“viver é uma boa motivação para fazer uma festa, mas se você quiser motivo, posso inventar um. é sempre o aniversário de alguém, a contratação coletiva de perdidos...” listou as opções com um meio sorriso na face, divertia-se com justificativas rasas. “infelizmente não vai ser porque os perdidos vão embora. se você for um deles, sinto muito. e-” deixou o peso cair fundo na boia, virando a cabeça para o homem. “-bem vindo ao barco, marujo.” a conversa se seguiu de um maneira que percebeu que o outro era um perdido. toda a confusão trouxe um riso, um mais genuíno dos que tinha dado até então. “eu posso julgar perdidos meio que por cima, algumas pessoas exalam estraga-prazer. já teve vários eventos pra todo mundo, é normal deixar algumas pessoas de fora. e aqui, sinceramente, as pessoas têm fama. se a sua fama é ter tentado matar alguém, talvez não ser convidado para uma festa seja o padrão. e também tem aqueles que tentam te matar porque não foi convidado para uma festa, mas é só escolher suas guerras. eu, particularmente, não tenho tantos inimigos, mas não chamaria qualquer um. e, se quiserem guerra comigo, uh-” parou para imaginar com uma certa adoração pela causa hipotética, abrindo o sorriso astuto, um semblante que não vinha de um local muito bom de sua mente. “que venham!” piscou com um dos olhos para ele, não exatamente comprometido. era sempre uma grande brincadeira, não era? “mas eu prefiro que não. já temos um mal invisível para lutar. façam festas, não guerras, eles dizem.” deu de ombros, o senso de humor permanente. “quais são as futilidades que você sente falta?” olhava-o com atenção, agora, interessado no que ele tinha a dizer, pois agora eles tinham algo em comum. soltou um suspiro, piscando algumas vezes. “pra ser sincero, eu sinto bastante falta do meu reino, você conhece allarch? é difícil estar longe de casa, não é?”