Às vezes eu me sinto.
Como se não me sentisse.
Como se as ligações dos meus átomos
fossem erradas
e eu apenas
um grande conjunto de erros em cadeia.
— Eu gostaria de não me sentir um grande acaso.
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Às vezes eu me sinto.
Como se não me sentisse.
Como se as ligações dos meus átomos
fossem erradas
e eu apenas
um grande conjunto de erros em cadeia.
— Eu gostaria de não me sentir um grande acaso.
Exibição de Arte Moderna.
Os que me conhecem entendem que tenho certa fixação por olhos e olhares. É bem verdade que quando vi os teus a primeira vez, não consegui decifrar-te por completo.
É que às vezes, tu me pareces um quadro pós-modernista que paramos e observamos por horas num museu. Tens beleza. História para contar. Cores vibrantes te compõem. Mas não consigo decifrar a ti.
Sempre que escrevo a teu respeito lhe trato como um enigma, que me intriga e faz querer te desvendar. Porém, gostaria na verdade que tu me desvendasses, com tuas mãos e tua boca, descobrindo as obras de arte que escondo em mim.
Fazendo, assim, nossa própria exibição artística. Em que os únicos espectadores somos nós.
Hoje, eu vou escrever sobre você.
Como lhe disse, tu és particularmente difícil de se decifrar.
Entenda, eu tomei um certo tempo até que aceitasse escrever sobre ti. Não por que não lhe achasse merecedor do tempo que passo rasurando meus lápis no papel. É que sou um livro aberto, mas às vezes me fecho pra mim mesma para que eu não tenha que encarar certas coisas.
Fato é que faz alguns dias, semanas, quem sabe até meses que venho pensando sobre teus enigmas. Sabe. Teus olhos parecem-me um quebra-cabeças chinês que eu passaria horas tentando desvendar. Mas não quero adimitir.
É que às vezes a negação me é muito mais confortável do que encarar certas realidades.
E a realidade fática que está diante dos meus olhos é que tu és o enigma mais delicioso que eu gostaria de decifrar.
Você se foi, mas continua aqui. É um paradoxo estranho, pois sua parte física não aparece mais, é só o espírito das lembranças ruins que você me deixou que ainda paira sobre minha cabeça. No fim das contas, parece que há sempre sua voz sussurrando em meu ouvido certas coisas que não gostaria de ouvir. Mas não é você, por que você já partiu.
A pior parte dos traumas diz respeito a quem os sofre, é o clichê de quem apanha e quem dá o tapa, você sabe. Mas ainda me é muito estranho que te sinta tão presente e ao mesmo tempo tão longe de ti; é como se o eco das más experiências reverberasse pelos túneis da minha mente. E é ruim. Mas convenhamos que tu nunca fostes coisa boa pra mim.
Até quando partistes.
Por que restou apenas a mim mesma para juntar os pedaços nos quais você me deixou, enquanto ouço, bem lá no fundo, o eco dos meus traumas ecoando nos túneis dentro de mim.
A falta que você me faz
me traz de novo
a sensação vazia
de não existir mais.
De que estou
apenas
esperando você voltar
e me trazer de novo.
Eu achei que ela nunca fosse voltar.
Quando estávamos juntos, ela nunca estava. Às vezes aparecia brevemente enquanto tudo estava quieto, mas tratava de lhe dizer que ali não era seu lugar. Passamos noites e dias sem que nos incomodasse e você brincava dizendo que ela não tinha coragem de aparecer quando você estava por perto.
O que eu nunca lhe contei é que a sentia, pairando sobre mim, às vezes me mandando mensagens. Ela estava ali. O tempo todo.
Mas ignorávamos. Fingimos. Brincamos de sua não existência por tempo demais.
O meu erro foi usá-lo como remédio. Agora não tenho mais você.
E ela passou a deitar-se comigo todas as noites e me fazer companhia durante os dias solitários.
— A depressão tem paciência.
“Quem sabe um dia você vai notar que em cada olhar meu; cada sorriso meu; em cada verso meu; em cada canto de mim, era um pouco de você.”
Eu sou uma bricolagem da nossa história.
Faço pequenos pedidos de socorro nos meus gestos ao longo do dia. Um sorriso não tão aberto. Uma conversa deixada no ar. Uma mensagem não respondida.
Eu me prendo dentro de mim mesma para que não consiga gritar por ajuda. Mas outra parte de mim tenta desesperadamente se soltar e, num ato de rebeldia e liberdade, dizer:
– Socorro!..
Me salvem de mim.
Me sinto como um Jarro quebrado. Em fragalhos. Ainda em pé.
Mas sem utilidade.
A vitalidade se esvai como água.
Tu.
Foi olhando para os teus olhos que descobri quem você é. Entende, eu lhe retratava com muito menos magnitude do que realmente és. Como os troncos de árvores que revelam-lhe a idade, tua íris revela a ti.
Você me cheira a Outono. Me parece as noites quentes de Verão. Me acolhe como o Inverno.
E é tão bonito quanto a Primavera.
Não para de escrever não, amo seus escritos ❤
Ah! Que amor. 🖤
Me falta um pouco de inspiração. Mas acabei de escrever um texto e o Tumblr fez o favor de deletar, agora não acho em lugar nenhum. :(
Falta.
Sinto falta da tua boca,
Na minha.
Do teu cheiro,
Na cama.
Do teu corpo,
Junto do meu.
Sinto falta da tua complexidade,
Dos teus olhos
Indolentes,
Insolentes.
Sinto falta de mim, em teus braços
Dos teus traços
Do teu beijo e tuas carícias;
Sinto falta de você,
da forma mais erótica que isso possa parecer.
Escrevo para você torcendo para que nunca leias.
E nunca perceba que é muito mais para mim do que permiti lhe dizer.
O que deixastes pra mim?
Um dia conversávamos e você me perguntou o que eu deixaria em sua casa quando não nos víssemos mais.
Aqui temos dois aspectos interessantes para lidar.
O primeiro é o mais óbvio de se perceber: não éramos um para o outro. Sabemos disso. Somos diametralmente diferentes. E é engraçado continuar algo que você sabe que vai ter um fim. Você fica preso a uma condição, futura e incerta, esperando apenas o dia em que as coisas irão rolar morro abaixo.
Calhou que este dia chegou. Numa manhã ensolarada como no litoral, em que as únicas gotas de chuva que caíam eram as de minha face. É duro. A gente sabe que vai ter um final. Mas isso não quer dizer que estejamos preparados para ele.
O segundo aspecto, irônico, perceptível é que em sua casa deixei muitas coisas. Lembranças. Cheiros. Manias minhas. Uma lixeira que lhe dei no teu aniversário.
O problema é que nunca lhe perguntei isso de volta.
Você me deixou noites insones.
Medos irracionais.
Taquicardias intermináveis.
E saudade do teu olhar.
Despedida.
São seis e dez da manhã. Faz frio.
Acabei de deixar sua cama, deixando o espaço ao seu lado mais gelado que o clima atualmente. Eu não quero fazer desse texto um enigma como fiz todos os outros. Quero que seja claro e limpo como as palavras que você não me disse.
É que das muitas coisas que aprendi a interpretar, teu silêncio é uma delas. Hoje ele me foi duro nas palavras e afiado nos sons não emitidos. O teu silêncio me parece a palavra que mais me dói.
Ocorre que a única memória palpável que terei de você serão estas linhas. Pequenas e estreitas demais para demonstrarem quem você é. Incrível.
Tão incrível e de tanta magnitude que me dói lembrá-lo. De você. Do seu cachorro que passou a gostar de mim. Do teu sorriso solto nos momentos inesperados. Do teu lado na cama e de como você implicava com o fato de eu virar pro lado errado.
Tantas coisas me doem.
O mais difícil, talvez, seja acostumar com o fato de que não vou ver mais teus olhos claros e tão bonitos. Ou o sorriso que você insiste em não gostar, mas que me fez aprofundar mais e mais no teu ser. As madrugadas. Os momentos. A ida ao motel. Talvez eu sinta falta até do ciúmes de seu cachorro em relação a mim.
Inúmeras são as coisas que sentirei falta. A de uma noite quente, no aconchego do seu abraço, com certeza, é uma delas.
Eu nunca pensei que olhos tão bonitos pudessem fazer estragos tão horríveis de se olhar.
As pessoas são textos
complexos
esperando para serem lidos
ou apagados.
A vida é uma grande biblioteca.