Ei, você viu quem voltou para mais um ano? Por um momento pensei ter visto MELISSA COLLAZO, mas é melhor, é TAYRA NAYELI ROSADO DEL RÍO! Soube que ele está cursando ARQUEOLOGIA aos 23 ANOS e é uma LEGADO da Saint Benedict Hall. Todas às vezes que encontrei com ela eu podia jurar que ela estava ouvindo THE GIVER, CHAPELL ROAN. Isso até combina muito com o quanto ela me lembra de SEVEN OF SWORDS. Eu só acho que algo está diferente esse ano, melhor ficar de olho nela!
Participa do Atelier de Pintura e Desenho; Presidente de História da Arte e pratica natação. — skeleton na central.
DO I SOUND HONEST ENOUGH?
Ser a caçula fez com que Tayra crescesse sendo mimada por todos. Aprendeu desde cedo que um sorriso fofo e um olhar suplicante conseguem abrir portas e realizar vontades. Começou a usar isso com a família e conforme crescia, expandiu para outras pessoas. Não tem vergonha de ser chamada de manipuladora pelos irmãos, ela gosta de saber que consegue dobrar as pessoas com uma certa facilidade. É teimosa, afinal, tem três irmãos mais velhos e precisou entender que seu espaço teria que ser conquistado. Tay não gosta de receber um não; odeia ser contrariada e quase não consegue disfarçar a irritação quando algo assim acontece. Contudo, costuma virar a situação a seu favor com alguns toques forçados de gentileza, sorrisos simpáticos e elogios jogados ao vento.
A receita para conseguir o que quer, na hora que quer, é saber ler as pessoas. Tay não tem reservas em elogiar e agradar os outros apenas para conseguir atingir seus objetivos. As mentiras escapam de seus lábios com facilidade, acredita em tudo o que sai da própria boca, o que torna suas palavras ainda mais seguras. Ela adora flertar e usa isso ao seu favor quando precisa, mas tem um defeito que lhe atrapalha todas as vezes: Tayra se apega fácil. Suas palavras podem ser firmes, mas seu coração é mole. Basta uma moça bonita sorrir para ela, que Tay já começa a sonhar. É carinhosa com os amigos e familiares, sempre em busca de um abraço, um beijo, um conforto. As salas frias onde produz sua arte deixam-na com a necessidade aflorada de estar sempre próxima a alguém.
IF I CANNOT BEND HEAVEN I WILL RAISE HELL
Crescer sabendo que é a herdeira de uma das galerias de arte mais lucrativas dos últimos cinquenta anos moldou o caráter de Tayra. Desde cedo sempre sendo mimada com todos os seus desejos, a primeira menina entre três meninos, mas também tendo que conquistar o espaço e a atenção dos pais por ser mais uma cabeça para eles ficarem de olho. Sorridente, simpática e gentil. Adjetivos facilmente usados para descrevê-la, mas o que poucos sabem é que esses sorrisos escondem segredos.
Antes de dar a primeira palavra, Tayra já era ensinada a segurar um pincel, a usar tinta com os dedinhos gordinhos, a lambuzar de cores os papéis em branco. Suas roupas não manchavam apenas de comida como as outras crianças, mas sim de tinta. A Galería Del’Río é um espaço para novos artistas colocarem suas artes em evidência; é onde os colecionadores conseguem acesso aos quadros valiosos e antigos que reaparecem no mercado após anos desaparecidos. A família, não apenas os pais e os irmãos de Tayra, se envolveu com a arte há mais de oitenta anos e vêm desde então construindo esse legado. Historiadores, artistas, arqueólogos, restauradores… cada um ocupando uma parte do comércio para que o sucesso fosse garantido. Crescer nesse meio lhe fez amar a história, o passado, os traços dos artistas renomados.
Amor não é tudo nesse meio, técnica também é importante. Muito importante. E graças aos deuses que os Del Río têm talento o suficiente para ensinar aos filhos os traços e pinceladas mais importantes do meio artístico. Reproduzir pinturas se tornou uma brincadeira entre as quatro crianças, faziam por diversão e incentivo dos pais que estavam sempre ajudando e guiando-os com as melhores técnicas; o que eles não sabiam na época é que seus pais estavam treinando-os para que entrassem para o verdadeiro negócio da família. A falsificação. Enquanto dois de seus irmãos se identificaram mais com a falsificação de documentos, Tay e o mais velho ficavam com a arte. Embora produzissem peças autorais para a galeria, é o trabalho de falsificação que acaba fazendo tudo girar economicamente.
Entrar para a universidade depois de alguns anos sabáticos não foi escolha sua. Por ela, continuaria fazendo seus quadros — tanto os originais quanto os falsificados — e viveria disso. Mas para sua família, ter um diploma é obrigação. Escolheu Arqueologia pois é um dos cursos mais frequentes em sua família, conhecer a história é ter mais chance de reproduzir com excelência as pinturas. Criar laços com as pessoas foi algo que fez com facilidade, contudo, não esperava que fosse ter uma amizade tão profunda com Owen. A morte dele abalou Tayra de uma forma inimaginável, nunca tinha perdido um amigo antes e sentia como se tivesse dado adeus a um irmão. Desde a morte dele, as pinturas se tornaram escuras, sombrias, expressam sua dor e a tristeza de não ter visto que o amigo precisava de ajuda. Seus pais estão inquietos porque desde aquele fatídico dia, Tay não consegue trabalhar. Se antes achava que seriam as mentiras a lhe consumir, agora vê que é a dor que fará isso.
❥ starter para ﹕ @amayraoproximo + "okay, but am i the villain for laughing?" ˊˎ-
Considerando que a própria Tayra estava rindo do colega esticado no chão depois de tentar mostrar o que parecia um passo de dança bem elaborado, sua opinião lá ser tão considerada assim. "Ele caiu igual um saco de fruta podre." disse entre risos, virando um pouco de lado para esconder que a cena a tinha divertido. “Quem não está rindo desse idiota que deve ser algum tipo de vilão. Isso foi o ponto alto da noite." pelo menos para si, que não tinha se divertido tanto assim até agora. “Pra piorar acho que ele está bêbado, né? Se desequilibrar com um giro daqueles?"
Ultimamente a culpa se formava como um nó na garganta toda vez que Tayra mencionava Owen, mesmo que sem querer. Era normal que ela lembrasse do garoto com frequência já que eram tão amigos, mas o peso de mentir para a roommate durante os últimos meses fazia com que Harriet não conseguisse aproveitar nenhum daqueles momentos. O sorriso rapidamente sumiu do rosto da morena e pela reação da garota na sua frente, ela não tinha conseguido disfarçar tão bem. — O que? — Tentou soar distraída, como se não entendesse a situação. — Ah, não! Deixa de besteira. Você não tem culpa de nada, ok? — Sorriu para ela, dessa vez com sinceridade, porque de fato estava tentando passar algum tipo de conforto para a mais nova nos últimos dias. — Quer saber? Eu acho que já que estamos nessa festa, deveríamos aproveitar. Eu tenho certeza que era isso que o Owen faria se estivesse aqui. — Balançou a cabeça enfatizando as próprias palavras. — Então você vai ter que aceitar dançar comigo. — Disse sem muita confiança, afinal, nem era uma boa dançarina, porém estava disposta a dar o seu melhor para animá-la.
O luto é algo estranho. Num momento Tayra estava curtindo a festa, se divertindo, se exibindo em seu vestido da fantasia da noiva cadáver... e no segundo seguinte, sentia vontade de tirar o celular do decote para ligar para Owen e então lembrava que não podia fazer isso. Sentia-se uma pessoa terrível por se deixar esquecer por meros instantes que o amigo tinha morrido. Acostumada a falar sobre ele com Harriet, nem hesitou em despejar a culpa que sentia ali. “Ainda parece que sim." murmurou, subindo as mãos para enxugar discretamente os olhos antes que as lágrimas caíssem. Tudo o que não precisava era chorar, a maquiagem artística com sua face azul não ia ficar legal com manchas de lágrimas. “É, você tem razão. Céus, me sinto uma idiota." resmungou sem graça, soltando uma risada baixa sem humor algum. "Dançar? Você quer mesmo se arriscar a ter os pés pisoteados?" dessa vez a risadinha que veio era mais divertida, mais leve, era uma festa não podia ficar ali com aquele clima derrotado. “Okay, vamos. Mas eu já aviso logo que não sou lá muito boa nisso. Sou boa com as mãos, não com os pés."
@sevnofswrds ⸻ “ don’t trust what you see." + cartomante
O cheiro de incenso impregnava o local, misturando com o perfume das pessoas que passava por ali. Os olhos de Alaric recaíram na carta sobre a mesa, assim que a cartomante a viou: A Morte. Um leve arquear de sobrancelhas foi a resposta a imagem mostrada, quando ouviu a voz de Tayra lhe alertando. " confiar? eu raramente deposito minha confiança em qualquer coisa, ainda mais em coisas míticas demais para serem explicadas. " uma ironia vindo de alguém que estudava filosofia. A cartomante a sua frente abaixou a cabeça, escutando algo, ou, fingindo escutar algo que eles não escutaram e então a vela ao lado deles apagou-se sozinha. Alaric apoiou a mão na mesa e soltou uma risada sem humor. " parabéns, nunca imaginei que Saint Benedict iria se empenhar tanto em ludibriar seus alunos. " encarou Tayra com um olhar que esperava apoio em seu ceticismo, mas talvez não o obtivesse.
Perder seu tempo com a cartomante foi a primeira coisa que Tayra fez pois adorava tarot. Claro que tinha a sua de confiança, mas não iria perder a chance de testar novas chances de ver como estava sua vida na visão das cartas. Porém, aquela mulher com certeza era uma farsa! Tudo o que conseguiu falar foi sobre morte, sobre como sua vida deu uma virada nos últimos meses e como o luto era sofrido e estava nublando sua visão. Bem, sim! Era de conhecimento geral que os alunos da Saint Benedict Hall perderam um amigo, claro que falar essas coisas era algo seguro. Então assim que viu Alaric sendo na mesa e a carta da morte voltando a aparecer, queria saber se o discurso seria diferente do seu. Apoiou-se no encosto da cadeira dele, os olhos estreitos para a mulher que interpretava. “Ah, que legal, a vela também apagou pra você." murmurou baixo, soltando uma risada. “Eles tentaram se empenhar, mas pelo visto não mandaram tão bem." mantinha sua voz baixa para não irritar a mulher, afinal, mesmo se ela fosse uma trambiqueira... palavras são perigosas. "Ela já falou de luto pra você?"
— A close starter for @sevnofswrds
Caça ao tesouro + ❛ Stop before I kiss you. ❜
Sierra gargalhou com a fala de Tayra, o olhar se estreitando e a expressão mudando para algo bem menos divertida, e mais provocadora a medida que se aproximava da outra. Tocou em uma mecha do cabelo escuro, brincando entre os dedos enquanto o olhar se mantinha na outra. ❛ Não pode me ameaçar com algo tão bom assim. ❜ Brincou, mas o tom de voz sempre parecia um flerte quando estava com Tayra. ❛ Mas quem sabe você não ganha um beijo quando a gente encontrar nosso prêmio? ❜ Era algo entre uma proposta e uma provocação, com Tayra, Sierra descobriu algo novo e intrigante sobre si mesma, e sempre que estavam a sós, parecia natural flertar com ela. Era quase inocente, até não ser. Ajeitou o robe de seda sobre a fantasia, que era basicamente uma lingerie elaborada, e virou-se na direção das estátuas. ❛ Agora para de olhar pra minha bunda e se concentra, só pode estar entre as estátuas. Queremos ir lá? ❜ Perguntou, incerta, sobre ceder a superstições ou buscar o tesouro.
Se havia uma coisa que tinha certeza sobre si... é que era fraca. Não estava conseguindo se concentrar na caça ao tesouro com Sierra desfilando em sua frente daquele jeito, tudo bem, a mulher estava apenas existindo, mas para Tayra, isso já era o suficiente para lhe deixar perturbada. A fantasia dela era perfeita, lhe modelava o corpo como uma luva mas tudo o que a moça poderia pensar no momento era em como seria divertido tirar todas aquelas peças. Então sim, estava um pouco desconectada com o plano delas ali. E tendo-a se aproximando, não ajudava em nada. “Promessas, promessas. Será que são promessas vazias ou garantidas?" o sorriso malicioso esticava os lábios pintados de azul para combinar com a maquiagem artística que compunha seu look de a noiva cadáver. “Dificil você colocar essa exigência quando eu não consigo nem me concentrar no caminho que a gente tá seguindo." não podia deixar de reclamar, já que era a verdade. Talvez agora com esse incentivo, Tayra conseguisse se atentar mais a tarefa. Seu olhar seguiu os movimentos da loira e acabou caindo um pouco para encarar a bunda dela, soltando uma risada ao ser repreendida mesmo com Sierra de costas para si. “É uma belíssima bunda, você não pode me culpar." protestou. Ainda mais quando tudo o que conseguia imaginar era ela sentando em seu rosto enquanto suas mãos apertavam aquelas nádegas redondas e.. céus, caramba, não, foco. Balançou a cabeça levemente para tentar espantar aqueles pensamentos e lambeu os lábios, mordendo o inferior. Para fazer algum trabalho, Tay se apressou para andar ao lado da outra. "Pronto, vamos lá. Eu consigo."
As estátuas seriam esquisitas e tenebrosas, então ao menos isso servisse para lhe prender olhando ao redor delas e não na mulher que lhe fazia companhia. “Definitivamente não queremos ir, mas vamos. Eles têm cara de que esconderiam algo lá porque sabem que a gente evita aquelas estátuas assombrosas."
Ainda era muito estranho para Harriet estar ali. Até poucos dias Owen estava bem na sua frente e agora precisava aceitar que o perderia de vista para sempre. Era mais estranho ainda sentir que ela o conhecia tão bem e nenhum dos presentes imaginava a conexão que eles tinham. Era quase injusto. As palavras de Tayra trouxeram a garota de volta para a realidade. Por mais que estivesse sofrendo com a morte de Owen, não podia deixar que os outros soubessem, ou isso poderia causar grandes problemas. A Langley engoliu o choro e trabalhou no seu melhor sorriso para confortar a roommate. — Sinto muito. Sei que vocês eram bem próximos. — Colocou uma das mãos sobre o ombro dela. — Você não sabia, né? Que… — Temeu usar a palavra errada então mordeu o próprio lábio em resposta. — Provavelmente ninguém imaginava que isso poderia acontecer. — Ela ainda não entendia. Em todos esses meses acompanhando a rotina de Owen, nunca percebeu nenhum sinal de que ele pudesse acabar com a própria vida. — Acho que a gente nunca conhece as pessoas de verdade. — Soltou o comentário sem pensar, se arrependendo no mesmo momento.
Uma coisa era certa para Tayra: falar com Harriet era fácil. Não era a primeira vez que conversava com a colega de quarto sobre o amigo, mas essa... talvez fosse a última. Ainda parecia surreal para si que o Owen não estava mais entre elas, não haveria novidades para contar a outra quando chegasse animada demais para se conter; não iria mais encher o ouvido da garota contando sobre o dia com o amigo quando ela perguntasse. Acabou. De uma hora para outra, ele não estava mais ali. Tayra fungou baixinho, passando o lenço nos cantos dos olhos. "Obrigada, Harrie. E não, eu não... não sabia. Não acredito que eu não sabia." lamentou-se. "Não sei se o irmão dele chegou a notar algo mas... eu não notei. Como eu não notei?" murmurou, erguendo os olhos castanhos para encará-la. "Sim, pelo visto é isso. Talvez... A gente só veja o que as pessoas querem que a gente veja." o que era uma pena, afinal, por causa disso não teve sequer a chance de tentar ajudar o amigo.
@sevnofswrds disse "I see the pain in your eyes. You don’t have to carry this alone."
Sentada encostada em uma árvore abraçando os próprios joelhos, Mei, olhava para o lago. Sentia-se culpada por se sentir mal por causa de Owen. Sua mãe havia falado durante todo o tempo que havia ficado em casa que não havia perdão para tirar a própria vida. Que isso indicava que era uma pessoa ruim e mal intencionada, que apenas os fracos sentiam isso e se ela estivesse conversado ou fosse amiga de Owen ou pessoas como Owen ela estava indo contra seus princípios.
Só que ela não lembrava do outro desse jeito. Não que fossem grandes amigos. Nem lembrava de terem conversado tanto assim, mas ele não era ruim. Sua mãe jamais mentia (era o que ela havia sido condicionada a acreditar) e ela cogitar isso já fazia com que ela merecesse ser punida. Ainda assim ela sentia-se triste. Ela queria poder dividir um pouco da sua divindade com ele. Talvez se ela estivesse ali pudesse ter feito alguma técnica de ressussitação, afinal, ela seria médica.
Não estando mais sozinha levantou os olhos. "Carregar algo? Não estou carregando nada. Estou perfeitamente bem. Precisa de ajuda?" Levantou batendo na saia comprida para tirar um pouco da terra.
Sem Owen para preencher seus dias, Tayra se sentia um tanto quanto sozinha. Não tinha energia para procurar a companhia dos outros amigos, não estava no mesmo clima que eles pois ainda sentia muito presente a dor do luto; lhe restava vagar pelo campus de forma distraída, sem ter intenção de acabar em algum lugar específico. Talvez tenha sido um erro, já que seus pés lhe levaram para o fatídico lugar onde o rapaz perdeu a vida.
Parou de caminhar quando percebeu onde estava, os pés parecendo ficar mais pesados e lhe impedindo de dar meia volta. Merda.
Engolindo em seco, Tay piscou rapidamente para afastar as lágrimas, precisava ter em mente que o amigo não iria querer vê-la daquele jeito chorando pelos cantos. Em seu desejo desesperado de focar em algo, notou que havia mais alguém ali. Meiling, a mente ofereceu depois de alguns instantes. Assim como ela própria, a outra moça estava quieta, viu um pouco de si nela e por isso não hesitou em se aproximar, finalmente conseguindo descolar os pés do chão. "É? Acho na verdade que todos nós estamos carregando algo esses dias." murmurou de volta. Carregar a dor era difícil e às vezes bem mais fácil não admitir. "Preciso. Quer dizer, eu acho? Eu não... não deveria estar aqui." olhou com pesar para a árvore, sabia que não havia sido ali que o corpo foi encontrado, mas era doloroso igual; estava cada vez mais difícil respirar e suas mãos tremiam levemente.
@sevnofswrds ⸻ " We’re not supposed to talk." na missa
A luzes baixas da capela criavam sombras que tremulavam nas paredes e o sermão ecoava lento, abafado, quase hipnótico. Alaric sentia seus olhos pesarem e sua mente desligar. Foi quando notou uma figura se aproximar, deslizando para o seu lado e então inclinando-se para murmurar em voz baixa. Aquilo fez a mente de Alaric despertar, inclinando-se em direção a garota e abrindo um sorrisinho. “ é por isso que você veio até mim? para fazer exatamente o que não deveria?” murmurou em resposta, um sorriso curto e enigmático surgindo em seus lábios. “ estou só brincando com você, ninguém realmente segue as regras do luto, só fingem. ”
Apesar de querer estar ali para homenagear corretamente o amigo, Tayra tinha que admitir que havia um motivo pelo o qual não pisava em igrejas... era entediante. Tirando o dia do funeral de Owen, a última vez que esteve em uma foi no próprio batizado quando não passava de um bebê. Procurar uma distração era o melhor a se fazer, considerando que seria desrespeitoso levantar para fumar um cigarro lá fora. Pousar ao lado de Alaric e bufar um riso era menos irreverente. "Bem, eu tenho a desculpa de não sei qual o código de conduta desses lugares, achei que ia queimar quando entrei." apesar da dor da perda, Tay mesclava um leve tom brincalhão em sua voz baixa. "Mas cochilar certamente me parece errado e pelo o que eu vi do meu banco, você estava a um passo disso."
em sua mente, questionava se deveria portar-se com mais empatia naquela situação. não conhecera owen se não pelas poucas vezes em que o viu com a ex-namorada em saint benedict hall. de tempos em tempos, encontravam-o na enfermaria, onde engajavam em 'numa espécie diálogo polido. as amenidades trocadas eram sempre por causa dela, de forma que pra johanna fazia sentido que ele transparecesse não gostar de si tanto assim. de todo modo, se também fosse simpatizar com o óbito precoce dele, seria apenas por tayra.
ela a viu a uma distância segura durante a missa, mesmo após o término, não evitava buscar com os olhos pelos cabelos escuros dela entre a multidão. por algum tempo, johanna julgou que a dor em seu peito quando ela decidiu pôr um fim a relação das duas, era exponencialmente maior do que qualquer uma já sentida devido a sua condição. para sua sorte, estava adaptada a dor, de maneira que, eventualmente, se adaptou a ausência de tayra.
ao final da missa, caminhou em passos sôfregos até a saída, sentindo a exaustão consumi-la, acumulada pela hora que passou naquele estado de inércia. deu-se conta de que esbarrou em alguém quando sentiu aquela silhueta macia, tão familiar contra si. em sua mente, repetiu não por diversas vezes, como se ao fazê-lo, não teria mais risco algum de encontrá-la ali na sua frente. ‘ desculpa. ’ ela sussurrou, sem saber exatamente do que estava se desculpando, mantendo os olhos baixos.
Os dias estavam sendo difíceis para Tayra, perder um amigo tão próximo trazia consigo uma dor que a jovem herdeira nunca imaginou que sentiria. Passar por aquela missa foi com uma tortura, quando pisou na universidade para a volta das aulas, aquela programação não estava em seus planos, sequer teve tempo para se preparar psicologicamente. Mas mesmo assim, ela foi. Com as flores brancas colhidas no jardim, homenageou o amigo deixando-as no altar. Não sabia rezar, não foi criada dentro da religião, apenas pedia mentalmente que onde quer que a alma dele estivesse, tivesse encontrado a paz que aparentemente lhe faltou em vida.
Ainda não engoliu completamente a justificativa do suicídio, mas o que mais poderia ser? Como conhecia Owen, tudo apontava para o contrário, contudo, a realidade era inegável. Andava distraída para fora da capela pois o ambiente estava lhe deixando enjoada, as botas pretas faziam um leve barulho a cada passo que dava no chão de cascalho que levava para fora dos domínios dos santos; o vento frio batia em seu rosto trazendo um tom rosado às bochechas, o olhar baixo impediu que visse que seu caminho cruzava com o outro alguém. Não apenas alguém, mas assim que estendeu a mão para se firmar, parecia que suas mãos reconheciam imediatamente quem estava ali. O olhar ergueu-se e Tay trincou um pouco os dentes, as pálpebras piscaram rapidamente e o cenho franziu-se ao ouvir o pedido de desculpas.
"Você está bem?" perguntou de maneira curiosa, para não dizer preocupada. Com johanna não dava para saber se ela estava afetada por alguma substância ou simplesmente doente. "A culpa é minha, não precisa se desculpar, eu estava andando sem olhar por onde ia." descartou com uma certa simpatia. Poderiam não ter terminado o relacionamento na melhor das circunstâncias, mas a morte de Owen lhe abriu os olhos. Se com ele sequer percebeu o quão ruim estava e teve aquele resultado, e com Johanna? Que era perceptível o quão profundamente ela estava enterrada em um buraco onde não sairia sem ajuda? "Precisa sentar?"