calliwpe:
flashback
“pensa nisso como um charme da minha parte.” retrucou, agarrando a bolsa que deixara no banco ao lado do seu e caminhando atrás do outro pela lojinha de conveniência. “os seus pais não são tão chatos assim, vai. pelo menos eles curtiram o seu cabelo e gostam da minha pessoa, pra mim tá ótimo. nem o sat é tão difícil quanto esse teste.” jogou a brincadeira de volta para samuel, rindo nasalmente e dando uma olhada nos salgadinhos espalhados por onde estavam na loja. não era exatamente saudável fazer isso e, provavelmente, estariam saindo aos montes da dieta recomendada aos atletas, mas uma noite só não faria mal. “se você diz… todo caso, eu invento alguma coisa caso dê merda. ainda devo ter alguma credibilidade. e, por favor, pega esse porque é mil vezes melhor que aquela porcaria do sabor novo.” a menina era consideravelmente pão-dura, detestava gastar quando achava que iria se arrepender, então escolhia com muito cuidado as suas compras. franziu o cenho de leve ao escutar as palavras do ex-namorado, identificando algo no tom de sua voz que havia aprendido a reconhecer durante o tempo (dois anos) em que namoraram. e que não era exatamente uma coisa boa. callie preferiu esperar que ele terminasse de falar antes de se pronunciar, apenas maneando a cabeça como o sinal de que estava ouvindo tudo. “sam… você anda tendo problemas com a natação?” fez a pergunta, mantendo o olhar no rosto masculino para poder cuidar as expressões dele. “ei, sabe que pode falar comigo sobre essas coisas, não é? sobre tudo, na verdade. a esse ponto é meio difícil achar uma coisa que a gente nunca tenha conversado. e… bom, não vou fazer você falar sem querer nem nada, mas tô aqui.” garantiu, tocando o braço alheio de leve para mostrar a ele que estava ali, tentando transmitir segurança de alguma forma. “ah, o de sempre, o papo lá de faculdade e a chatice deles. não é nada muito uau ou novidade, só que… fica me esgotando um monte. então resolvi fazer o que eu faço de melhor: pular da janela sem ninguém ouvir na casa.” deu de ombros, tinha mesmo bastante prática naquilo. pegou um dos chocolates que estavam na prateleira ao seu lado e fez um sinal para o lim, começando a andar na direção do caixa e esperando que ele a acompanhasse.
“você tem muitos charmes” murmurou, ainda que não fosse uma mentira. por mais que calliope fosse um certificado humano para sustos, também era isso que tornava ela uma pessoa divertida de se conviver. balançou a cabeça positivamente, exibindo um sorriso curto em resposta. “o nate sempre diz algo parecido. ele é o favorito da minha mãe, você sabe. mas acho que a dona calliope deve vir logo atrás” já estava acostumado com a rigidez da matriarca, mas quando ela realmente gostava de alguém, não poupava esforços em ser extremamente carinhosa e fornecer o melhor tratamento. particularmente sempre achou que ela e callie tinham muitas coisas em comum, o que justificava o apego da mulher nela. “para de rogar praga! nada vai dar errado, confia em mim” fez um beicinho enquanto pegava o tal salgadinho apontado por ela. a expressão brincalhona, no entanto, logo desapareceu do seu rosto porque era difícil não se chatear quando pensava naquilo. haviam muitas expectativas que ele sabia desde muito cedo que jamais seria possível de cumprir. e o sentimento de culpa o massacrava mais do que qualquer outro. “não sei se problemas é a palavra certa” suspirou, mantendo a atenção em qualquer canto da loja, esquivando dos olhos curiosos de calliope. “posso falar melhor sobre isso depois.. é uma longa e confusa história. estou um pouco cansado de carregar tanta culpa nos meus ombros, para ser sincero” finalmente teve coragem de olhar nas orbes castanhas femininas, deixando sua guarda abaixar um pouco quanto ao que se passava em sua mente. confiava nela porque, lá no fundo, ela parecia entender seus problemas melhor do que ninguém. fora que o apoio incondicional era importante para sam, especialmente em um momento delicado daqueles. “e ‘tá errada? não está” deu outro sorriso, dessa vez um tanto fraco. a morena tinha a coragem que ele nunca tivera, ela levantava a voz quando tudo que samuel sabia fazer era se calar. tinha uma admiração por callie que duraria por toda a vida. já no caixa, ele tomou a responsabilidade de pagar por tudo e auxiliou o caixa a guardar os objetos nas sacolas de papel, conhecendo bem as preferências alheias sobre sustentabilidade. “você quer ir para columbia, não é? o time de natação deles é bem forte.. estava pensando em aplicar para a bolsa deles. agora o que diabos eu vou fazer na faculdade eu já não sei”











