desrazão
Se resumia ao caos. Tua esquizofrenia, canonizada em aura. Cabia só em um certo altar particular. O que ela foi, o que ela gostaria de ser, não lhe vestia mais. E em teu corpo, eu fui, assim, desrazão. Loucura em seu intrépido furor. Marginal? Não. Essencial. Pois beijar-lhe a aura fora como um segredo contado mais de perto. Um querer estar, compreender. Puramente instintivo. Contemplá-la chegava a ser, então, uma confissão a querer confirmar-se. Um toque clandestino de autobiografia. Refazia os limites de seus lábios entreabertos e via em seus olhos as minhas palavras. Contornava seus seios e temia pelo pudor desavisado de quem se afoga em pulsões meramente sexuais. Beleza é horror. Arte, o seu reflexo. E ela... impecável em sua assimetria, perfeita em todas as suas imperfeições. É Lara, Bia e Natalia. Rafaela, Thaís e Mari. É tudo. Todas. A mais bela desrazão.












