. ✧ *・ oh meu deus, aquele ali é CHRIS WOOD?! não, não, é apenas MAVERICK SIEGHARD SAWYER WEBER, um dos participantes da seleção da princesa de whites. vindo diretamente de SONAGE e com apenas VINTE E SETE anos, o CASTA SETE é conhecido por ser ADAPTÁVEL e ESFORÇADO, mas em seus dias ruins também pode ser bastante CONVENCIDO e SISUDO. não sei se tudo o que ouvi sobre ele é verdade, mas estou ansiosa para vê-lo pelos corredores do castelo
• Antes da separação das Illéas, a dinastia Sieghard tinha nome no antigo país unificado. Pertenciam a casta dois há mais de dois séculos, o sangue da linhagem puro devido ao casamento somente com as pessoas da mesma casta e relacionamentos fechados com círculo seleto de pessoas. Eram pessoas extremamente ricas, um degrau abaixo da realeza, e muito influentes entre os seus. Os objetos de suas mansões eram ornamentados em ouro, a prataria muito antiga e conservada, e sua prole sempre surpreendia, tendo cargos superiores à seus antepassados, exaltando e ostentando o nome da família mais e mais. É claro que o reconhecimento vinha com um preço. O preconceito com as demais classes inferiores era mascarado com o dinheiro, as palavras carregadas de arrogância e soberba com mais dinheiro, e basicamente tudo era escondido com sua riqueza. Seus membros podiam ser — e eram — mais corruptos do que qualquer um em Illéa. A maioria, formada em ciências políticas, facilitava a entrada de dinheiro para os seus e aliados. Talvez a grande culpa das castas inferiores se deteriorarem gradativamente é por conta dos Sieghard e mais algumas famílias conectadas nesse esquema; onde o rico fica mais rico e o pobre fica mais pobre. É claro que você não culpá-los, porém, a realeza nada fazia para interromper toda a roubalheira, nem sua sede de poder. Se caíssem para a casta três, não seria difícil para cair mais e mais até chegarem a passar fome, como uma boa parcela de Illéa era sujeita. A prepotência se devia, principalmente, à preservação do poder aquisitivo, nunca podendo baixar a guarda para não aumentar as suspeitas acerca de suas conquistas e julgá-los. Era tudo para o bem da família.
• Assim que a guerra começou, desanexando Illéa, os Sieghard enfrentaram um sério problema com a estabilidade financeira. Moravam em Angeles, então agora pertenciam à Illéa do Sul. Tendo de arcar com desfavorecidos a cada esquina, aliados separados com as terras da Casa Whites, a família entrou em crise não muitos anos após. O sistema estava desequilibrado por completo, o reinado estúpido do rei e rainha estúpidos achavam que faziam algum bem com a separação do país, mas nada funcionava sem seus aliados, que se distribuíam em três províncias da Illéa do Norte. Era um ultraje para nomes como Sieghard, e alguém deveria tomar as devidas providências para suas riquezas não se liquidarem e irem para o ralo imediatamente. Foi o que logo aconteceu com uma das famílias aliadas do negócio, os Moreau, que também não estavam nem um pouco felizes com a decisão de seus monarcas. Foi após alguns anos que, através de contatos, acabaram encontrando a resistência rebelde dos sulistas. A essa altura do campeonato, a família não era vista como uma ameaça, tampouco bomba relógio que poderia denunciá-los. Seus membros estavam reduzidos a pessoas simples. Sem o esquema de corrupção, eram igualados ao proletariado ao passar dos anos. Todos já estavam putos e furiosos tendo como resultado de anos de trabalho sua moradia e riqueza tomadas, assim como a honra pisoteada pela classe baixa e cuspida pelo reino — eles não queriam saber de nada além deles mesmos, incendiados por um estúpido conflito entre irmãos. Apesar de não terem os mesmos ideais dos rebeldes, os Sieghard apresentavam disciplina, resultados exemplares e grande ajuda nas estratégias, saques e invasões, o que conquistara arduamente a confiança dos soldados de mais alto escalão. A família só precisava esperar um pouco mais de tempo, até que o estopim de uma guerra próxima, e oportunidade de vingança, se manifestasse.
• É inútil mentir dizendo que os Sieghard levavam boa vida na parte sul. Acharam nova morada numa antiga base militar, agora abandonada, onde os rebeldes transformaram numa fortaleza dos sulistas. Era terrível. Sempre havia comida nos refeitórios, é claro, contudo todo o terror que viviam era fazer parte daquela guerra que eles não haviam pedido, mas forçados a combater. Brigas internas nunca duravam muito, visto que o manda chuva de cada quartel possuía uma metodologia diferente para lidar com cada caso de briga e conflito. O método para dar fim à conflitos esdrúxulos do quartel 13 da base era nada mais, nada menos, que quarenta e oito horas na solitária. O encrenqueiro ficava ali com as sobras da refeição e, se tivesse sorte, um copo de suco duas vezes ao dia; sem sequer vislumbrar a luz do dia ou ter contato humano. Inundado com o incômodo da própria presença e sem ter noção alguma do tempo passando, a pessoa saía da solitária geralmente mudado, e nenhum antecedente de solitária era acrescentado na sua ficha novamente. Os Sieghard, embora sujeitos àquela humilhação com ódio correndo em suas veias, faziam o seu papel com excelência, motivados pela sede de troco contra a coroa que tomavam conta de seus pensamentos dia e noite. A guerra era trabalhada silenciosamente; grandes planos eram arquitetados com os mais inteligentes e sangue frio dos soldados, enquanto haviam embates ideológicos, fazendo o povo do sul abrir os olhos e verem que tinha algo errado. As acusações dos nortistas tinha sido como um presente para os rebeldes, reforçando sua ideia de que o governo precisaria ser derrubado. Ambos.
• A linhagem da família se estendeu até seu último herdeiro, Maverick. Foi criado com muita disciplina e sabendo o seu lugar no mundo: um linha de frente naquela guerra. Seus princípios foram cuidadosamente moldados por entes queridos, agora não tão saudáveis, que tiveram de se afastar temporariamente. Ficou sozinho na base com vários amigos, era popular no quartel, para ser sincero. Não era de se esperar que viesse um raio de sol dos Sieghard. Após a integração na resistência sulista, seus membros ficaram conhecidos internamente por serem os linhas de frente nos ataques que faziam, e nenhum deles ficara encarregado de ser os estrategistas, não, eles tinham força e determinação demais para serem colocados de escanteio; eles possuíam sangue frio suficiente para encarar a morte e ser capaz de matar em nome da rebelião. Foi com essa ideologia que Maverick fora criado, e fora nessa base militar que ele cresceu. Nenhum dos líderes privavam as crianças da devida infância, mas os Sieghard estavam tão absortos só com a possibilidade de poder se vingar de toda aquela humilhação que, então, desde pequeno, Maverick foi instruído com técnicas de combate e o ideal de honrar a sua família. Foi então que, num solstício de inverno, num embate contra a guarda real, houve sério revide e alguns soldados não tiveram a chance de sobreviverem. Infelizmente, para Maverick, dois dos mortos eram os seus pais.
• Dois quartéis foram promovidos a uma academia exclusiva para voluntários que queriam fazer parte da linha de frente e enfrentar o inimigo para proteger os seus, mas é claro que não tinha muitos recursos. O que mais se treinava era com balas de madeira e armas brancas feitas a mão. Apesar da falta de recursos, os voluntários poderiam se exibir dizendo que poderiam ser até mais treinados que a guarda real, porque suas motivações não eram poucas e a concentração invejável. Maverick, entretanto, fora um dos primeiros da classe. Órfão, agora comportava nenhum remorso em si, afinal, não tinha mais nada a perder. Ainda que houvessem julgamentos acerca de seus pais pela dura infância que tivera — se é que ele tivera uma, como corria boatos —, ele adorava e era extremamente próximo de sua mãe. Era a pessoa da qual ele se curvava e tratava como rainha, uma laço muito forte, tanto que numa discussão dele e de seu pai — eles não se davam bem — ela sugeriu que saísse da academia por julgar ser muito perigoso. A casa naquele dia ficou mórbida após Maverick ser jogado no seu quarto e ele escutar alguns gritos e barulhos vindo da cozinha, e desde então nunca se ouviu palavra contrária sobre a academia. Seu pai, por outro lado, via nele um guerreira que os traria a glória de volta para a casa Sieghard e o incentivava a sempre continuar, mesmo que ele próprio tivesse suas dúvidas. Felizmente ou não, Maverick acabou se tornando o que seu pai sempre quis que ele fosse. Forte, implacável e totalmente disposto a seguir a voz da rebelião. Anos depois, após a morte dos progenitores, Maverick descartou a ‘missão de vida’ que era honrar o nome da família, e então se concentrara em ajudar seus colegas sulistas, que identificara sendo o mais próximo de família que um dia tivera — não que valesse o vociferar daquilo, entretanto.
• A notícia da sua seleção não foi uma surpresa como ele imaginou ser para o restante dos rapazes e moças das Illéas, visto que só ele e mais alguns rapazes entregaram os formulários para o departamento, com a intenção de ser selecionado e colocar o plano da rebelião nos eixos, e, consequentemente, os países também. Seu nome, porém, agora era Sawyer Weber; vinha de uma família fazendeira de Sonage, sendo vítima do sistema de castas que os classificavam como quatros, e, por conta disso acabou tendo que viver como um esfarrapado durante boa parte da sua vida. Sem ensino médio, tampouco sofisticado vocabulário, o rapaz faz o que pode para ajudar os pais.