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eu nunca estou satisfeita porque tudo parece tão breve inconsistente nada me apetece, logo nada me descreve
pra ser sincera eu quero estampar meu egoísmo manso no teu corpo esquecer o cansaço acumulado nas costas e esgotar teus gemidos no meu ouvido.
eu cravo as unhas na tua barriga bordada com algumas pintas, e me esqueço entre tuas pernas, babe. teu gosto queima em luxúria sobre meus lábios masoquistas.
Queria estar no teu lugar agora só pra entender como é me ver de fora.
metade de mim é pretensão pra ser; a outra metade é refluxo por não ser nada além de uma matéria frouxa de espaço e coragem.
eterno pesar das coisas que brilham muito e apagam cedo.
Os Ombros Suportam o Mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teu ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação.
Drummond
eu me desculpo por pensar em ti e te devorar com tanta ferocidade. por tentar encarnar-te em mim e te recriar como um personagem que não cabe nos meus roteiros mirabolantes. eu me desculpo por mutuar a física e a química e até a matemática para tentar te encaixar em mim, mesmo sabendo que temos formas distorcidas que não se completam. mas é que teu sorriso me desconcerta e minha carência te necessita. eu não te falo com palavras porque tento transportar tudo com os olhos, é a forma mais singela que tenho para transparecer o que se passa aqui dentro sem te assustar. o restante do que sinto, eu escrevo. tenho medo que minhas confusão interna acabe te consumindo. eu te quero, mas aos poucos. te quero sentir como sinto cada milimetro de álcool que compõe minhas noites tristes ao lembrar que meus braços vazios poderiam preencher-se com teu corpo que insiste em se manter distante.
sobre tu, alguém.
O maior tempo perdido é aquele que se perde lamentando o tempo que se perdeu
eu te encerro aqui ainda bonito e profundo mas te encerro aqui você e todas as tuas turbulências internas e essa mania de adiar a dor.
Se eu nunca ver você de novo Eu sempre vou levar você dentro fora na ponta dos meus dedos e nas bordas do meu cérebro e em centros centros do que eu sou do que restou. Charles Bukowski
A gente nasce grande
E vai diminuindo
eu quis te fazer de escapatória, saída de emergência, luz no fim do túnel, rota de fuga do abismo de ser quem eu sou mas tu não pôde me salvar. e por isso nós não dermos certo, baby. desculpa.
Mas quando eu passar, me olha devagar. Muita gente desiste de mim porque me olha depressa demais.
porque é difícil te olhar nos olhos quando eu não posso me desfazer dessa bagagem cheia de faltas que eu carrego no peito. eu esquivo de tudo que me retém. me cola no chão. fincar meus calcanhares em algum lugar é dar uma folga pra ocupação mental que eu me agarro nesses dias que eu não suporto minha sombra seguindo passos diferentes do meu corpo. que eu quase me entupo de analgésicos pra enjoos. pra tua loucura rompida no meu organismo não decompor de vez as borboletas dizimadas no estômago. se não achasse que essas coisas não tem o mínimo efeito sobre mim. eu perdi o rumo certo dos trilhos. eu conto as rachaduras das calçadas pra não contar as do meu psicológico podre.
sobre desconsertar
gosto de elogiar características que há nas pessoas que elas sequer imaginavam que eram bonitas.