a seguir com aquilo, que era o futuro e que realmente poderia ganhar dinheiro. é claro que, com o fato de ser mulher, tudo foi mil vez mais difícil. entretanto, seu talento era maior e não foi difícil ser reconhecida mundialmente. hoje em dia é difícil alguém saber seu verdadeiro nome, tudo na mídia a leva para o apelido royal e por ela agradece. a última coisa que deseja é lembrar do passado horrível que teve.
“Acho que não precisa de bronzeamento. Já é bonita e morena sem ter cancer de pele.” Comentou, dando uma risada logo de seguida. O moreno sentou-se ao lado dela “Professor Jameson ficou doente, parece que o almoço não lhe caiu muito bem…Então tenho uma hora livre. E pensei, que tal ver onde está Leonita? E encontrei você! Legal né?”
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mesmo não conseguindo lhe enxergar direito, não foi preciso muito para saber que se tratava de daemon. “o sol é rico em vitamina D, você não sabia disso? é preciso pelo menos vinte minutos no sol pra absorver. se eu ficar doente a culpa é sua.” brincou com ele, deixando um sorriso aparecer em seus lábios, sentindo o garoto sentar ao seu lado. a explicação seguinte de daemon parecia muito boa para ser verdade e na mesma hora um pequeno sentido protetivo se apossou de seu pequeno corpo. “é isso mesmo?” voltou para abrir os olhos para fitá-lo com uma sobrancelha erguida. ficou assim por mais alguns segundos antes de continuar. “eu crente que estava perdendo aula, mas a verdade é que não teve nada?”
⠀ ⠀ por mais que tivesse ficado na frente do sol por um tempo, enquanto se aproximava, sequer durou — não precisava de muito pra perceber que ela o estava aproveitando e não queria atrapalhar. foi o motivo pelo qual apenas se acomodou ao lado de leonita, sentando-se na grama para que pudesse abrir a mochila. “ me atrasei e não me deixaram entrar. “ comprimiu os lábios, assim como os ombros. sentia-se culpada. “ sei que o atraso máximo é de quinze minutos, mas eles deveriam abrir exceções dependendo do caso. nem quiseram ouvir o que eu tinha pra dizer. “ o tom era ressentido, assim como o pequeno bico que se formava. não iria participar da aula, mas isso não significava que não faria os exercícios da lição que provavelmente estaria sendo dada, então logo pegou o caderno e organizou as canetas de diversos tons coloridos sobre o chão. “ já que não está a fim de pensar na matéria, por onde anda sua mente? “ por fim, desviou a atenção para a companhia, sorrindo com os olhos. qualquer expressão emburrada não durava nem cinco minutos no rosto de brielle.
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é claro que brielle não faltaria aula. não é do feitio da garota tão certinha fazer algo do tipo então a única opção era que havia chegado atrasada. “britânicos e suas paranoias com horário, não liga.” falou, abanando a mão no ar, como se não fosse nada demais enquanto voltava a fechar os olhos. leonita era igualmente britânica, mas tendo uma parte latina a fazia ter direito de falar algo do tipo. queria dizer que ninguém ligava para o problema dos outros por aqui, mas não queria parecia tão chata então preferiu ficar em silêncio, apenas ouvindo ela sentar, abrir a mochila e começar a fazer um monte de coisa que leo não faria de longe. “hm, minha mente está pesada, dolorida e não querendo pensar em nada, para falar a verdade.” estar de ressaca na escola não era novidade pra ninguém, mas talvez a loira não soubesse exatamente reconhecer isso.
achei que era fotossíntese . tal como uma flor . o tom exagerado denotava a zombaria inocente ao se aproximar da garota , o sorriso no rosto de quem , ao menos pelo restante da manhã , não teria que ver a cara feia do professor de filosofia e , de quebra , ainda acabou arranjando companhia . caralho , calma que eu nem falei nada ainda ! eu provavelmente ‘tô fazendo o mesmo que você , ou acha que vim aqui coletar esses péssimos alunos que matam aula e levar eles pra direção ? o tom autoritário era uma imitação perfeita da diretora do colégio , até a maneira como falava apontando e batendo o pé no chão . callum havia passado tempo suficiente levando bronca para memorizar os detalhes . com um suspiro dramaticamente cansado , logo ocupou espaço ao lado de leo no gramado . você passou a manhã toda aqui ? como não te puxaram pelo pé ‘pra voltar pra sala ? essas merdas só acontecem comigo , deve ser praga de alguém .
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os olhos de leonita se reviraram diante do comentário dele, porém deixando um sorriso de canto nos lábios. “que brega. é assim que você ganha as garotas?” perguntou sem ao menos olhar para ele. pelo tom de voz sabia que se tratava de callum, ainda mais com as reclamações seguintes. não havia melhor imitação da diretora do que a dele. “então senta aí. eu espero que ninguém nos pegue aqui porque não a fim de entrar agora não.” e nem tinha cabeça pra isso, literalmente. ainda estava doendo. “é que eu sei passar despercebida, sabe? precisa aprender mais coisas comigo, call... como conseguiu fugir? jogou a cartada do banheiro?”
a estranheza que a tomava, era muito mais por ter todos os seus ex colegas de classe reunidos na cidade novamente. não que deixasse de ver alguns deles, uma vez que permanecia ali por algumas temporadas, a cidade a inspirava afinal, grande parte do seu sucesso partia dali, daquele buraco. o que a desconcertou no entanto, era o retorno de alguns deles e consequentemente, como isso a afetava. ayça não era estúpida, sabia que todos estavam ali por uma única razão e isso, lhe atiçava a imaginação, o desejo de descobrir quem havia matado idris. sabia que ele não era fácil, que ainda na escola havia reunido inimigos de se perder a conta, mas não conseguia olhá-los e vê-los como assassinos. os olhos no entanto, notaram a presença de uma amiga próxima; automaticamente, sorriu e aproximou-se, felicidade a tomando por tê-la ali. ‘ claro que sim! poderia ter me mandado uma mensagem, não acha? a voz era irritada, ainda que ayça tivesse um sorriso brincalhão nos lábios. ‘ você é mais famosa que eu. quando games deixou de ser mais importante do que livros? a provocou.
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ver a amiga por ali foi um acalento para leonita que suspirou de alívio antes de abrir um largo sorriso. “ayça!” exclamou, quebrando o espaço entre elas para a envolver em um abraço caloroso. as duas compartilhavam uma amizade de anos que começou exatamente, quando leo protegeu a garota de alguns bullies. desde então continuaram próximas e tiveram bons momentos juntos. “desculpa, eu não sabia que você viria também, mas era fácil de se imaginar... todos devem estar por aqui, não?” questionou ao se afastar para fitá-la. rever toda a turma de 2009 definitivamente não estava em seus planos. seu comentário seguinte arrancou de royal uma risada enquanto negava com a cabeça. “é a era digital. mas você é bem famosa, ok? ou não acha que eu não li todos os seus livros?” ergueu uma sobrancelha junto de um sorriso. “aliás, você sabe que hoje em dia é royal e não leonita. você e chamou assim e eu quase infartei.”
₊ᝰ ˓ ࣪˖ ❝ —— Eles que lidem com o fato de que não vão conseguir fazer isso. Você tem a vantagem em mãos.’ assentiu em concordância, oferecendo-lhe um sorriso de cumplicidade. De fato, Leonita era esperta demais. Inteligente. Os professores tinham que aceitar que a jovem até poderia faltar as aulas e ficar no limite da reprovação com isso, mas as notas não mudavam. Era uma das coisas que admirava na menina. ❝ —— Enquanto eles não me irritarem, ‘tá beleza. Se encherem meu saco…’ encolheu os ombros. Não havia o que fazer, certamente iria abrir a boca. Bastava o tédio assumir para aquele segredo ficar em risco. O sorriso de Eugen se transformou em algo mais puxado para o lado travesso dada as palavras alheias, atento ao vê-la tomar o comprimido. ❝ —— Estar a mercê da minha língua às vezes pode ser extremamente divertido.’ retrucou, o olhar caindo para a boca alheia por causa da proximidade, os flertes com Leo sempre deixavam-lhe com o coração acelerado pois a quedinha que tinha pela mesma era bastante traiçoeira, Gennie ficava com o rosto meio rosado e os olhos claros mal desviavam dela. Mas para seu azar, a Hudson levava tudo na brincadeira e mais uma vez se afastava, como sempre. ❝ —— Sim, bem, maldito dia que me candidatei como presidente do clube. Uma bela escolha de merda que fiz.’ apesar do drama, o jornal era uma parte importante para seu currículo acadêmico, afinal.
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ter a vantagem em suas mãos... aquelas palavras eram verdadeiras. desde que eu continuasse tirando boas notas, eles não teriam porque fazer nada comigo, muito menos contatar sua família. só de pensar em seu pai sendo chamado na escola fazia seu sangue ferver. “verdade. aliás, qual era a matéria de hoje?” perguntou. depois iria buscar seus métodos de estudar. “se encherem o seu saco será adeus relacionamento secreto. sendo sincera, não curto muito essas coisas que você faz, sei lá. mas tem gente que merece.” falou enquanto se ajeitava no chão, aproveitando da proximidade para deitar a cabeça no peito dele e entrelaçar as pernas uma na outra, quase como se estivessem compartilhando de um colchão fofo. seu comentário seguinte a fez afastar o rosto para que pudesse observar o sorriso que saia dos lábios dele. “você vai me mostrar um dia?” perguntou, genuinamente interessada em saber. as vezes, para leonita, todo aquele flerte parecia que nunca sairia daquilo, um flerte. como se ele gostasse de só falar e não fazer. voltando a encostar a cabeça no peito dele, passou a observar o pátio vazio enquanto ria baixo. “pensa que no futuro você será um grande colunista de fofoca das celebridades e ter perdido a chance de dar uns bons amassos comigo terá valido a pena.”
O lado bom de viver uma vida de mentiras era que, por incrível que pareça, as pessoas pareciam acreditar mais em você. Theresa tinha credibilidade com todos, desde os mais certinhos até os mais caóticos, simplesmente parecia uma pessoa confiável. Foi por isso, que ao notar a ausência de Leonita, a professora pediu que ela desse uma volta pelo colégio para ver se encontrava a fujona. A garota apenas acenou com um sorriso no rosto e deixou a sala de aula. É claro que seu plano não era bem aquele, também pretendia aproveitar o seu momento de liberdade. Caminhou para o jardim da escola e encontrou a árvore perfeita para se esconder, mas para sua surpresa era exatamente ali que a Hudson estava. — Te achei. — Soltou uma risadinha como se estivesse comemorando uma conquista, por mais que aquele não fosse exatamente o seu objetivo. — Você deveria me agradecer. A não ser que o seu plano seja ficar com uma marca horrível de camiseta. — Falou bem humorada, enquanto encontrava um lugar na sombra para se sentar. — O que você acha? Me mandaram te procurar. Aparentemente você não é facilmente esquecida. — Deu de ombros, porque apesar daquela ser sua missão ali, não planejava tentar arrastar a colega de volta para sala. — Ainda temos algum tempo até mandarem um zelador achar a gente. — Avisou e colocou a mão no meio do sutiã, tirando dali um cigarro e um isqueiro. — Quer? — Ofereceu, conforme olhava ao redor para se certificar que não seria pega.
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leonita não sabia exatamente se desejava ser encontrada, mas como era theresa, não chegou a se importar tanto. a amizade das duas era uma situação um tanto quanto engraçada. quando tessa fingia ser uma menina bela, recatada e do lar, elas não se comunicavam muito, raro eram os momentos. porém, quando a menina se transformava em tess — como a gostava de chamar — era como se fossem a melhor dupla. não havia ninguém nas festas como elas. “bom, é só eu usar uma blusa maior que essa. meus irmãos compraram umas novas, estou doida pra roubar.” comentou divertida enquanto se ajeitava para ficar sentada. a cabeça latejava com a ressaca mas até que estava suportável. “jura? que merda... era aula de que mesmo?” gravar suas aulas era um ponto fraquíssimo para a hudson. quando magicamente apareceu um cigarro e isqueiro nas mãos da outra, leo sorriu mais largo. “nunca se nega um bom cigarrinho. acende aí.” deu sua resposta, indicando o que theresa segurava com a cabeça.
₊ᝰ ˓ ࣪˖ ❝ —— O que seria imensamente injusto.’ afirmou, mas não discordou. Era um teoria muito boa. ❝ —— Mas aí eles teriam o trabalho de ter atenção extra pra não te reprovar por falta.’ considerou, entortando um pouquinho os lábios. A reação alheia sobre a fofoca da professora fez com que Eugen soltasse uma risada extremamente divertida, assentindo ali mesmo que a posição não favorecesse muito e que provavelmente encheria seus cachos com grama. ❝ —— Tive a sorte de os pegar na sala 201, acredita? Eu prometi não abrir a boca, mas se eu ficar muito entendiado…’ encolheu os ombros. E além do mais já tinha dito agora a Leonita, então uma pessoa já sabia do segredo. ❝ —— Ela tem um gosto péssimo, não é? Com tanta gente melhor aqui, ela foi logo naquele careca.’ fez uma careta de desgosto antes de se sentar para puxar a mochila para o colo, mexendo ali dentro até encontrar a caixinha de primeiros socorros que a mãe o fazia carregar sempre. Embora ela não lembrasse de abastecer ou checar se faltava algum remédio, Eugen tinha colocado alguns novos e uma cartelinha com comprimidos para dor de cabeça foi um dos repostos. ❝ —— Se quiser, tem aqui.’ ofereceu, deitando-se de novo para se acomodar. ❝ —— Hm, acho que consigo pensar em algumas também. Mas que considerando a reunião tão próxima, seria atrapalhado.’
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“e eles lá querem ter atenção com uma coisa dessas? o sonho da vida deles deve ser colocar um ‘F’ vermelho bem grande na minha folha. deve ser péssimo saber que eu sou relaxada mas inteligente.” comentou. era satisfatório ver as feições irritantes de seus professores quanto lhe entregavam as provas. é claro que ela não tirava nenhum A+ mas um B+ era sempre. com sorte tirava um A-. “meu deus, que tristeza deve ser pra ela saber que você sabe um segredo desse! eu que não queria ficar a mercê da sua língua afiada. quer dizer... depende da situação.” deixou um outro sorriso escapar de seus lábios enquanto o observava sentar e tirar o remédio de dentro da bolsa. é claro que ele teria um kit de primeiros socorros. é bem a cara de eugen. “você, o salvador da minha vida, como sempre.” falou antes de apoiar o corpo no cotovelo tempo o suficiente para colocar o remédio pra dentro e engolir sem água mesmo, fazendo somente uma singela careta, voltando a deitar porém aproveitando para deixar o corpo mais perto do dele, principalmente seus rostos que estavam separados por centímetros. “é uma pena que você não tem o costume de faltar a reunião.” falou baixo. seu rosto chegou a fazer a menção de avançar e quebrar o espaço, mas quando finalmente iria acontecer, leonita se afastou, ajeitando-se mais comportada.
₊ᝰ ˓ ࣪˖ ❝ —— A professora nota também, ela deve ter colocado falta na chamada.’ brincou para aliviar o clima mãe tinha entendido o que Leo queria dizer. ❝ —— E eu acho que ela não quer é que eu diga que ela tem um caso com o professor de física.’ retrucou, o sorriso debochado aparecendo para tomar conta de seus lábios. Os professores não eram muito simpáticos consigo, mas como as fofocas que saiam de sua boca pareciam ter poder para incendiar aquele colégio, Eugen sempre escapava de levar broncas por causa do estrago que eles sabiam que sua língua podia causar. Mesmo que fosse com mentira. O convite foi muito bem apreciado e rapidamente atendido, o jovem deitou-se ao lado da garota ali no chão, mas ao invés de ficar de barriga para cima como ela, deitou-se de lado para lhe encarar. ❝ —— Precisa de algum remédio?’ indagou com uma leve preocupação. ❝ —— E é claro que não tenho nada melhor, eu duvido que exista algo que possa ser mais legal do que deitar aqui com uma companhia tão incrível, sabe?’
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“sabe qual é a minha teoria sobre isso? que quando eles fazem o papel da chamada, meu nome já vem automaticamente com uma falta. ele alteram só se eu apareço.” assentiu. sabia que não era verdade, mas era como se sentia. o mais engraçado de tudo aquilo era que, apesar de tanta falta, a garota ainda tirava boas notas. “ELA ESTÁ TENDO UM CASO COM O PROFESSOR DE FÍSICA!?” leonita gritou, abrindo os olhos e girando a cabeça rapidamente na direção dele, se arrependendo no segundo seguinte que a dor insuportável veio. “blood hell, eu não sabia disso... aquele feioso.” riu baixo enquanto voltava sua posição inicial, sentindo os olhos dele em si. “hm, seria bom um doce. ou um café. mas acho que eu aceito o remédio se tiver.” respondeu, deixando que um sorriso de canto pairasse em seus lábios em seguida. ali estava; o flerte que sempre existia entre os dois. era suave, quase imperceptível, mas leonita sabia reconhecer bem. até porque, ela não ficava para trás. “eu posso pensar em uma ou duas coisas muito mais legais.” murmurou. tentou fitá-lo novamente, dessa vez, girando a cabeça devagar e abrindo os olhos com uma certa preguiça, quase como se tivesse acabado de acordar.
₊ᝰ ˓ ࣪˖ A figura deitada no chão chamou sua atenção. Eugen apertou a alça da bolsa e se aproximou de Leonita, o sorriso suave em seus lábios finos enquanto a observa. A posição não era lá a das melhores, já que estava de pé tendo que olhá-la ali deitada na grama. ❝ —— Sim, eu percebi.’ soltou uma risada baixa quanto a mais uma falta da menina. Mesmo que às vezes ela sequer falasse algo na sala, sentia falta da presença alheia. ❝ —— Eu tenho reunião do jornal em meia hora, a professora me deixou sair mais cedo achando que já era agora.’ claro, tinha mentido quanto ao horário para conseguir escapar da aula chata de álgebra. ❝ —— O que deu pra você faltar hm?’
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“você provavelmente é um dos poucos que percebe.” soltou baixo, voltando a fechar os olhos e relaxar ao perceber quem era. eugen era seu amigo e definitivamente não iria lhe dedurar. posicionando uma mão atrás da cabeça, tentou ficar o mais parada possível para ver se a dor de cabeça passasse. “eu acho que ela gosta de você. a professora. duvido que se fosse comigo ela deixaria isso, aquela vaca.” reclamou baixo. “ah, você sabe...” mesmo sem enxergar, leonita foi direto com a mão livre na garrafinha ao seu lado e balançou na frente dele indicando sobre o que estava falando. ela estava vazia no momento já que havia extrapolado na noite anterior. “um pouquinho de dor de cabeça.” riu baixinho, deixando uma careta nas feições em seguida. “deita aí. ou você tem coisa melhor pra fazer nos próximos trinta minutos?”
Apesar de não ser a pessoa mais organizada do mundo, mesmo tentando ao máximo, quando algo atrapalhava seus planos era óbvio que ficaria frustrado. Tinha combinado uma viagem com as crianças, mas a intimação estragou tudo e agora, estava sendo obrigado a retornar para a cidade natal; raramente pisava em Brighton, nada que ultrapassasse algumas horas em visitas aos familiares, mas Idris teve que mexer até nisso. Caminhando pelas ruas tão conhecidas, constatando a falta de mudanças dali, reconheceu uma pessoa e bem, ia ser estranho se Damien não a reconhecesse. A chamou com uma distância mínima, deixando que a menininha que ali estava pudesse se afastar, só não esperava aquela reação, estaria tão diferente assim? Com esse pensamento, retirou os óculos escuros e passou os dedos por seus fios, voltando a encarar a ‘amiga’. — Claro que sim. Com quem mais estaria falando? — Resmungou com um sorriso pequeno. — Estou tão diferente assim? Não faz muito que nos encontramos… Vou ficar ofendido.
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depois de ter passado o susto, leonita reconheceu de imediato quem lhe chamava e pode relaxar. não era alguém da família, algum vizinho, alguém irritante. era damien no qual cultivou uma boa relação nos últimos anos. é claro que eles estaria de volta na cidade. se a mulher, que não tinha nenhuma relação com idris, foi chamada, ela poderia imaginar que toda sua turma estaria caminhando pelas calçadas da cidade litorânea. “não sei quem é leonita, eu sou royal, prazer.” brincou com ele, esticando a mão para cumprimentá-lo depois de se aproximar mais. “não, mas eu não reconheci sua voz, foi preciso alguns segundos. e você sabe que eu não uso muito mais o meu nome por aí.”
o corpo estava estirado no chão do jardim da escola, os olhos fechados e totalmente imóvel. quem olhasse de longe poderia muito bem achar que a garota estava morta ali mas era só se aproximar para visualizar o pequeno sorriso nos lábios por finalmente poder aproveitar um pouco do sol londrino. a sombra feita arrancou de leonita uma careta, fazendo-a abrir os olhos para verificar quem lhe atrapalhava. a dor de cabeça forte que lhe recepcionou a fez levar os dedos as têmporas e apertar de leve. “mierda.” soltou, no perfeito espanhol que sabia muito bem. “você está atrapalhando meu bronzeamento natural.” continuou. “o que foi? eu perdi aula, eu sei. não tava a fim. e você ta fazendo o que aqui a essa hora?”
estar em brighton deveria ser considerado como um dia qualquer em sua vida. apesar de não morar mais lá, ainda estava interligada com a cidade, principalmente porque seus irmãos ainda estavam por ali, dominic incluso. era apenas por eles que a mulher ainda voltava para lá — e agora por causa de idris niven. era estranho pensar que o cara com quem dividia seus vinhos baratos não estava mais vivo, mesmo não tendo visto desde que terminou a escola. não era idiota e sabia que as garrafas que vez ou outra chegavam em sua casa só poderia ser dele, mas nunca teve real certeza. seus devaneios sobre o ex-colega morto foram quebrados por uma menina que se aproximou timidamente de si. com o sorriso nos lábios, royal cumprimentou, tirou foto e autografou um caderno da pequena que parecia bastante feliz. mesmo depois de anos, ela não conseguia acreditar que realmente tinha fãs.
ouvir um ‘leonita?’ vindo de suas costas a fez congelar brevemente. atualmente pouquíssimas pessoas lhe chamavam pelo seu nome de batismo que lhe deixava incomoda de uma maneira irritante. recompondo-se rapidamente, girou o corpo para ver quem lhe chamava. “está falando comigo?” questionou com um sorriso pequeno e um pouco simpático. talvez se fizesse de desentendida a pessoa acharia que se enganou e lhe deixaria em paz.