Cartas soltas
Boa noite, meu (ex)amor,
Hoje eu resolvi te escrever e aqui eu registro palavras que jamais serão ditas em voz alta: meu corpo não te esquece, minha alma ainda padece em você, mas meu coração precisa partir, mesmo partido. Nossas vidas seguem rumos diferentes, de destinos incertos. Separados.
Nos desfizemos das intimidades, mas ainda sinto que preciso te escrever. Não ouso te contar ao vivo, porque minha voz pode denunciar meu prazer e meu desespero.
Essa noite eu sonhei com você. Eu partia em seus braços, de abraços ternos e quentes. Sua boca e seu cheiro me envolviam, quase uma embriaguez. Refletido em seus olhos o sentimento. Já não sabia o que via ali.
Fugi. Como se a vida dependesse disso. As pernas falharam. Não corri rápido o suficiente, forte o suficiente; suas mãos alcançaram meus braços e, em um movimento, eu estava em você. Meus olhos fechados, nossos corpos entrelaçados e suados. Naqueles braços, olhei e chorei. Não o reconheci.
Sussurrei, num tom quase inaudível, o que aquele que me segurava havia feito contigo. Olhos desconfiados me atingiram: sou eu! - disse. E eu sucumbi. Desfiz meu corpo no seu, minha alma atropelada pela sua.
Despertei molhada. Aquele sonho, intenso, ainda se faz real no meu corpo, arrepiado demais para dizer não. Marcada, amada, violada, suja. Queria te dizer que sim, mas sigo dizendo não. E agora, amor, nem mais perdão.
Espero que você esteja bem.
Ao nosso futuro,
Adeus.
Viviam B.

















