I'll lay your soul to waste @Keise
Abóboras macabras, cruzes cravadas no chão, vassouras encostadas e morcegos pendurados indicavam a proximidade da época mais assustadora do ano. Não que crianças fantasiadas e estórias de terror fossem tão assustadoras, mas essa é a forma que conhecemos o Halloween. Apesar de ainda faltarem duas semanas para a data oficial da comemoração, naquela noite estaria havendo uma festa à fantasia organizada – como a maioria dos eventos sociais de San Diego – pela sra. Lovelace, no Pizza Planet. Apesar da época e comemoração agradar Rosalie, ela não é do tipo que frequenta a lanchonete, principalmente por ela ser quase sempre ocupada unicamente pelas pessoas de seu colégio. Entretanto, não deixaria uma forma de distração passar caso não tivesse outros planos mais atrativos, como era o caso daquela noite.
A ruiva dirigia seu carro pelas ruas escuras, apenas guiada pela luz dos faróis, em direção ao prédio da NBC, exatamente como o conhecido sem nome daquele dia pela manhã tinha indicado. Faltavam poucos minutos para meia-noite e Rose provavelmente estaria atrasada até que chegasse, por mais que a curiosidade lhe fizesse dirigir o mais rápido possível, o que parecia inevitável para a garota de ter. Certamente, algo havia lhe instigado naquele rapaz. Meia noite na esquina de um prédio, sem nome até que o encontrasse de novo, sob uma breve possibilidade de ausência. Mas bem, valia pena acreditar que ele não estava de brincadeira. Não parecia ser do tipo que brincava daquela forma. E se brincasse, Rose poderia arranjar algo para fazer mais perto daquelas bandas às quais dirigia.
Já fazia algum tempo que estava no carro e aquela viagem não podia ser perdida. Aos poucos, Rosalie enxergava o topo do prédio espelhado onde o encontro fora marcado, tão alto que se sobressaia em relação às demais construções que o cercavam. Assim que entrou na sua rua, desacelerou a velocidade, procurando por algum sinal de vida. Não havia, ali, nada além de pouquíssimos carros estacionados, ao lado dos quais ela fez o mesmo com o seu. Com cautela, a ruiva desceu do automoveu observando qualquer movimento com dificuldade. A rua era pessimamente iluminada durante a noite, o que fez com que ela ficasse alerta e tensa por estar tão tarde e também sozinha. Sabia se defender, mas não é como se pudesse agir naturalmente.
Em passos curtos, Rosalie rodeava o prédio em busca do moreno que conhecera mais, cedo, suspeitando que ele não teria aparecido. Suspirou com pesar e sentou-se em um batente da escada para amarrar os cadarços dos tênis. Iria voltar para casa, pedir uma pizza e assistir algum filme ou dirigir até o subúrbio onde seus mais próximos seriam facilmente encontrados? Decidiria no carro. De repente, a ruiva escutou um barulho vindo de trás dela. Preferiu ignorá-lo, até que aquilo parecia cada vez mais próximo. Ainda sentada no degrau, a garota olhou para trás, encontrando nada mais que um gato preto, comprido e de olhos amarelos lhe observando. Passou uma das mãos por suas orelhas levantadas antes de trazê-lo para seu colo, voltando a olhar a rua.











