Ainda lembro de como as coisas foram difíceis. Lembro da fatia de bolo e da vela barata. Lembro do andar triste nas ruas, lembro como era sentir um buraco no peito que ia me engolindo aos poucos. Lembro da solidão e do quanto tentei correr entre as estradas sem saída. Mas lembro que nesse tempo eu te amava, sempre amei. E talvez a minha amargura esteja nesse tempo, em que eu não consegui te sustentar em meus braços. Foi um verão cruel. Eu te vi dobrar a esquina e pensei que estava tudo bem, pensei que ficaria bem sendo a única a saber que seria a ultima vez que nos veríamos. Pensei estar fazendo a coisa certa. Mas fui tão cruel. Foi um verão cruel. E grande parte de tudo isso foi minha culpa por pensar que era a única saída dentre as inúmeras ruas sem saídas. Em muitas das vezes tentei seguir por outras ruas, mas lá na frente sempre esteve a curva que me fazia ir até você. Mas foi um verão cruel seguido por um inverno cruel. O inverno que congelou todas as minhas lembranças com você. Mas eu fazia a curva e elas floresciam como a primavera dentro de mim. Foi um tempo muito difícil, mas juro que se naquela época eu soubesse que havia outro jeito, eu teria feito tudo diferente.
É um dia 22 de julho feliz.











