Três anos na Coreia, três anos indo de um lado para o outro em Seul, e William ainda conseguia a façanha de se perder no pior cenário possível: meia-noite, numa rua escura com o céu trovejando, o celular sem sinal e a gasolina dando seus últimos suspiros. Só podia ser azar, karma, alguma praga muito forte ou os três juntos — porque como se não bastasse a série de infortúnios daquela noite, William também tinha uma prova importante na tarde seguinte. Ele esperava chegar em casa, revisar algumas anotações e descansar até o horário da aula... mas não, claro que não, as coisas nunca podiam ser fáceis para William, algo tinha que acontecer com ele.
Estacionou o carro antes que acabasse parado no meio da rua e ponderou se deveria procurar a ajuda de algum morador naquela vizinhança, embora já se passasse da meia-noite e sair de porta em porta acordando as pessoas fosse contra os seus princípios. Soltou um suspiro exasperado e desceu do carro uma vez que não via nenhuma outra opção, precisava de sinal para ligar para o hotel e checar o GPS. Sentou-se, então, no fio da calçada, encarando um ponto fixo enquanto esperava pelo bendito sinal. Talvez os pingos da chuva pudessem ajudá-lo a clarear a mente preocupada com a situação; talvez Deus estivesse o assistindo e pudesse enviar-lhe um anjo...











