Coisinha
Eu não sabia por quanto Tempo você ia ficar, Então juntei essas Coisinhas Pra te guardar. A gente sabe que não sabe De nada, mas e se A gente souber de tudo Um pouco, Você fica comigo O dia inteiro E amanhã também?
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Coisinha
Eu não sabia por quanto Tempo você ia ficar, Então juntei essas Coisinhas Pra te guardar. A gente sabe que não sabe De nada, mas e se A gente souber de tudo Um pouco, Você fica comigo O dia inteiro E amanhã também?
Processo de individuação
A verdade é que não consegui transformar meu coração partido em arte. Seus pedaços de nada serviam. Guardei-os em uma caixa na prateleira mais alta do armário mais alto. Pedaços partidos nas entrelinhas dos textos, nas fibras do papel, na tinta já seca, nas bordas amassadas das fotos que outrora viviam na parede. Alguns fragmentos permaneceram onde já estavam, na caixinha em formato de coração, nas embalagens de bombom, nos filtros de cigarro. As canções seguem nos discos, intocadas. Elas, porque eu toco. Eu me toco. Me sinto outra vez, como nunca antes. Reciclo alguns pedaços, crio outros novos, vou em busca de uns tantos bem velhos que pensei ter jogado fora. De alguma forma, eu venho conseguindo reuní-los de um jeito peculiar, que me encanta. Me percebo outra vez, agora como uma junção de pedaços. Não só os nossos (tão somente nossos), mas também os que são só meus, os que são só dele, os do outro, uns poucos dela e tantos outros de todos aqueles. Sou um todo em partes. Sou partes em um todo. Sou obra de arte (de minha autoria). E, afinal de contas, consegui transformar meu coração partido em arte.
Obrigada
Aiai, vida, segue sua nau. Segue sim pra onde for. Que metade de mim é mar e a outra também. Canceriana, d'água, oceano de sentimentos. Bota profundidade nisso. Nem consigo ver o final. Dá medo, sim, mas tudo bem. To nessa há muito tempo pra desistir agora. Que venham mais e mais anos de profundezas e redondezas. Lá se vai Lulu de novo, outra vez, novamente. Com uma nova mente, graças ao universo. Aliás, graças à mim mesmo. Não vou deixar de levar o mérito. Não dessa vez.
Duendes
Pra tirar você daqui. Pra me entender melhor como gente. Me dou vontade de ser um ser humano melhor. Me impeço e me faço pior. Isso d ó i. Isso não é nada bom. Já passou da hora de dormir e você não vai embora. O que é que me faz assim? Não faço contato. Não faço a menor ideia. Todo meu sangue estagnado em meu coração. E isso dói. Não quero estagnar, quero expressar, quero sentir. Perdida dentro de mim. A sensação é parecida com quando se perde algo dentro de casa. Você sabe que se revirar tudo, em algum momento, irá encontrar. Mas você não se mexe. Fica só esperando aparecer sozinho.
Ossinhos
Ri e chorei. Não havia mais vontade em mim para falar com ela. Tudo aquilo foi tão intenso. A forma como acabou de um jeito tão simples e ao mesmo tempo tão complexo era tão a cara dela. Me vi perdida no meio daquilo tudo. Tão sozinha. Me pergunto agora: por que com ela parecia que eu não estava sozinha, mesmo estando? O que é aquilo que ela tem? Ela fazia meu corpo todo ter aquela sensação como quando se dá as mãos a alguém amado. Os ossinhos dos dedos ficam apertados, esmagados, mas tão felizes que não querem sair dali. De repente, machucou tanto, como se ela esquecesse que minha mão estava ali e simplesmente fechasse o punho. Eu confiava nela e não acreditei que aquilo estava acontecendo. Machucou tanto. Fiquei imóvel até ela perceber. Quando se deu conta, ela foi soltando aos poucos, até soltar de vez. Nem acenou em adeus. Só se foi, como se nem se importasse com meus ossinhos, agora completamente quebrados.
Onde termino e começo
E, sim, você tinha todos os sabores, até os mais amargos. Eu aguentei tanta abobrinha só pra comer da avelã naqueles momentos que só a gente sabe. Faltou algo? Talvez sim, mas não era isso que me deixava angustiada. O problema era que nem sempre é melhor sobrar do que faltar. Era muito, era demais. Muita poesia, mas também muito silêncio. Muitos laços, mas também muitos nós. Não haveria de ser diferente, porque você é assim. Você é intenso, é inteiro, é até demais. Eu nem sei o que sou agora e muito menos consigo lembrar o que fui pra você. Como fui pra você. Eu fui intensa? Inteira? Até demais? Aposto que deixei faltar algo, como você sempre dizia. A tal da sensibilidade. Talvez porque eu só tenha o suficiente pra mim. E daí se eu for egoísta? Dessa vida não levamos nada, não é mesmo? Se for pra levar, pelo menos me levo por inteiro. Intensa. Quem sabe até demais pra mim. E é aí que está a graça do ocorrido. Eu fugia de mim todo esse tempo, agora chego cada vez mais perto. Com muito medo e dor, sim. Não vou negar. Eu somatizo tudo. E tudo bem. Porque agora só devo satisfação pra mim. Só devo olhares pra mim. Prazer pra mim. E obrigada por tudo, mais uma vez. Valeu à pena da sentença em execução que é seguir em frente sem você. Entretanto, um dia uma bruxa me disse que eu estou nessa vida para aprender sobre limites. E daqui eu não saio sem eles.
Cabides
Larguei o sutiã. Deixei pendurado ali no cabideiro, nem me dei o trabalho de guardá-lo na gaveta. Não tenho mais tempo pra pensar nessas coisas. Nem em você. Você ficou ali também, pendurado. Não no cabideiro, é claro, mas na parede. Não há porquê guardar sua foto na gaveta. Nem as lembranças. Estas ficam no coração mesmo. O tempo voa e de repente já estamos em março. Quem seria eu sem esse bendito mês? Talvez eu nem existisse. Muito menos você. Que estranho seria o mundo sem a nossa história, nossas vivências... Nem quero imaginar. Fico mais uma vez triste, mas sei que tudo passa. Tudo passará. Um dia esse mundo não nos possuirá mais, mas o sentimento é infinito, pois já se deu. Esse, eu não deixei pendurado.
De cama
Sem motivação Se quer pra escrever Pra tirar esse aperto de mim Pra tentar reverter a situação Pra melhorar meu modo de viver Qualidade de vida Ocultar a dor Conviver com ela O que fazer Quando nada adianta? Nem quero levantar Só pro xixi A única coisa que sai de mim Permane ço i móvel
Rata
Apesar de toda essa parafernalha nas redes socias, chega um momento em que ela fica sozinha. Sem nenhuma notificação. O que ela sente, então? Nas fotos vejo um belo de um foda-se estampado na bunda. Eu quero ser como ela. No entanto, percebo que as fotos têm um limite. Até onde vai a sua insegurança? E os seus medos, como é viver com eles? O ser humano não é só feito de libertação. Vivemos em um prisão chamada corpo. Corpo e mente são a mesma coisa, logo vivemos presos em nossa mente. O que se passa na sua? Quando a lua brilha e as luzes apagam, o que você sente? Aonde você está ou deixa de estar? Deve ser solitário, de qualquer maneira, já que dentro de cada mente só vive um ser. Agora, lá dentro, quais são suas tatuagens, perfurações, descolorações? Qual é o brilho do seu olho? E o pedaço de unha roído, pra onde vai? Eu também gostaria de saber, mulher. Eu também gostaria de saber.
Os delírios de sábado à noite
E meus pés dançando eram lindos. Eu podia me ver saindo do chão. Chegando até em cima. Onde eu não sentia mais a dor no meu coração.
As almas continuavam. Não me fazia tão bem. Não queria estar em lugar algum, mas a morte não era resposta. A lua era como uma lâmpada, que clarificava meus sentimentos. E lá estava eu, mais uma vez em lamento. Seria você? Seria ele? Ou seria somente eu e meu ser? Incansável, já passava das cinco. Ainda sacudia seu corpo como se fosse o único momento da sua existência. Não existia amanhã para o cansaço. Era hoje e acabou. Quando acabasse, c'est fini.
Você fala comigo. Cabelos falsos falam comigo. Mas continuo imóvel. Como se não existisse amanhã para o cansaço.
Minhas sobrancelhas suadas. Você podia secá-las, mas não. Eu tenho mãos. Eu tenho dedos. E nada mais importa.
Porque isso não tem sentido.
Paralelo
A vida é feita de momentos. O tempo dita como cada um se dá. Se venho forte, era tempo de ser. Se vou fraca, não seria de outro jeito. Era tempo de ser e nosso tempo já foi. Mas será que foi mesmo, de verdade? Ou ficamos somente mais fracos, em um novo tempo, outro ritmo. Novas batidas, novas viradas. Ficamos juntos, ainda, posto que nada realmente acaba. A transformação chega, e chega mesmo, mas continuamos aqui, como em outrora fomos. Se somos parábola, já atravessamos o topo. Voltamos para o instante final, tão parecido quanto o instante inicial. O tempo me faz olhar de longe, já que não tenho mais tempo para chegar perto. Tudo bem. Eu ainda tenho tempo pra sentir. E por mais que o tempo afaste toda uma vida de mim, meu corpo a traz de volta pra bem perto. Aqui, agora, eu posso te amar outra vez.
L
Entendi foi é nada De repente lá estava Minha liberdade Mergulhada Em mim
O universo da minha consciência
Posso me considerar poeira, grão de areia, dentro de uma rua em um bairro de uma cidade de um estado de um país de um continente de um planeta de um sistema de uma galáxia de um universo. Sendo assim, minha existência seria tão insignificante quanto a da mosca que só vive durante 24 horas. Entretanto, já parou para pensar que seu corpo pode ser um universo inteiro? Com uma corrente sanguínea em veias e artérias que passam por um coração que bate ao lado de dois pulmões que respiram recebendo oxigênio que é transformado em gás carbônico para que todos os músculos possam fazer seu trabalho te mantendo vivo. Sendo assim, minha formatura no colégio seria como o fim da era pré-cambriana. O nosso fim seria comparável ao fim da era paleozoica. Grandes acontecimentos ao longo da minha existência darão lugar ao começo das eras mesozoica e cenozoica. E quando tudo isso acabar, acaba esse universo. Acaba o ecossistema de diversos fungos e bactérias que correm pelo meu corpo. Acaba a vida dentro de mim. Eu sou um universo inteiro. Se eu possuo uma mente, uma consciência, quem vai dizer que as estrelas também não? Quem vai comprovar que a via láctea também não? Quem pode mostrar que o planeta terra não é um fungo dentro do sistema solar? E o universo? Único? Duvido. Aposto inclusive que ele bebe uma cerva com outros universos na sexta-feira. Ele fica de luto quando outro universo some. Ele tem medo, pois percebe que sua existência é efêmera. Tem diarreia e bota algumas bactérias para fora. Assim, nós vamos embora. Bebe água suja e elege um Trump pra presente. Depois toma remédio e tudo passa, nós morremos. Mas o vírus está a solta e a doença sempre ataca outra vez. Somos tão pequenos, mas somos universos inteiros. Se minha consciência é o que me guia e eu lembro do começo de tudo, creio que minha história de vida é sim a existência de um universo inteiro. Eu sou um universo inteiro e nada que sinto é insignificante. Sou grande, comporto vidas. Sou vida e vivo dentro de um sistema vivo. Tenho estrelas, tenho buracos negros. Troco ideias e sentimentos com outros universos inteiros. Nenhum é igual a mim, mas somos tão parecidos. Sigo tentando entender tamanha relatividade. Alguns dias são tão insignificantes, outros nunca esquecidos. Marcantes. Começos e fins de eras. O universo da minha consciência.
Espaços vivos
Botafogo me abraça. Em um lugar onde almas se esbarram, se encontram e desencontram, me busco. Aprendo a ser Luisa novamente (ou talvez pela primeira vez). Como se tivesse vida, alguns lugares me chamam. Alguns me odeiam, outros me amam. Não sinto vergonha, não há silêncio constrangedor entre nós. Te atravesso, te percorro, te piso e sinto teu cheiro. Queria eu poder abraçar um bairro, porque certamente ele me abraça.
Três quartos
O molho de chaves ficou mais leve. Os ímãs ainda seguram suas fotos, veementemente. Carrego aquela 3x4 do exército comigo. Não seria diferente. Eu vivo por mim. E pela nossa história também. Nossa história é metade de mim. Reencontro outros pedaços pelo caminho. Continuo procurando por outros. Rio. Me frustro. Me abraço. Te amo.
Lágrimas salgadas
Eu vou deixar meu amor no mar Enquanto minhas lágrimas dissolvem Misturam-se E deixam de ser dor Para serem oceano Meus arrepios Andam junto com o vento Misturam-se E deixam de ser saudade Para serem areia A natureza me leva Releva Renova No vão em que me enfiei
Fim
As tortas ficam por fazer Os livros com páginas marcadas Interminados, são devolvidos A cama aguenta menos peso A luz não para de piscar Falta energia Pra respirar O canudo ainda carrega seu DNA Provavelmente, meu útero também Nunca imaginei que havia tanta água dentro de mim Mas todo esse amor? Não imaginei Senti Desde o fim Do primeiro momento em que te vi