“Você vai se decepcionar com as pessoas que mais admira. Elas vão virar as costas quando você mais precisar, acredite. Já aconteceu comigo, com sua mãe, sua vizinha, e tenho certeza de que você é a próxima. Pessoas de verdade estão cada vez mais raras. E procurar essas pessoas não é o mesmo que procurar uma roupa do seu tamanho num shopping lotado. Você até pode achar uma roupa que sirva, mas ela precisa durar a vida inteira, entende? Você vai tirar notas ruins mesmo após noites insones em cima dos cadernos e sem ter faltado a uma aula sequer daquela matéria. Sua mãe, um dia, vai chegar cansada do trabalho e dizer que você não faz por merecer a vida que tem. Vai gritar sem motivo algum e depois agir como se nada tivesse acontecido. Normal.
Também vai ter o dia em que você vai pegar seu namorado beijando sua melhor amiga enquanto você vai ao banheiro. Ah, não acredita? Pois acredite. Nesse dia você vai virar alguns drinques e fazer feio na frente de toda a cidade. Vai fingir não se importar e sentir um nó na garganta que não se desfaz por nada. No fim da noite, vai ser o momento de chorar abafando o som com o travesseiro. Mas, depois de algum tempo, você vai ficar bem, garanto.
Preciso avisar também sobre o dia em que você vai se apaixonar perdidamente por alguém e se esforçar muito para que esse alguém seja feliz ao seu lado. Vai dar seus melhores sorrisos, vestidos e versos. E, adivinha? Não vai ser valorizada. Vai insistir e desistir por dezenas de vezes, o que é natural, porque não gostamos de “deixar para lá” e sempre achamos que ainda há uma solução. Bem, sinto dizer: alguns problemas não querem ser solucionados.
Você também pode encontrar alguém que seja perfeito para você e, numa certa hora, se dar conta de que o imperfeito sempre a atraiu muito mais. Fazer o quê?
Você vai ser demitida do trabalho a que tanto se dedica, vai ouvir ofensas de quem nem te conhece, vai ser maltratada no seu restaurante favorito, vai ser despejada do apartamento, vai tomar um tombo no meio da rua, vai pintar o cabelo e se arrepender, vai quebrar o celular que nem acabou de pagar, vai ouvir desaforo da sogra, vai ficar doente e ter que ser internada, vai descobrir que aquela amiga “tão querida” nunca quis o seu bem, vai passar um feriado em casa enquanto seus amigos se divertem na praia, vai dizer um “eu te amo” e escutar apenas um “eu também”, vai descobrir que é impossível fazer sempre o certo e agradar a todos, vai perceber que erros não passam despercebidos e que as pessoas vão sempre julgar. Vai se contradizer, quebrar a cara, o coração, a alma. Mas vai entender que, no final, tudo tem um propósito.
Descobrir que somos todos estrelas. Estrelas que ao se verem sem o combustível necessário para a sua “vida” explodem em milhões de partículas. Essa explosão é violenta, drástica, mais conhecida como supernova. A morte da estrela é, na verdade, um novo início. Ela forma novas estrelas, talvez com um brilho mais fraco, mas que continuam a coexistir e a iluminar o infinito do universo. Gosto de pensar que sou uma estrela. Assim, nunca me esgotarei, mesmo após grandes explosões.”
- Isabela Freitas (Não se iluda, não)