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bora?
Inteireza
Eu já chorei transando, mas de felicidade. Porque você estava vazia e, de repente, se vê inteira — ali, com alguém que você gosta de verdade. Às vezes, de mãos dadas, como se o mundo pudesse pausar naquele instante. E é a melhor coisa que existe. Não porque há prazer, mas porque há presença. A pessoa. Tudo o que vem depois disso é só detalhe.
Até o beijo carrega um peso bonito: a espera antes dele, o segundo exato em que acontece, quando as borboletas no estômago quase escapam pela boca.
Essa é a melhor e a pior coisa que alguém pode viver. Porque depois que você sente isso, nada mais serve. E não ter mais isso é perceber que muito do tempo foi gasto com o que nunca chegou nem perto de ser inteiro.
o destino como espelho do que ainda falta
entre o acaso e a responsabilidade de ser.
o destino é uma estrada coberta de neblina. nunca se vê o fim, apenas alguns passos adiante. entre o tudo e o nada, ele se constrói de imagens que não chegaram a existir. por isso, a gente aprende a caminhar sonhando, como quem desenha casas no ar e acredita que um dia poderá morar nelas.
tentamos moldar o destino como quem modela barro com mãos cansadas. às vezes a forma se sustenta. às vezes desmancha antes de secar. e quando desmancha, sobra o contorno daquilo que poderia ter sido.
“o lado ruim é que quando não acontece você cultiva a dor, porque é melhor sentir alguma coisa do que não sentir nada em relação ao que não aconteceu.”
essa dor nasce do invisível. não é a queda que machuca, é o voo que nunca houve. é o nome que não foi chamado, o encontro que ficou preso na imaginação. assim, o coração aprende a sofrer por mapas que nunca levaram a lugar algum.
mas há dias em que o destino chega cedo demais. bate à porta quando a casa interna ainda está em reforma. os sentimentos estão espalhados pelo chão, sem ordem, sem firmeza. e aquilo que poderia ficar escorre pelos dedos como água entre pedras.
então o caminho muda de dono. outro passa por ele. e você observa de longe, como quem vê alguém morar na casa que desenhou em pensamento. surgem perguntas que não pedem licença. por que não eu. o que havia de diferente. onde foi que me faltou chão. essas perguntas ecoam até que a mente constrói uma frase para descansar. não era para ser.
mas talvez essa frase seja apenas um curativo que não fecha a ferida. porque dizer que não era para ser pode aliviar o peso, mas também apaga a força. talvez não tenha sido o tempo certo. talvez você ainda estivesse aprendendo a ficar.
não é o destino que precisa ser convencido. é o espelho. é a própria imagem refletida que precisa reconhecer que pode sustentar aquilo que deseja. o que não veio ensina a postura. o que foi perdido ensina o tamanho das mãos.
como escreveu clarice lispector, “enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever.” viver é isso. escrever com passos aquilo que o coração ainda não compreendeu.
enquanto houver fôlego, o destino não está fechado. ele não é uma porta trancada. é um chão sendo desenhado sob os pés. e só você pode decidir se caminha olhando para o que faltou ou para o que ainda pode nascer.
Tô com medo de acontecer um plot twist e ter interpretado os sinais e falas da forma errada.
Mas se você fez tudo isso pra me proteger e poupar, porque pareceu tão indiferente a tudo isso?
Será que você me conhece melhor do que eu conheço você? Você sabia que eu iria continuar tentando, querendo fazer dar certo, querendo que você me quisesse.
Mas não, você já não estava gostando de outra? Não foi você quem foi me afastando? Não foi você quem disse que não imaginava a sua vida comigo?
Cara, o que é isso? Eu não acho não, eu não acho que você gostou de mim, eu servi ao seu propósito até que deixei de servir e assim como uma qlqr fui descartada de qualquer jeito.
“Você merece coisa melhor!”
Pode até ser, mas eu queria você. E eu não consigo explicar e nunca vou entender o porque você.
Queria não te amar, não ter saído de casa aquele dia, não ter amigos em comum para nos apresentar, queria que tivesse chovido, eu não saio de casa quando chove, teria poupado meu coração de se partir.
Eu queria as respostas para as perguntas que andei fazendo nesses últimos 4 anos. Sim, faz quatro anos que não escuto o som da sua voz, que nao vejo seus olhos castanhos-verdeados… E cara, como é difícil fingir que estou muito bem quando você passa do outro do lado da rua.
Tenho tantas coisas para dizer, mas de que adianta? Você não entrega nada, nenhum olhar, nenhuma careta, é só silêncio.
Hoje faço 10 anos de Tumblr! 🥳