i'm always careful.
Plotdrop: Baile de Máscaras;
Quando: 12/12/2020;
Com: Perséfone;
Gatilho: Nenhum.
Caminhando entre os mais diversos seres, buscou algo que pudesse a comover ou ao menos a fizesse sentir que ir até o baile não foi uma total perda de tempo. Não que a decoração não estivesse bonita — na realidade, toda a ornamentação feita pelas deusas Perséfone e Frigga ficou deslumbrante. Elizabeth só não é facilmente surpreendida.
Passou por conhecidos, cumprimentou alguns deles com um leve aceno de cabeça, separando breves abraços e selares no rosto para aqueles mais próximos, estes que aproveitaram a situação para sussurrar ao seu ouvido fatos bobos e fofocas irrelevantes. Ela riu como se fossem piadas realmente engraçadas, em uma tentativa de mascarar a aura melancólica que tem caminhado junto à ela.
No entanto, logo após copos de um ponche mágico, a mulher começou a sentir-se mais leve e naturalmente risonha. Por um momento, esqueceu toda aquela confusão de sentimentos novos que pareciam estar em guerra dentro dela. Maldita poção de Ares. Elizabeth não se arrependia nem um pouco de ter pedido ao pai que a devolvesse seus sentimentos, mas daria qualquer coisa para acabar com aquela agonia de re-acostumar a sentir. Há momentos nos quais ela não sabe dizer com exatidão o que está sentindo, se é real ou apenas alguma impressão dela por uma interpretação errônea. Isso é extremamente irritante para alguém que costuma ter o total controle de si própria, sempre soube exatamente o que fazer e como o fazer — contudo, nas últimas semanas estava experienciando a sensação de estar perdida e isso não era nada bom.
Porém, a bebida enfeitiçada a fez esquecer disso por uma noite. Elizabeth não sentiu nada além de paz interior e uma sensação agradável de felicidade. Embora soubesse muito bem que não passava de uma emoção passageira, ela não estava se importando com isso. Queria apenas aproveitar aquele momento de tranquilidade e só depois pensaria nas consequências.
A filha de Ares deu mais uma volta por aquele enorme salão, dessa vez rindo genuinamente — ou nem tanto — das conversas descontraídas que tivera com seus amigos e também com aqueles que havia acabado de conhecer. Amizades novas? Ela esperava que sim. Apesar da postura séria na maior parte do tempo, Elizabeth não é exatamente uma mulher introvertida. Ela gosta de conhecer pessoas novas com quem possa passar um tempo batendo papo sobre qualquer assunto que surgir.
Afastou-se do grupo de colegas para experimentar o vinho de uma das várias torres espalhadas pelo local, e ainda que estivesse distraída enchendo a taça com a bebida, notou uma aproximação sorrateira por trás de si. Como não passou a impressão de ser uma ameaça, ela continuou focada no que fazia. Até que uma voz suave chegar aos seus ouvidos:
“Você é mesmo tão bonita quanto o seu pai diz.” Perséfone disse, esticando o braço para encher a sua própria taça na fonte.
“Ele diz isso?” A semideusa perguntou, arqueando as sobrancelhas e mostrando um sorriso debochado. Lizzie sabe que Ares só diz isso pela semelhança que ela tem com a mãe, nunca foi segredo que o Deus se aproximou de Hyeri primeiramente por sua beleza singular. E segundamente por ter sido uma mulher forte e boa até demais no que fazia.
“Foi o que ele disse quando eu falei que pretendia fazer uma visita à Nemeton. Pediu também para mandar lembranças caso eu a encontrasse, e disse… Hm, o que era mesmo?!” A Deusa tomou um gole da bebida, desviando o olhar para um ponto aleatório antes de mirá-lo na coreana novamente. “Ah, ele disse para que tomasse cuidado com suas decisões de agora em diante. As consequências podem ser um pouco insuportáveis.”
“Eu sempre sou cuidadosa.” Ela disse, e Perséfone acenou em concordância. “Como você soube quem eu sou?” Pergunta besta, talvez. Afinal de contas, a mulher é uma Deusa.
“Você tem a mesma aura raivosa de Ares, embora muito mais fraca que a dele.” Óbvio. “Não é difícil reconhecer a prole do Deus da Guerra, todos vocês possuem essa postura de quem vai sacar uma arma e começar uma guerra a qualquer momento.”
“Fair enough.” Elizabeth sorriu, umedecendo os lábios com o líquido da sua taça. “Bom, foi um prazer encontrar com você, Perséfone. Mas agora, se me permite, gostaria de dar uma volta no jardim.”
A rainha do submundo limitou-se em mostrar um sorriso compreensível, e a filha de Ares deu três passos para o lado oposto, mas interrompeu a si mesma de continuar o percurso para a área externa quando ouviu a Deusa chamá-la para um último aviso.
“Você vai gostar, mas tenha cuidado. Mesmo.”
E ela soube de imediato que Perséfone não estava se referindo ao jardim.








