dxhalter
“Mas acho que não se trata apenas de comemorar o amor, é mais um… A gente decidiu juntar nossas coisas, ser um só. Sei lá, esse monte de baboseira que todo mundo no fundo gosta.” Ele mexeu sua mão, fazendo um sinal para deixar de lado o que havia dito, assim como tinha uma careta em seu rosto, sentindo até um pouco de enjoo ao ouvir suas próprias palavras melosas demais para um cara como ele. Talvez devesse maneirar agora nas bebidas, estava começando a ficar sentimental demais. A reação dela não foi surpreendente, ainda mais sua fala deixando claro que havia decepcionado na escolha mais discreta, o fazendo revirar os olhos, um curto sorriso pendendo nos lábios. “Você está pedindo para o rei do básico ser excêntrico, não dá.” Explicou de maneira simples o que acontecia ali, soltando um riso baixo, conforme sacudia a cabeça levemente para os lados. “Terno laranja? Acho que nunca vi, mas deve ser horrível.” Fez uma careta em nojo. “Só um pouco, senão vai chamar muita atenção… E eu não sei se vou aguentar todo mundo te encarando e babando.” Abriu um sorriso mais sereno, dando uma piscadela na direção dela, sabendo que ela encararia aquilo como brincadeira, já que era o que tentava passar. Era tudo uma brincadeira. “Trabalho honesto… Existe isso aqui? Em O.P.? Eu acho que não… Se você ainda não foi corrompido, um dia vai ser.”
“você é tão fofo com isso de casamento, eu quase explodo. se algum dia acontecer de eu querer demonstrar todo esse amor, juntar as coisas, não sei mais o que, acho que vou adotar uns bichinhos e colocar o nome da pessoa na certidão. é melhor que um casamento... pensando bem, acho que vou adotar um cachorro.” era fácil se perder nos próprios pensamentos considerando o álcool que ingeria, até chegar em ideias como a do cachorro. a probabilidade de nadine desistir disso, mesmo depois de sóbria, era quase nula, uma vez que já começava a planejar onde ficaria a cama, quantos brinquedos compraria, qual nome daria ao animal e já ajeitava sua agenda para poder passar mais tempo com o bicho que sequer tinha ainda. não tinha tempo para pensar demais, sempre fora melhor com ações. “qual é, babe! ‘tá me falando que não usaria um terno colorido nem se eu pedisse com muito jeitinho? bullshit.” gesticulou, como se o pedisse para afastar aquela ideia. sabia que persuasão, senão no trabalho, não era exatamente seu forte, mas não admitiria. “não fala assim, eu amo laranja. não uso muito, mas ainda assim.” empurrou-o com o ombro ao ver a careta, retribuindo-a em seguida. “claro que você aguenta. no final do dia, ‘cê sabe que eu só tenho olhos pra você.” mordeu o lábio, piscando para ele, soltando-o em seguida para emitir uma risada, que era mais cansada do que engraçada por si só. o dia de trabalho havia sido cheio, mas estava feliz por poder compartilhar o restante do dia com o outro. “existe, sim. a gente é exemplo disso, quantas vezes você teve chance de roubar, matar, extorquir e mais um monte de outras coisas? várias, sei disso. e eu também. but here we are. fodidos, mas limpos.”



















