se eu não quisesse, você jamais me adentraria, V. você faz ideia de por quanto tempo eu tenho voado sozinha? enfrentar os nossos próprios furacões nem sempre mantém as nossas asas intactas. alguns remendos aqui e ali, mas sempre me fizeram sentir mais viva do que nunca. porque a minha força vem de mim. e mesmo que eu tenha te amado um dia, isso nunca teve a ver com você. sim, o meu estômago ainda embrulha quando lembro das vezes em que estive nas mãos erradas. até que a gente consiga assumir o controle do que há por dentro e por fora da nossa pele, o peito caleja e dói. quantas feridas pra se costurar até que finalmente estejamos prontos pra um recomeço? quantos punhais cravados em nossos corações até conseguirmos ser tudo que sempre sonhamos e merecemos?
eu descobri que o medo não cria pontes até os nossos sonhos, V. o medo constrói muros em torno da nossa humanidade frágil feito sopro. ele nos aprisiona na nossa própria existência. e é preciso coragem pra se livrar das grades e algemas. mas das coisas que eu aprendi e nunca consegui te ensinar: me permitir doer de vez em quando, não me faz mais fraca. porque apesar de expandir em alma, ainda sou só humana. no pouco tempo em que você realmente se esforçou pra me ouvir, eu costumava te falar sobre o quanto eu acredito que o amor pode transcender qualquer hemisfério. e eu nunca falei de geografia. mas você nunca entendeu nenhuma das minhas metáforas mesmo.
V, eu sempre estarei muito além da mulher que a sua vista alcança, e sempre soube o quanto isso te assustava. eu tenho carrego uma imensidão que você nunca entenderia. e uma fome nunca foi de você. estávamos fadados ao fracasso dentro o começo. nem mesmo as minhas partes mais bonitas, poderiam compensar a sua soberba, seus julgamentos errôneos e sua mente que não se abre pra nada que vá além das tuas próprias paredes. eu costumava pensar que era você que não me enxergava, mas sou eu que não consigo enxergar em você nada além de um oco sem probabilidade de cura. ouvi dizer que os nossos atos são só um reflexo do que é alimentado em nós. e todo sentimento minimamente genuíno sempre morreu de fome dentro de você.
você quase me convenceu de que te afastar me destruiria. porque que tudo que você toca desmorona, V. mas a verdade é que você nunca me alcançou.
e desde que encarei o abismo sob a luz da minha própria sombra, me vejo de asas inteiras. não preciso de mais ninguém pra alçar voo.















