Wrong butt; +Werneck
rjsp-werneck:
“Você conhece uma pessoa pelos livros que lê, Yuri”, era o que sua mãe sempre dizia quando o mineiro manifestava interesses duvidosos. Ao longo dos anos, no entanto, o comentário se provou pouco efetivo já que, ao contrário das aspirações nacionalistas de Clarice Peixoto, Yuri acabou por escolher especializações na história russa. Curioso era lembrar tais palavras quando, após horas na expectativa, Yuri finalmente pôs suas mãos nos livros expostos no estande da Cosac Naify.
Um tanto quanto perturbador.
Mas o tempo para refletir o quão duvidoso seu gosto poderia ou não ser se provou curto quando, sabe Deus por quê, uma mão se fez presente em sua bunda e berros em sua orelha. Malhando? Gostosin? Eram essas as cantadas em meio aos jovens? Porque, involuntariamente, Yuri se viu à beira do precipício da velhice, tentando achar sentido nas cantadas que, francamente, pareciam um tanto quanto cômicas em sua experiência. Ah, a crise da meia idade. Pelo menos ainda podia rir da situação, especialmente quando, ao virar-se para encarar o garoto que, segundos antes, fez da bunda de Yuri sua propriedade, percebeu que isso nunca fora a intenção do garoto.
Que situação.
Yuri deveria ter demonstrado compaixão, talvez até sorrir e dizer que estava ‘tudo bem’, mas antes de suas intenções nobres se manifestarem, o mineiro já gargalhava em alto e bom som, qualquer vestígio de dignidade longe de se fazer presente. “Não é todo dia que minha bunda é elogiada assim tão… em público. Então acho que ta tranquilo, cara. Valeu, inclusive.” Yuri deu de ombros.
Se a vida de Danilo fosse igual os desenhos que ele tanto assiste no computador, certamente estaria com a cara vermelha e saindo fumaça de sua cabeça. Mas ainda bem que as coisas não eram bem assim e provavelmente só aparentava desespero, não vergonha. O desconhecido gargalhando também não ajudava nem um pouco, seu nervosismo só aumentava. Não demorou pra suas mãos começarem a tremer levemente enquanto ele sacudia elas ainda sem saber o que fazer perante o acontecimento; ou então os calafrios que começarem a percorrer por seu corpo. Ah não, por favor, não...
O youtuber realmente não gostava daquela sensação, não era nada legal. Já temendo o pior, começou a contar em sussurros só pra tentar fazer sua cabeça ficar tranquila. Respirou fundo, aliviado por conseguir se acalmar um pouco, mas bem constrangido pelos mil papelões. O de apertar a bunda de um homem desconhecido, de quase surtar no meio da festa do livro e por ai vai... Dans era mesmo uma negação para a vida.
Necessitado em se redimir pelo que fizera ao cara, mesmo ele dizendo que estava tudo bem e se sentindo de certa forma grato pelo elogio – vai entender. Entretanto como sua cabeça não estava trabalhando direito, falou a primeira coisa que lhe veio a mente. – Desculpa mesmo cara, sério mesmo...Posso até te pagar um café, sei lá, pra me desculpar de verdade isso é muito ruim. – Ao invés de ir embora de vez, ele continuava ali insistindo na merda. Era mesmo todo errado o moleque, mas fazer o que, nem ele mesmo conseguia se entender.












