— You’re my valentine;
@rdxyoshiko:
Yoshiko não poderia estar mais feliz sobre ir no jantar com Hyunsik. Desde que abrira o jogo para ele suas esperanças não paravam de subir; sonhava com o dia que eles realmente pudessem ser namorada e namorado. As vezes, era possível vê-la sonhando acordada com momentos em que eles estariam juntinhos. E aquele jantar era simplesmente a melhor oportunidade para isso - era uma noite de dia dos namorados apenas para eles (e para todos os outros casais da universidade, mas ela não ligava muito pra isso).
Havia escolhido minuciosamente a sua roupa para aquela noite e passara mais tempo do que havia planejado em frente ao espelho, se maquiando. Queria dizer para o mundo que estava extremamente animada em ir jantar com o homem que amava e, quando eles resolveram passear pelas ruas do câmpus, aquela vontade só aumentava. Olhava para o rosto bem desenhado, iluminado pelos postes de luz que ali estavam, e imaginava o quão sortuda era por estar ali - mesmo estando doente e tudo.
E enquanto terminava de falar sobre mais um assunto aleatorio, encontrou-se notando que ele parecia longe ao escutá-la. Parou de andar e olhou em seus olhos, esperando qualquer coisa que pudesse vir - e esperava que fosse boa. Até ali, a sua noite havia sido maravilhosa.
“Está tudo bem.”, disse. “Pode perguntar!”
Era isso, a hora havia chegado. Se lhes perguntassem na semana anterior que estaria à beira de fazer aquela pergunta a Yoshiko, ele com certeza teria soltado uma risada amarga. Talvez, se tivesse tido conhecimento de que a oportunidade de confessar seus sentimentos mais uma vez existiria, ele não teria se entregado a bebida e passado pelos mais diversos constrangimentos como fora a sua segunda ida a Infernum. Mas, agora, ele estava ali, segurando a mão pequena com os dedos entrelaçados aos seus e o olhar curioso da mais nova direcionado para si.
Hyunsik não compreendia a razão para estar tão irrequieto, afinal, eles já tinham tido aquela conversa e ambos foram sinceros acerca do que sentiam um pelo outro. Suspirou e, aproveitando da mão que ainda segurava a alheia, puxou o corpo magro para perto de si, diminuindo a distância entre eles. A ponta da língua umedeceu os lábios e o olhar foi erguido para que assim pudesse encarar o belo rosto da outra. “Eu sei que nós já conversamos sobre isso e já está bem claro o que sentimos um pelo outro, mas…” A mão que ainda jazia dentro do bolso saíra de lá, trazendo consigo uma pequena caixa de veludo na cor preta; dentro dela, havia um colar dourado com um pingente de asas de anjo. Hyunsik procurara por todas as joalherias de Yeonok em busca do presente perfeito, mas bastou se deparar com o delicado colar que soube que deveria ser aquele; o escolhera, pois, em seu coração, sabia que a protegeria e faria do impossível possível para que ela continuasse ao seu lado. Iria garantir que ela permanecesse nesta terra, independente dos meios.
Ele soltou a mão alheia apenas para que pudesse guiar a própria ao bolso da calça correspondente, tirando de lá um pequeno envelope na cor vermelha. Dentro dele, um cartão minimalista, assinado por ele, com os seguintes escritos:
“Every night in my bed, I’m dreaming that it’s you in my arms, I’m holding; Baby, you’re my angel, do you wanna bem my girlfriend? Always yours, HK.”
Ao abrir a caixinha, ambas as mãos, contendo uma a caixa e a outra o envelope, foram direcionadas a garota. Um sorriso tímido surgiu em seu rosto e o lábio inferior foi mordido, a fim de conter a ansiedade. “Senhorita Saito,” ele riu com a formalidade exagerada. “Você aceita namorar comigo?”
A garota meneava a cabeça a cada palavra que ele pronunciava, explodindo de ansiedade pela pergunta a ser feita. Seus olhos transbordavam de alegria por aquele momento e seria impossível não notar o fato de que suas maçãs do rosto estavam levemente levantadas, num sorriso que não poderia ser contido. Sentiu o corpo ser puxado para mais perto e soltou uma risadinha de reação. “Oi, você.”, mas logo levantou o olhar para prestar atenção no que o mais velho falava. A coisa parecia séria.
No entanto, ela não parecia nem um pouco preocupada. Acariciava a mão que segurava, mostrando que estaria lá para ele e entenderia qualquer que fosse a coisa que ele gostaria de falar. Yoshiko deixou o olhar cair para a caixa que o amado segurava, tão singela e bem ajeitada que fizera-a sorrir ainda mais. “Não precisava--”, não completou a frase, pois notou que havia mais algo vindo. Seus olhos rapidamente se arregalaram ao escutar as palavras de Hyunsik, sentindo seu coração acelerar e quase sair pela sua boca.
Passou alguns momentos apenas alternando o olhar assustado da caixa para o cartão, para os olhos do menino. Aquilo poderia até mesmo deixar o mais velho nervoso, visto que ela não parecia esboçar qualquer reação além da tamanha surpresa ao ouvir o pedido. A sua boca estava entreaberta e ela procurava as palavras para dizer; mas não as achou. Por isso, deixou os lábios curvarem-se num sorriso, levando um braço para o pescoço do menino e o outro ajudava-o a segurar os presentes. O seu rosto aproximava-se lentamente enquanto deixava seus lábios encostarem nos alheios, iniciando um beijo que havia sido esperado há muito tempo. Naquele momento, nada mais importava para a japonesa - ela sentia-se verdadeiramente infinita pelo simples fato de estar lá, trocando carícias com o homem que ela amava. Ao perder o fôlego, manteve seu rosto próximo do masculino, não deixando de sorrir nem sequer por um minuto. “É claro que sim, Hyunsik.”, ela disse. “Não há nada que eu gostaria mais.”









