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@selwynlacy
matthewfortescue:
Bem, Salacia, eu recebi um puxão de orelha do meu chefe e isso é muito raro de acontecer, já que sempre fiz meu trabalho direito. Eu também sempre ensinei nossos residentes a fazerem o mesmo, já que eu prefiro evitar conflitos. Mas tem coisas que chegam aos nossos ouvidos que nós precisamos falar, senão vocês podem passar vergonha na frente de outras pessoas e isso podemos evitar.
Enfim, eu falo por nós healers e nós temos formas de lidar com os pacientes e com seus familiares e de maneira alguma devemos ser insensíveis ou grosseiros com eles. O que eles estão passando nem sempre é fácil. E eu sei que algumas vezes nós estamos de saco cheio, cansados, derrotados com tudo o que aconteceu no dia, mas isso não é justificativa nenhuma para tratar qualquer um deles assim, mesmo que eles sejam grosseiros com a gente. E acredite isso vai acontecer muitas vezes, comigo acontece até hoje. A forma como você lidou com aquela mãe desesperada não foi certa e não é a primeira vez que eu escuto reclamação sua por ser insensível ou grosseira com os pacientes. Saiba que se você continuar tratando eles assim, eu vou ser sincero em poucas palavras, mas… Você não serve para ser uma healer, eu sugiro até mesmo que procure uma outra profissão.
Puxão de orelha? Não consigo imaginar isso acontecendo, sempre é um dos mais elogiados daqui.
Eu fui insensível? Pelo que me lembre, apenas fui sincera e respondi as perguntas daquela mulher com honestidade, o outro residente estava mentindo para ela e fazendo promessas que não tínhamos certeza de que poderíamos cumprir. Que eu saiba isso é uma quebra grave no nosso juramento, mentiras e promessas vazias. E, com todo o respeito, não acho que você, sr. Fortescue, seja apropriado para me dizer se eu sirvo ou não para esta profissão.
matthewfortescue:
Não tem necessidade de me chamar de senhor, Matt está bom, somos colegas de profissão e acho que aqui podemos esquecer um pouco dessas formalidades.
Salacia, certo? Não se preocupe, não vou me estender muito. Mas me diga foi você quem atendeu aquela criança que se acidentou com uma vassoura ontem, certo?
Tudo bem, Matthew. Sem formalidades, se assim deseja. Sim, sou eu, Salacia Selwyn, prazer. É, eu fui. Uma das, na verdade, tinha um responsável mas eu esqueci o nome dele. Algum problema com ele?
Precisa de alguma coisa Mat... Quer dizer, senhor? Tenho rondas daqui a pouco então não tenho muito tempo.
Alice Englert
Stuck on you || Satthew {Flashback March 78; Plot Twist}
Salacia não tinha muita certeza se ter escapado daquele jantar fora uma boa ideia. Prometera durante dois meses inteiros que compareceria àquilo, sabia o quanto era importante para a mãe sua presença naquele tipo de coisa para que ela não precisasse comparecer sozinha, e até mesmo aproveitava para se exibir quando ia a tais eventos, mas não exatamente gostava deles. Gostava da atenção e gostava de fingir ser alguém importante enquanto todas aquelas pessoas ricas negociavam coisas em trocas de sorrisos e palavras, mas quando a noite acabava ela voltava a ser apenas quem era, uma garota vazia. Mas não deixava que isso a impedisse de comparecer de forma alguma, sabia que sua presença era importante e alteraria todo o curso de seu futuro, mesmo tendo plena consciência que Bridgite apenas a queria nessas coisas para tentar arranjar-lhe um noivo. Lacy não se importava. Tinham um trato, e ela sabia que a mãe não tentaria burlá-lo. Confiava no julgamento da filha mais do que no próprio, já que a garota era muito menos propensa a cometer erros como o que ela própria cometera um dia. Mas aquele jantar em especial estava sufocando a garota mais que todos os outros a que comparecera, e não conseguira ficar mais que meia hora no lugar. Não conseguia concentrar seus pensamentos em dizer para aqueles homens ricos e esnobes as vantagens de lhe dar um estágio importante no Ministério quando ainda não havia se esquecido do dia que passara no St. Mungo’s, e nem era pelo trabalho, que ela nem sequer fizera a fazer pois passara a maior parte do tempo em uma maca. Mas preferia desviar seus pensamentos de tudo aquilo.
Enquanto caminhava por entre os rostos felizes no festival, quase se arrependeu por ter fugido. Não era como se tivesse literalmente se esgueirado para fora sorrateiramente e aparatado escondida, apenas dissera para a mãe que não queria ficar ali e ela entendera. Sempre fora um exemplo de filha e nunca a decepcionara ao comparecer a esse tipo de coisa, a mulher não a negaria aquele prazer. Por isso se despedira de algumas poucas pessoas e saíra, mas agora não sabia exatamente o que fazia ali. Ouvira seus colegas se entusiasmarem durante um mês inteiro por causa daquele festival e tudo o que conseguira fazer fora revirar os olhos perante sua estupidez, mas no fundo sentia inveja por eles terem algo com que se entusiasmarem. Mas agora que estava ali conferindo o motivo para tanta animação, quase pensou em voltar para a mansão dos Mulciber. Mas lembrar-se daqueles velhos se aproximando para tentar lhe vender seus filhos a deixou enojada, por isso voltou a andar rapidamente, tentando rapidamente se animar com o fato de estar ali. Algumas pessoas a lançavam olhares estranhos por causa do longo vestido cinza prateado com detalhes de pedraria verde, mas ela apenas as ignorou. Não perderia seu tempo indo até o castelo apenas para trocas de roupa, pois desconfiava que se o fizesse não teria ânimo para voltar.
O que se fazia em um Festival? Salacia não fazia a mínima ideia. Sempre achara que aquele tipo de coisa era algo extremamente trouxa e nunca imaginara que aconteceria no mundo bruxo, por isso ficara surpresa quando ouvira que haveria um bem ali em Hogsmead. E ficara ainda mais surpresa com a quantidade de pessoas entusiasmadas com isso. Mas ainda não entendia exatamente qual era o ponto de todas aquelas pessoas aglomeradas ali, mas também não se dava ao trabalho de reclamar. Mesmo se aquilo fosse algo comum no mundo bruxo ela não saberia, fora criada em uma casa fria demais para esse tipo de coisa, então apenas se contentou em caminhar. Não corria o risco de ser parada por alguém para conversar pois ninguém da escola se daria ao trabalho de pará-la para conversar pois as pessoas não apreciavam muito sua companhia e nem sua pessoa em si, mas também não se incomodava. Não gostava de noventa e nove por cento das pessoas em Hogwarts e não colocaria a mão no fogo por nenhuma delas também, então não havia problema em apenas ignorá-las enquanto era ignorada. Mas enquanto passava seus olhos pela multidão detectou um movimento que não podia ser ignorado. Matthew. Ela reconheceria as feições do mais velho em qualquer lugar, mesmo que apenas as tivesse visto uma vez. Pensou em apenas desviar-se e seguir seu caminho fingindo não tê-lo visto, mas se o fizesse estaria agindo como criança, e Lacy nunca agia como criança. E é claro, Matthew já a vira. Então ela apenas andou despreocupadamente na sua direção, não sabendo exatamente como ele reagiria à sua presença, e pela primeira vez em sua vida se sentia preocupada com isso.
Claro que sim! Estou tentando entrar nesse assunto desde que você voltou desse estágio, e em nenhum momento reclamou dele. O que é novidade vindo de você. Boba? Honey, estou esperando isso de você desde que você sentou ao meu lado naquela manhã chuvosa na aula do Sr Binns, e murmurou baixo “Por favor, não esteja sorrindo são nove horas da manhã ainda.” Dr Fortescue, então é o nome dele? Um doutor? Ele deve ser bem mais velho. E eu aqui pensando que tinha me dado bem por causa do seu primo, alias, tudo bem, eu falar sobre ter ficado com seu primo nas férias? Não deve ter significado nada para ele mesmo, apesar dele definitivamente ter que comprar uma nova mesa.
Ele não perguntou de mim, não é? Claro que não ele é um idiota, e eu não deveria ficar me iludindo dessa forma.
Está? Você sabe como eu sou para essas coisas, não é como se estivesse acostumada a ficar conversando sobre esse tipo de coisa. Não teria o que reclamar, foi muito mais proveitoso do que eu poderia imaginar. Eu só... Tudo bem, mas se você rir, nunca mais falo sobre esse tipo de coisa na minha vida, eu juro. Ele era... Diferente. Você sabe a minha opinião sobre esses moleques aqui de Hogwarts, completamente infantis e sem um mínimo de cérebro para se agarrar. Mas esse cara... Ele era diferente. Além de ser mais velho, claro, ele tinha essa pose de quem já viveu coisas, sentiu coisas, que outras pessoas nunca tiveram a oportunidade. E... Tudo bem, não faça um escândalo. Nós nos beijamos. Foi estranho porque, você sabe, bem, eu... Nunca tinha beijado ninguém. Agora nós fingimos que eu nunca falei nada disso, okay? Okay.
Quem, o Benjamin? Nah, eu não me importo com ele. Nem ele comigo, pra ser sincera. Pode falar o que quiser, eu não ligo. Você sempre fala, de qualquer forma. Não perguntou, e você não precisa disso também. É uma mulher forte e independente, os homens idiotas que vão para o inferno. Mesa nova? O que quer diz... Ah Autumn, imagens desagradáveis preenchendo a minha mente agora, que nojo.
Eu sei que não, mas isso é diferente. Não tem nada relacionado com seu sobrenome e tudo mais, mas sua reputação como healer. Se souberem que você anda dando umas amassos pelo hospital, com um dos outros healers mais velhos, pode causar uma má impressão ou sei lá o que. Eu me importo com você o suficiente e não quero que isso aconteça.
Exatamente, não tem nada a ver com o meu sobrenome, isso não é fantástico? Mas tudo bem, talvez tenha razão, de novo. Não ligo para as más impressões que eles podem ter, mas se você pensa assim, talvez devêssemos ir mais devagar. Então, alguma coisa interessante no seu dia hoje?
Não seja boba. Eu te contei tudo sobre meu estágio no escritório do meu pai. Lá era cercado de bruxos estrangeiros, aposto que até eu teria conseguido um noivo como minha grand-mère queria. Agora quero seus detalhes sórdidos. Vou encontrar um marido no hospital como poderia ter encontrando no Ministério?
Ah você quer falar dos homens? Autumn, você sabe que eu não... Tudo bem, prometi que não mentiria pra você. Teve um healer que tratou da minha perna machucada, Dr. Fortescue. Ele com certeza não seria um bom material pra noivo como mamãe espera, família mestiça e tudo o mais. Mas... Nada, você vai me achar boba. De qualquer forma, acredito que você encontre sim, lá está cheio de bons partidos.
Eu acho que deveríamos parar com isso. As pessoas falam e você ainda está em seu primeiro ano aqui, ficar entrando e saindo de armários de suprimentos não me parece ser sempre uma boa ideia para criar uma reputação por aqui.
Você sabe que eu não ligo para o que as pessoas dizem, Matthew. É a primeira vez em que estou em algum lugar que as pessoas não me vêem apenas por causa do meu sobrenome, então não ligo para o que pensam ou falem sobre mim, principalmente se for por algo que eu realmente mereça. Não é como se não gostasse, anyway.
Passamos dias e dias falando sobre o que você aparendeu no seu estágio, e você sabe o quanto eu estou sendo grata por estar repassando comigo agora que eu decidi realmente focar nessa careira, mas acho que nunca conversamos sobre o que você realmente aprendeu lá. Vamos, estamos precisando de uma pausa de cinco minutos.
Achei que quisesse saber mais sobre como é estar no hospital na prática. É realmente emocionante, tenho certeza que vai amar. Enquanto eu estarei no Ministério... Acho que não estou entendendo o que você quer dizer com isso, eu te dei todos os detalhes do trabalho.
make myself disappear(snap my fingers) get myself outta here | Autumn & Lacy
Uma das coisas que a lufana menos suportava era acordar cedo. A dificuldade para se despertar era tanta que a loira deixava sua janela aberta para a claridade incomodá-la a ponto de fazê-la levantar. O problema era que ultimamente o sol não fazia-se presente em Hogwarts. Aparentemente não estavam tendo os dois mais ensolarados possíveis, e Autumn amava o calor. A forma como o sol aquecia suas bochechas e fazia com que ela facilmente conseguisse inclinasse sua cabeça para simplesmente se aquecer. Era uma das melhores sensações para a garota. Aquela sensação fazia com que toda a energia negativa que pudesse ter acumulado no corpo fosse embora de uma única vez. Porém, os últimos dias estavam todos fechados, e junto com isso Autumn sentia-se desanimada para as aulas. Haviam tantas coisas em sua cabeça, e ela queria tanto que o ano acabasse. Ela queria ser capaz de fazer alguma coisa. Por muito tempo a garota não sabia como queria prosseguir após Hogwarts. Mesmo naquele ano ela ainda não havia se decidido o que faria, até mesmo havia considerado se candidatar para um estágio no Ministério, mas depois de tudo que havia ocorrido as coisas estavam muito mais claras em sua mente.
Desde o acidente no acampamento, e a forma como teve que agir na adrenalina do momento. O nervoso que sentia em seu corpo por não ter feito uma decisão já havia ido embora, e Autumn estava confortável estudando durante todas as tardes para tentar conseguir alguma vaga de trainee quando saísse do castelo. Pensando em seu futuro, e lembrando de seus objetivos Autumn levantou correndo sabendo que estava atrasada. Afinal, o sol não havia aparecido para acordá-la. As vestes como sempre encontravam-se jogadas ao redor de sua cama. Autumn não era uma garota organizada. Ela definitivamente era do tipo que tacava todas as roupas e saia correndo para o chuveiro, e nem mesmo se incomodava em ajeitar. Somente quando separava as mesmas para lavar que guardava ou ajeitava. Ou quanto das meninas pediam, pois nem todos eram obrigados a serem bagunceiros como ela. Lembrava-se de como sua grand-mère reclamava sobre o quanto ela não conseguiria arranjar um noivo dessa forma.
Arranjou um prendedor e enquanto ajeitava suas meias correu para as escadas tentando chegar um pouco adiantada. O problema de Autumn, sem dúvidas, apesar de estar determinada e fazer de tudo para se tornar merecedora de uma vaga em qualquer hospital era como sempre sua curiosidade. Seus colegas sempre falavam que a menina qualquer dia se meteria em grandes problemas por conta disso, e mesmo sabendo que em grande parte era verdade a garota não conseguiu controlar seu impulso ao ver uma garota com os trajes da sonserina escapando da aula. Nem mesmo precisava pensar muito bem para ver quem era. Autumn sempre fora do tipo que gostava de entender pessoas problemáticas. Sem dúvidas Salácia era uma dessas. Sempre calada, nunca rodeada de pessoas. Era o tipo de pessoa que sem dúvida Autumn se interessaria. Não imaginava ter uma amizade com a garota, mas as coisas nunca ocorrem como se planeja. Autumn poderia assumir que eram amigas, pelo menos, era o mais próximo que a garota da sonserina poderia ter uma. Autumn não conseguia deixar de falar conselhos e tentar fazer Lacy se enturmar, mas ainda assim a mesma preferia seu silencio, e Autumn respeitava isso.
O problema era que como amiga Autumn também não a deixaria andando sozinha pelos corredores de Hogwarts esperando por ser pega. Então aproximou-se da mesma sussurrando. “Onde estamos indo dessa vez?” Sabia que poderia assustar a garota por isso deu um sorriso pequeno para a mesma para acalmá-la.
Durante toda a sua vida, Lacy sempre foi ensinada a ser a garota perfeita. A filha perfeita. A dama perfeita. A aluna perfeita. Sempre que sua mãe olhava em sua direção, dava para ver que a mulher estava analisando cada centímetro da filha para ver se encontrava a perfeição, e ela não sabia dizer o que a mulher encontrava. Tinha plena consciência de que era extremamente rígida consigo mesma e seu comportamento, mas aquilo não tinha nada a ver com Bridgite ou suas cobranças para com a filha. Tinha a ver com a própria Salacia e a pessoa que ela queria ser. Se desse alguma importância para as cobranças da mãe, talvez nunca tivesse entrado para o time de quadribol, e ela não conseguia se imaginar fazendo outra coisa para gastar toda a sua energia acumulada em consequência de evitar ao máximo qualquer contato social na escola. Se desse qualquer importância para a opinião mãe, talvez nunca tivesse aceitado comparecer ao tal estágio no St. Mungus que o pai a mandara nas férias, e então teria perdido de conhecer o único homem que algum dia atraíra sua real atenção em toda a sua vida. E é claro, se desse a mínima importância para as palavras da mãe, talvez não estivesse duvidando destas tão intensamente como estava. Desde pequena sempre soube que a mulher a escondia algo, mas conforme crescia mais tinha certeza de que era a sua paternidade que estava em jogo, o que a enfurecia e amedrontava ao mesmo tempo. Não tinha problema com nascidos trouxas e afins, apesar de ter sofrido quase uma lavagem cerebral para odiá-los. Mas a ideia meramente remota de não ser uma sangue puro colocava em cheque tudo o que Lacy um dia acreditara ou pensara acreditar, derrubando seu mundo perfeito precariamente construído e o transformando em um milhão de pedacinhos. Ela não queria pensar naquilo, mas a ideia continuava a cutucar o fundo de sua mente, a causando arrepios.
Por isso ela resolveu matar aquela aula. Em partes porque sentia uma vontade enorme de desafiar algo, alguém, qualquer coisa que fosse, e naquele momento a única opção a sua frente era desafiar o sistema escolar. E em partes porque, entre a lembrança do que acontecera nas férias com aquele healer que capturara sua atenção e o constante pensamento de que sua mãe possivelmente mentira para ela a vida inteira, a Selwyn simplesmente não conseguia se concentrar em praticamente nada que não tivesse a ver com uma goles embaixo de seu braço pronta para ser arremessada na direção do gol. Seu plano era ir fazer exatamente isso, mas na metade do caminho acabou por perder a vontade e simplesmente se viu vagando pelo castelo, sem nenhum caminho em vista a não ser seu próprio dormitório, mas voltar para aquele lugar estava fora de cogitação para a morena. Se havia um grupo de pessoas que suportava menos em todo o castelo, este era os seus companheiros de casa. Nunca tivera dúvidas que a Sonserina era a sua casa tanto quanto a mansão Selwyn, até mais se levasse em consideração que se sentia muito mais confortável no castelo do que em sua casa, mas ao ser colocada em contato com seus colegas ela se perguntava realmente se estava no lugar certo, mesmo sabendo no fundo que se sentiria da mesma forma estando em qualquer outra casa de Hogwarts. Ela não os suportava, por isso evitava o máximo que lhe era possível se aproximar daquele lugar quando não era estritamente necessário.
Sendo assim, só lhe restava um lugar para se esconder das pessoas, mesmo que não fosse exatamente um lugar escondido, já que qualquer um poderia incomodá-la ali. Mas diferentemente das poucas vezes em que ela erroneamente escolhia se sentar no Salão Comunal da Sonserina, naquele lugar em específico eles raramente o faziam, o que ela agradecia imensamente. Pelo menos uma coisa podia dizer que as pessoas aprenderam naqueles sete anos que ela estava ali. Não se considerava nem um pouco perigosa, mas possuía um olhar que afastava qualquer um de sua frente quando queria ficar sozinha, e sabia utilizá-lo muito bem. Qualquer um, exceto uma pessoa. Autumn Tremblay era insistente de uma forma que Lacy raramente vira em sua vida, mas diferentemente das outras pessoas, aquela insistência alegre e ligeiramente irritante não a incomodava. Pelo contrário, para a surpresa de qualquer um que a conhecesse ela até mesmo aproveitava a companhia da lufana, sendo contagiada pelo seu bom humor e até mesmo podendo chamá-la de amiga, mesmo que não tivesse sido ensinada a demonstrar isso da forma correta, deixando parecer que ela era fria com a menina como era com as outras pessoas. Não era sua intenção, e sabia que ela percebia isso. – Nós eu não sei, mas eu estou indo me esconder nos jardins. – falou em seu usual tom de voz baixo. – Não consigo mais suportar aquelas aulas. Espero que esse ano acabe logo. – disse, mas nem sequer sabia se dizia a verdade. A realidade era que não fazia ideia do que iria fazer ao terminar a escola. Poderia seguir o que fora levada a acreditar sua vida inteira, que ela tinha um potencial enorme para se tornar importante no Ministério e até mesmo chegar a algum cargo importante um dia. Ou poderia seguir seus próprios impulsos egoístas e voltar para o único lugar onde podia se imaginar trabalhando, e onde provavelmente encontraria um belo homem de olhos castanhos a sua espera. Não que Matthew fosse totalmente o motivo para ela considerar cada vez mais o St. Mungus como seu futuro, mas não podia negar que ele tinha sua influência nisso. O pensamento fez com que um quase sorriso tomasse conta de seus lábios, e esperava que Autumn não o tivesse notado.
The bitterness of the blood || Letter to Bridgite Selwyn
Mãe,
Não sei se você vai receber ou ler essa carta. Não sei o que você vai fazer com ela e nem se vai sequer fazer alguma coisa Não sei se você vai reagir bem, mal, ou dessa forma estranha como você sempre reage, mas se estou escrevendo é porque eu preciso falar com você, então seria educado me enviar uma resposta. Você sempre me ensinou que educação é a qualidade número um de uma dama, e apesar de eu achar que esta é na verdade a superioridade natural feminina, você deveria ao menos tentar pelo menos uma vez na vida agir de acordo com as coisas que tenta me ensinar. Já que honestidade é uma coisa que foi jogada fora a muito tempo, não é?
Eu sei que eu não deveria te pressionar. Você vem de uma família purista assim como eu, e assim como eu é destinada a não ter falhas. A ser uma mulher perfeita, uma dama perfeita, uma filha perfeita, uma mãe perfeita, uma esposa perfeita. Eu sei disso. Apesar de tudo, eu também sou criada nisso, e ainda quero mais, me pressiono a ser mais, muito mais. Muito mais do que as pessoas esperam, muito mais do que qualquer um poderia imaginar que algum dia eu viria a me tornar. Eu quero ser a melhor das melhores, e mesmo que ainda não tenha descoberto como conseguir isso, tenho esse objetivo cravado em mim. A única certeza que tenho é que, para ser a melhor, eu devo começar sendo melhor que você, mãe. Este é o primeiro passo para eu me tornar algo que sempre sonhei, mas não apenas porque eu quero. Mas porque eu preciso. Talvez tenha sido uma consequência dessa criação a que vocês me submeteram, essa pressão para ser perfeita em tudo e essa constante observação para ver se eu estou me esforçando para que tudo saia como vocês querem que saia, mas eu tenho isso comigo e não acho que tenha apenas adquirido por culpa sua ou de nossa família. Essa sou, e eu serei melhor que você, sabe por que? Porque dizem que nós aprendemos com os erros dos nossos pais, e eu planejo fazer isso melhor que qualquer um nesse mundo.
Ah mãe, você deveria ter aprendido aquilo que tanto tenta me ensinar. Pensa que eu não percebo todos os dias a sua luta para tentar me mostrar algo em que você não acredita? Você tenta me mostrar que mulheres devem se submeter aos seus maridos, mas toda vez que Liam lhe levanta a voz você segura todos os ossos de seu corpo para não gritar com ele de volta? Você acha que eu vou mesmo acreditar e aceitar que uma boa dama não deve jogar quadribol e nem se aliar a competições inúteis quando você tem uma caixa trancada cheia de fotos e cartas de colecionador dos Monstrose Magpies? Será que deveria eu deixar de ser boba e parar com esse trato de só procurar um noivo depois do fim da escola, se você mesma tenta esconder o sorriso de contentamento ao saber que eu não precisarei me prender a homem algum enquanto isso? Mãe, você sempre me disse que a hipocrisia era uma coisa ridícula e imatura, mas você tenta me ensinar coisas das quais nunca aprendeu e tenta me convencer de coisas das quais você não acredita, e ainda quer que eu não a considere fraca por isso. Me desculpe, mas você é. Porém o principal motivo para isso não é nenhuma dessas coisas, e sim aquela que você sempre chama de o pior defeito do seu humano: a mentira. Sei que eu não devia falar isso em uma carta, mas eu não consegui olhar nos seus olhos para dizer algo assim, talvez eu também seja fraca, afinal. Não estou aqui para te ameaçar com esse segredo, apenas não pude mais segurar essas palavras dentro de mim. Eu preciso saber, e preciso que você saiba disso a próxima vez que nos encontrarmos.
Com amor,
Salacia
I don't seem to be having any effect now, falling all over the place || Satthew {Flashback Summer}
Se qualquer um olhasse para a face de Salacia Selwyn, não seria capaz de adivinhar o que se passava na mente da jovem. Não saberia dizer por que e nem como aprendera aquela arte, mas era capaz de esconder todas as suas mais profundas emoções embaixo de uma grossa camada de apatia que era expressada através de sua expressão neutra, ligeiramente desafiadora e o tempo inteiro aparentando estar entediada, o que na maior parte do tempo era verdade. Sempre fora assim, e até mesmo quem a conhecia bem como sua mãe não era capaz de atravessar aquela barreira se ela não desejasse que o fizesse. Seu rosto era simplesmente inexpressivo e na maior parte do tempo era impossível concluir qualquer coisa sobre ela através dele. Por isso, naquele momento, enquanto ela caminhava na direção do St. Mungus, ninguém jamais poderia adivinhar como ela realmente se sentia, mas um misto de raiva e excitação se movia pelo sangue de Lacy, fazendo com que ela acelerasse o passo de uma forma quase expressiva, mas ainda assim quem nunca tivesse convivido com ela não notaria o sinal que aquilo escondia, e a única certeza que a garota tinha era que não conhecia absolutamente ninguém ali. Em partes sentia raiva por estar, mais uma vez, sendo usada como boneca de exibição por sua família. Era sempre assim. Sempre ela devia fazer o papel de a sorridente Selwyn nos banquetes, a garota que devia apertar as mãos de todas as pessoas e dançar com todos os rapazes. Ela devia exibir sua opinião decidida sobre o purismo do sangue, mostrando que era mais que um rosto bonito, como também tinha uma boa mente. Ela devia comparecer a todos os eventos, sorrir de maneira falsa e nunca se mostrar entediada, mesmo quando era mandada para estágios fajutos porque seu pai devia um favor a um dos coordenadores do hospital bruxo.
Ela sabia que nada ali iria realmente ajudá-la em seu futuro ou acrescentar algo ao seu currículo, aquilo era apenas uma farsa, algo para o nome Selwyn ficar bem visto. Porém havia o outro lado da moeda. Como ela se sentia toda vez que era obrigada a entrar naquele lugar. Não sabia se era a correria dos healers ou a sensação de que poderia fazer algo por aqueles pacientes que ela via deixar o lugar sem uma solução para seus problemas, mas algo ali a fascinava e a atraía mais do que era capaz de admitir para alguém. E não o faria. Desde pequena sempre soube qual era o seu destino: o Ministério da Magia. Ela sempre se esforçara não apenas para ter notas que chamassem a atenção dos professores, mas também para conseguir bons contatos nos eventos que ia por obrigação, contatos que no futuro poderiam ajudá-la a subir rapidamente de cargo se ela fosse esperta o suficiente para utilizá-los sabiamente. Lutava com unhas e dentes para conseguir aquilo que queria e tinha a certeza de que seu lugar era no poder, à frente das pessoas, mandando nelas. Porém seu coração continuava a tentar enganá-la e levá-la para um lugar incerto aonde ela sabia que jamais teria real poder a não ser o de salvar vidas. No fundo Salacia sabia que aquele poder se sobressaía acima de qualquer outro, porém continuava a enganar a si mesma se convencendo do contrário, e por isso focou apenas na raiva que sentia por ter sido obrigada a ir até aquele lugar, tentando esquecer e trancar a sete chaves no fundo de sua mente o que realmente sentia por estar ali naquele momento, que na verdade era uma grande euforia.
Ela não era de ficar nervosa, porém, naquele momento, começava a se sentir. Não sabia a quem procurar ao chegar no local, por isso apenas daria seu nome na recepção e esperaria ser atendida por alguém que não fosse entediante o suficiente para fazê-la querer sair correndo dali antes do horário do almoço. Porém, ao pensar nisso, tudo o que conseguiu sentir foi fome. Não poderia ser culpada por ir até a cafeteria comprar algo para comer, quem quer que fosse que continuasse por esperá-la para o estágio, ela não pedira para estar ali em primeiro lugar. Então apenas pegou o elevador e seguiu o caminho já conhecido em busca de algo para comer. Não era para ser uma tarefa difícil se ela não estivesse ligeiramente mais distraída que o normal (visto que Lacy raramente se sentia distraída, mas aquela era uma ocasião a parte), porém isso se mostrou um desafio cheio de obstáculos, ainda mais tendo alguém – provavelmente algum healer na pressa de ir atrás de alguma emergência – deixado uma faca tão na beirada da mesa aonde a Selwyn viria a tropeçar. A calça que usava pouco fez na hora de protegê-la contra a lâmina, que cortou a sua pele e a fez cair no chão, gritando de dor. Talvez houvesse pessoas ao seu redor, talvez ela estivesse sozinha, mas tudo o que Lacy podia enxergar naquele momento era sangue.