Tenho vontade de ver-te Mas não sei como acertar. Passeias onde não ando, Andas sem eu te encontrar.
Fernando Pessoa.
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Tenho vontade de ver-te Mas não sei como acertar. Passeias onde não ando, Andas sem eu te encontrar.
Fernando Pessoa.
Não acharás, amor, no poço em que cais o que na altura guardo para ti: um ramo de jasmins todo orvalhado, um beijo mais profundo que esse abismo.
Trecho de “O Poço”, Pablo Neruda.
XLIV
Saberás que não te amo e que te amo posto que de dois modos é a vida, a palavra é uma asa do silêncio, o fogo tem uma metade de frio.
Eu te amo para começar a amar-te, para recomeçar o infinito e para não deixar de amar-te nunca: por isso não te amo ainda.
Te amo e não te amo como se tivesse em minhas mãos as chaves da fortuna e um incerto destino desafortunado.
Meu amor tem duas vidas para amar-te. Por isso te amo quando não te amo e por isso te amo quando te amo.
Pablo Neruda, in Cem Sonetos de Amor.
Quanto mais escrava mais escrevo pra libertar essa mulher da vida que me habita.
Martha Medeiros.
Não quero escrever um livro a respeito de cada amor imperfeito que me aconteceu; não quero musicar toda vez que uma alegria se perdeu; não quero decorar a parede com desencanto ou nostalgia. Prefiro admitir a flor e a pétala que possa cair para magoar o meu cenário. Sei que todo peito é permeado de contrários, que em todo jogo pode haver uma derrota. Rabisco apenas a minha nota de rodapé: “Não é só de vitórias que se escreve uma verdadeira história de mulher.”
Flora Figueiredo.
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos... Trago-te estas mãos vazias Que vão tomando a forma do teu seio.
Mario Quintana.
“Não sei reagir quando se trata de meus cortes, minhas marcas, minhas lembranças..”
Você tem cheiro de lar Mas tenho medo que Você não deixe eu Morar em você.
[insônia]
a cidade inteira dorme
tu dorme
e eu escrevo sobre você.
E desde então, sou porque tu és E desde então és sou e somos… E por amor Serei… Serás…Seremos…
Neruda
Eu quero lavar meu corpo,
as minhas chagas
E eu quero ser céu
eal
Reclamam da existência da saudade.
Eu entendo.
É uma moça de dfícil convivência.
Mas se não fosse ela, quem tomaria o lugar da ausência?
Que coisa engraçada é a saudade.
Não tem alma, nem corpo, textura ou odor, mas
preenche o lugar de coisas de carne, cheiro e cor.
A saudade é vizinha, vazia, cheia e pobre de amor.
A saudade é tudo .
Só não é indolor.
[Clarice Freire]
Todo mi caos se está saliendo de control.
Poeta Inestable
Quanto mais palavras saem de minha boca mais me dou conta de que não sou eu que falo pois o que penso não tem nada a ver e o que faço já é outro papo e o que pareço já nem sei contar.
Martha Medeiros.
Invernáculo
Esta língua não é minha, qualquer um percebe. Quem sabe maldigo mentiras, vai ver que só minto verdades. Assim me falo, eu, mínima, quem sabe, eu sinto, mal sabe. Esta não é minha língua. A língua que eu falo trava uma canção longínqua, a voz, além, nem palavra. O dialeto que se usa à margem esquerda da frase, eis a fala que me lusa, eu, meio, eu dentro, eu, quase.
Paulo Leminski.
Parada cardíaca
Essa minha secura essa falta de sentimento não tem ninguém que segure, vem de dentro. Vem da zona escura donde vem o que sinto. Sinto muito, sentir é muito lento.
Paulo Leminski.
Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo, que solidão errante até tua companhia! Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva. Em taltal não amanhece ainda a primavera. Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos, juntos desde a roupa às raízes, juntos de outono, de água, de quadris, até ser só tu, só eu juntos. Pensar que custou tantas pedras que leva o rio, a desembocadura da água de Boroa, pensar que separados por trens e nações tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos com todos confundidos, com homens e mulheres, com a terra que implanta e educa cravos
Pablo Neruda.