Apoiando os cotovelos na grama e ficando de costas para o sol para poder ver Albus pode notar o quão sem graça o garoto havia ficado. Isso significa que ela havia alcançando seu objetivo do dia, mas sem duvidas era fácil demais. Albus Potter era um alvo fácil. Ela sempre cuidaria do primo, mas não poderia deixar de negar aquele traço do mesmo. Por isso, sempre tentava ser petulante o suficiente para que não exagerasse a ponto do garoto a odiá-la para sempre. Mesmo achando difícil que uma sensação como ódio pudesse passar pela família. Observando a casa de longe não pode deixar de notar no quão grande o lugar estava se tornando. Sem dúvidas Molly Weasley estava fazendo um bom trabalho para cuidar de todos os netos, e não fazia receios para ter bisnetos, mas na cabeça de Roxie não demoraria tanto para que Victoire e Teddy finalmente tivessem um bebê. Por mais que os dois continuassem a negar todos aqueles sentimentos. Todos ali sabiam, talvez eles fossem os únicos que não. De toda forma, um sorriso travessou passou por seus lábios. Não deveria fazer coisas assim, mas Roxie gostava de ver o primo surtando, e poderia ganhar bastante com isso. Ainda mais quando estavam todos para almoço. Todos os tios, primos, pais, avós. Eles estavam basicamente dando uma festa.
Enquanto a garota se preparava para sentar e encarar Albus uma ideia passou por seu rosto. “O que você trouxe de doce com você? Assim, eu não queria chegar a esse ponto, mas como é cada um por si e a vovó deve fazer apenas uma torta doce. Quero que você me de seu pedaço. Se não der eu vou contar para todo mundo durante o almoço da sua namorada. Tenho certeza que alguém vai reconhecer o rosto, pois ele parece familiar, mas não consigo saber o quanto.” Ela nunca faria isso, mas era só para ver até onde Albus iria para guardar aquele segredo. Roxie gostava de saber o quão longe alguém iria. Não era a toa que até mesmo seu irmão não passava tanto tempo com ela. Não era a toa que ela e Alec haviam terminado. Roxie no final não pertencia a ninguém além dela mesma, e era difícil para permitir que outras pessoas entrassem dentro de sua mente. Novamente deixou seus cotovelos descansarem e apenas fechou os olhos para que os mesmos não ficassem cansados com toda aquela luz. Ela adorava sua casa. Todas as artimanhas de seu pai, os objetos de quadribol da sua mãe. O conforto e sem dúvidas o espaço eram ótimos. Quando tinham que ficar na casa de sua vó era a mesma coisa que dividir o quarto com mais dez outras pessoas, e todos sabemos que quase tantas mulheres juntas em um mesmo lugar era o sinônimo para desastre.
“Hey, era brincadeira. Relaxa. De toda forma, ela é tão estranha assim que você não pode nem falar o nome dela para a família? Pensávamos que você era o mais estranho de Hogwarts.” Sentou e bagunçou os cabelos do primo novamente. Era fácil conversar com Albus, pois ele sem dúvidas era o primo mais relaxado que ela tinha. Ele não a odiaria. Ou ficaria sem falar com ela. Provavelmente ele até mesmo já esperava ela intrometendo tanto em sua vida. Era o jeito da garota de demonstrar o quanto se importava. O cheiro de comida que vinha da cozinha fez com que o estomago de Roxie se mostrasse presente e a garota levou suas mãos a jardineira que usava. Pegou um papel enrolado e esticou para Albus. “Guardei do café da manhã. Sabia que ia demorar para o almoço ficar pronto. Olha quanta gente. Temos sorte se o almoço sair antes da janta.” Sua risada era alta, e logo desembrulhou os biscoitos que sua avó havia assado para comerem mais cedo. Deu alguns para o garoto e acabou comendo os seus. Sem dúvidas seus avós deveriam investir em uma piscina para que a garota pudesse se refrescar mais um pouco. Claro, seria extremamente perigoso, pois algumas pessoas realmente poderiam matar outras ali quando irritadas, mas no final todos eram uma grande e louca família. “Sempre esqueço que você faz parte do esquadrão do tédio. Sinceramente, Albus, você precisa de um pouco menos de coisas certas na sua vida.” Reclamou enquanto revirou os olhos por conta do título do amigo. Sem dúvidas que ela estava orgulhosa por ele, mas ela simplesmente não bateria nas costas dele e daria os parabéns. Sem contar que era bom ter um membro da família como Monitor Chefe. Apesar de sua mãe já ter dado várias broncas durante aquelas férias para que ela se comportasse melhor. Afinal, ela queria um futuro e mesmo que seu pai tivesse sido expulso ela não queria o mesmo para a filha. Enquanto isso seu pai super incentivava qualquer coisa que a garota estivesse fazendo. “Monitor-Chefe? Olha, você poderia me ajudar e passar a planilha dos horários, né? Assim eu sem dúvidas ficaria mais confortável com os horários que vou sair.” Um sorriso brincalhão passou por seus lábios enquanto sabia que iria conseguir irritar um pouco mais o primo.
De todos os primos, Roxanne era aquela que Albus mais conversava. Não que não se sentisse confortável com os outros, mas a companhia da lufana lhe parecia mais natural que a dos outros, quase como se tivessem nascido para serem amigos. E talvez tivessem mesmo, pois desde pequenos nunca se separaram e sempre foram muito unidos, mesmo que não pudesse haver duas pessoas mais diferentes. Ele era quieto, reservado, gostava mais de escutar que de falar e preferia mil vezes ficar em um canto com um bom livro ou apenas desenhando do que comparecer a uma festa, e Lily até mesmo costumava dizer que ele carregava uma nuvem negra sobre si o seguindo para onde fosse, mas a prima era agitada e alegre, falava bastante (às vezes até demais) e sempre levantava o astral de quem fosse não importava aonde ia. E mesmo que às vezes tudo o que Albus mais quisesse fosse ficar sozinho, não reclamava de sua presença, na verdade era bem grato por ela. Sentia que se não fosse pela presença constante e alegre de Roxanne ele já teria se afundado em algum poço escuro e irreversível de solidão dramática. Definitivamente Lily estava certa, devia haver uma nuvem negra sobre si, mas a prima era como um dia ensolarado que sempre a afastava, mesmo quando estava sendo ligeiramente irritante.
Por um momento, Albus a encarou. Com Roxie nunca sabia se ela estava brincando ou falando a verdade e tinha medo de descobrir isso da pior forma possível, por isso arriscou um comentário meio-termo. – Nenhum, quem geralmente trás os doces é você... – disse, inseguro. – E eu sempre te dou meu pedaço, Roxie. Eu não sou o maior fã de doces, lembra? – falou, já percebendo que ela provavelmente estava tirando com a cara dele, mas ainda nervoso pelo momento. Ele faria qualquer coisa para não ser obrigado a passar por um momento embaraçoso como aquele em frente à família, daria até mesmo dinheiro se fosse preciso, porque aquele tipo de situação embaraçosa era mais comum do que gostaria de ser obrigado a admitir. Porém, não queria dar a Roxanne o gostinho de lembrar-lhe todas as vezes o quanto ele era capaz de fazer qualquer coisa apenas para ela não revelar seu segredinho, ele também tinha seu orgulho e ele era grande o suficiente para ser mantido em uma situação como esta, então escolheu a melhor saída que foi fugir da resposta, porém ainda estava ligeiramente tenso com aquilo, como se a prima fosse sair correndo a qualquer momento pelos jardins na direção da Toca gritando “Albus tem uma namorada! Albus tem uma namorada!”. Aquilo não era exatamente verdade, apesar de seus estranhos e embaraçosos sentimentos, Lydia era apenas sua amiga e sabia que isso não viria a mudar, mas apenas aquilo seria o suficiente para que ele fosse zombado pelo resto da eternidade e então seria obrigado a se trancar permanentemente em seu quarto e receber comida por debaixo da porta, pois nunca mais teria coragem de olhar para o rosto de nenhum de seus parentes na vida. Era assustador só de imaginar.
Porém, com a fala seguinte da prima, ele finalmente voltou a relaxar. No fundo sabia que era uma brincadeira, mas não podia se impedir de ficar tenso por coisas pequenas e bobas como aquela. – Ela não é estranha. – disse ele, mas provavelmente estava mentindo. Em sua cabeça Lydia era apenas diferente, mas ele a conhecia bem demais para saber que sua condição ultrapassava qualquer linha da estranheza que a família pudesse sequer imaginar. É claro, todos os mais velhos conheceram Remus Lupin, e eles tinham tio Bill para mostrar que licantropia não era realmente um problema, mas ainda assim ele sabia que haveria julgamento se algum dia a conhecessem. E é claro, havia o fato de que ele não queria Lydia no meio daquilo tudo, de toda a coisa de ser amiga do filho de Harry Potter. Era muita pressão, muitas pessoas olhando, e ele sabia que ela não gostava disso. Eram amigos em Hogwarts, mas mesmo passando bastante tempo juntos, as coisas que aconteciam na escola raramente saíam de lá. Se fizesse como seus irmãos e primos e a levasse para conhecer seus pais nas férias, saíssem juntos e um jantasse na casa do outro, o mundo bruxo inteiro voltaria seus olhos para ela, e na posição de alguém que jurara protegê-la, Albus não podia deixar que algo assim acontecesse. Por isso não respondeu a pergunta de Roxanne e apenas se calou. – Eu gosto de coisas certas, em seu devido lugar. Você não? – perguntou, mas estava brincando, pois já podia imaginar a resposta. – Você deveria parar de sair tarde da noite, sabia? E devia me agradecer porque já escapou duas vezes de levar detenção porque eu fui bonzinho demais. Posso não estar de bom humor na próxima. – brincou, mas novamente estava brincando, pois sabia que provavelmente não a daria uma detenção mesmo em seu pior humor.