Como eu deveria começar essa carta? Com um ‘Oi, Cris’? Um 'Oi, Titiano’, talvez? Não sei. Você nem vai lê-la, mas eu preciso colocar pra fora - ou tentar - um pouco do que eu estou sentindo.
Antes de tudo, quero dizer que ainda não acredito. Não sei se um dia vou acreditar. Parece que isso tudo foi um pesadelo, e você está aqui ainda. Fazendo shows, compondo e alegrando as pessoas. As vezes me pego pensando qual o próximo programa de tv que você estará, e quando me dou conta de que você nunca mais estará em um, a dor me atinge em cheio. Nesses minutos em que me dou conta da realidade, a angústia e a tristeza que sinto são tão grandes que me assusta. Cris, não quero que a minha ficha caia nunca. Quero viver pra sempre nessa realidade paralela onde você aida está aqui.
Em alguns momentos eu me revoltei com Deus. Você sempre foi um homem religioso, e provavelmente não gostaria nada disso. Então, me desculpe, Cris. Mas tente entender o meu lado também. Eu estava brava com Deus sim, e embora não seja algo que eu me orgulhe, a raiva ainda é melhor do que a dor, e eu estava satisfeita por tê-la. Cris, eu estava furiosa. Como pôde Deus tirar a vida de duas pessoas tão jovens? Que tipo de Deus é esse que tira uma jovem de 19 anos de pais que já haviam perdido outro filho? Que tipo de Deus que tira a vida de um filho, um irmão, um ídolo? Que tipo de Deus é esse que tira a vida de um pai de duas crianças pequenas? Eu me fazia essas perguntas com uma ira intensa. Cris, quando eu vi seu pai no seu enterro, eu desabei. Eu tinha vontade de gritar aos quatro ventos que se existisse mesmo um Deus, ele era injusto.
Mas então, Cris, como num clique, minha mente se clareou. Eu comecei a pensar em tudo que você representou nesses 4 anos de presença constante nas vidas de milhões de pessoas, e em tudo que sempre ouvimos que você representou nos outros 25 anos. Você foi um ótimo filho, realizou o sonho do seu pai e deu uma vida melhor para sua mãe. Você foi um ótimo irmão, um ótimo amigo. Você foi um ótimo pai para duas crianças que não vão ter o privilegio de crescer ao seu lado, mas com certeza vão ter orgulho do pai que teve. Você foi um ótimo ídolo. E sempre será. Suas músicas embalaram momentos de milhões de pessoas. Cris, você fez parte - e continuará fazendo - da vida das pessoas, e talvez nem tenha se dado conta do quão verdadeiro isso é. Suas músicas embalaram romances, términos, dor de cotovelo, ou até só pegação. Suas músicas embalaram festas, churrascos de família, momentos únicos nas vidas das pessoas. Isso nunca se apagará.
Então, eu finalmente entendi. Se eu fosse Deus eu também iria querer você ao meu lado. Cris, o que temos pra hoje e pra sempre é saudade. Mas estou aprendendo a parar de lamentar pelo tempo que você não terá, e começando a agradecer pelo tempo que você teve. Você realizou seu sonho, o sonho do seu pai. Você teve dois filhos lindos, encontrou o amor verdadeiro e foi amado por milhões de fãs. Também parei de lamentar o tempo que não terei como fã. Eu ainda me lembro daquele dia 4 anos atrás, quando na escola uma amiga me mostrou a música Efeitos e eu imediatamente me apaixonei, e desde então acompanho você. 4 anos, Cris. Quatro anos é mais do que qualquer pessoa que não teve a oportunidade e o tempo de admirar você jamais terá, então eu sou muito grata por eles. Eu sou muito sortuda por ter sido sua fão nesse tempo. E vou ser para sempre.
Agora você deve estar aí no céu cantando uma moda sertaneja com o João Paulo, o Leandro e o José Rico, com a Allana ao seu lado com aquele enorme e lindo sorriso no rosto. Você com certeza está bem, e nós aqui na terra iremos de ficar também. Um dia a dor vai diminuir e restará apenas a saudade - essa eu sei que nunca irá embora - e os momentos maravilhosos que você nos premiou.
Até breve, Cris.
Uma fã.













