Eu morava no norte do país e lá chove quase todos os dias. O céu de lá - por conta da chuva - fica sempre mais nublado. Durante a manhã mal da pra ver o céu direito, sol forte desde as 7h. A tarde é aquele céu alaranjado forte até o Pôr-do-sol, que sem dúvidas é um dos mais lindos que já vi. Eu, distraída que sou, sempre olhei muito para o céu desde pequena, mesmo se chovia ou não. Queria de repente pegar Deus - mais distraído que eu - desprevenido passando e enxergá-lo assim, ainda que de relance. Eu queria ter certeza que Ele existia como dizam as orações da minha bisa; ficaria mais tranquila sabendo que alguém realmente ouvia as orações dela. Depois que perdi a ingenuidade de tentar ver Deus e de me obrigar a crer em sua existência eu continuei olhando, mas durante um bom tempo em busca de um certo consolo comparando o tamanho dos meus problemas com a vastidão do céu, do Universo. Parece que se você olha muito, percebe-se muito pequeno assim como os seus problemas.
Quando vim morar em Uberlândia, cidade mais seca, estações um pouco mais definidas, passei a observar o céu ainda mais, pois fica mais limpo aqui a maior parte do tempo. Só que meu olhar dessa vez passou a ser mais de admiração, embora fosse quando eu mais precisava de ajuda. Mesmo sem pedir, sem esperar nada eu recebi muito mais do que eu pudesse querer; uma paz, algo que ainda não sei descrever. Admirar o céu é algo que eu realmente gosto de fazer e eu não tenho uma sacada no apartamento que moro neste momento, mas eu tenho os meus olhos que podem enxergar o céu através da janela simples do meu quarto. E eu sou grata por isso e por nunca me acostumar com a sua beleza. Eu sou grata por poder mover minha cabeça para cima e respirar fundo enquanto meus olhos tem o privilégio de experienciar a visão dessas cores. Talvez eu tenha visto Deus o tempo todo sem perceber. Ele pode ser esse tom lindo de rosa e também esse azul incrível. Ele pode ser o Todo: o céu, as cores, os meus olhos que vêem e essa paz que eu sinto.