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@soldierdaughter
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Mais frequentemente do que gostaria, Lucinda se pegava pensando nas acusações atiradas na reunião. Na animosidade - com a qual ela não tivera nada a ver - que tomara os campistas, nos insultos e dedos apontados. Não conseguia deixar de imaginar se aquele não era exatamente o que seria esperado deles diante de toda a bagunça que tomava forma. Com monstros mal virando pó antes de retornarem, prontos para continuar o combate, era natural que o desespero tomasse conta deles. Mas não podiam deixar que isso os virasse uns contra os outros. É claro que, tão irritada quanto os outros por ser acusada injustamente, ela também apontou dedos, ofendeu e acusou, mas sabia que se perdessem o controle, eles mesmos acabariam se destruindo.
Era ainda pior não saber o que estava acontecendo, o motivo por trás desse mistério, e não saber a deixava furiosa. Por isso caminhava, irritadiça, na direção do bosque, pensando em se sentar numa pedra ou conversar com uma ninfa para esfriar a cabeça. Perdida nos pensamentos rápidos e com os olhos no chão, Lucinda só percebeu Benaminiano em seu caminho quando esbarrou nele. "Sorte a sua eu não estar com as espadas na mão." Comentou, cruzando os braços. "Podia ter te matado."
╰ . ꙳ ━━━ Dante ergueu o olhar, breve, sem dar muita importância ao que a outra havia dito e exibiu o mais próprio de seus sorrisos sarcásticos, daqueles que deixavam exibido sua falta de interesse da maneira mais educada possível. 'Sorte a minha', concordou num tom mais baixo, observando uma última vez a planta retornada ao estado inicial de todos os seres vivos, antes de erguer-se e juntar o local, garantindo que ela não voltasse a florescer. 'Talvez eu saísse daqui com uma roseira cheia de espinhos presa ao corpo, hm?', sorrindo uma segunda vez, ele encolheu os ombros e girou a foice em sua mão, vendo o ferro escuro brilhar em contraste a luz do sol.
"Na melhor das hipóteses, talvez." Concordou, oferecendo um sorriso para acompanhar o que o outro tinha no rosto. "Sabe lá o que podem fazer. Te transformar num cacto e deixar o vasinho na janela do chalé, quem sabe, já que mencionou espinhos." Os olhos, guiados pelo fascínio por armas que lhe era inerente, acompanharam o mover da foice alheia; queria conhecer seu peso, equilíbrio e força, saber como performaria em suas mãos. "Ferro estígio?" Indicou a arma com um mover do queixo, não conseguindo conter sua curiosidade.
𓂅 ⋯ ⠀› Deu de ombros. ❛ Não estava falando sobre você. Hipoteticamente, estamos nos dirigindo a algum mortal metafórico. ❜ Explicou, com um gesto de mão. ❛ Eu não gosto de pensar sobre essa coisa de morte... Enquanto puder, 'tô evitando. ❜ Confidenciou. A ideia de morrer vinha acompanhada de um cem número de implicações para alguém como Fearghus; pelo menos uma dezena de pessoas o procurava com um preço em sua cabeça naquele momento. ❛ Isso é verdade. Então o que quer dizer o silêncio? Bem que dizem que a apatia é bem pior do que o ódio. Eu preferia ter Zeus mijando na gente invés dessa ignorância. Me sinto como um marido abandonado cujo casamento está se despedaçando e eu não posso fazer nada para mantê-lo de pé... ❜ Suspirou, olhando para ela. ❛ Ok, talvez a metáfora tenha sido muito específica, mas você entendeu. Hum, isso é verdade, mas eu não faço ideia se temos algum desses filhos por aqui... Você aceita bancar o Hercule Poirot comigo, gatinha? ❜
"Huh" Deixou a resposta pairar no ar, decidindo não questioná-lo sobre sua postura diante do assunto. Numa outra conversa, talvez, quando Fearghus se sentisse mais a vontade para tanto; se esse dia viesse "Que vem muita merda por aí." O tom melancólico de sua voz era disfarçado pela irritação que a tomava toda vez que lembrava a razão de toda aquela comoção, mas foi suavizado por um sorrisinho que ela não conseguiu conter. "Específica. É. Tem tido problemas no casamento, Fearghus? Podemos conversar sobre isso, se quiser." Não resistiu à provocação, mantendo o tom comedido. "Esse Poirot é um detetive ou algo assim?"
"medo não, luci, é pena mesmo! o coitado merece um mimo, depois da ilusão de achar que juntar tantos semideuses em um mesmo lugar seria uma boa ideia." acabo dando risada de sua própria resposta. tinha muito respeito por quíron, mas ele nunca havia colocado deixá-la com medo. por causa das constantes brigas que tinha com seu pai, lara cresceu precisando aprender como se impor e resolver tudo para si mesma. nunca dizia não apra um desafio, então era preciso de muito para amendrontá-la. "sei que outros semideuses fizeram o mesmo, mas com a morte do percy imagino que ele esteja afetado de uma forma diferente." ajeitou sua postura dando a seriedade necessária para o assunto. era uma pessoa que gostava de se divertir, mas também entendia quando haviam assuntos que não podia brincar sobre. "então acho melhor evitarmos seguir com o caos por agora, afinal realmente não vai nos levar a lugar nenhum. eu estou mais afim de relaxar bebendo alguma coisa em algum chalé. sabe de alguém que vai ter?"
Lucinda riu, desacreditada, a princípio. Pena não parecia um sentimento digno de ser dirigido a Quíron, figura histórica imortal e treinador de heróis. A ele deveriam ser dadas apenas menções honrosas, canções, poemas e folhas de louro. Mas, à menção do nome de Percy Jackson, Lucinda sentiu o coração apertar imaginando como o centauro devia se sentir. Se para os campistas era desesperador saber que o melhor semideus dos últimos tempos havia sido derrotado, para Quíron devia ser desolador. Antes de ser um herói, Jackson era seu aluno, assim como todos eles. E viver para sempre, lembrando de todos os alunos que perdeu para monstros era realmente triste. "Tem razão. Não imagino como ele deve estar se sentindo." Concordou, deixando que sua postura e expressões mais sérias falassem por si só. Somente quando a sugestão de relaxar apareceu na fala alheia que Lucinda voltou a sorrir. "Alguém do Chalé de Hermes vai ter algo pra nos divertir. Eles sempre tem algo."
"Acho que já passamos dessa fase de tentar usar minha mãe e sua delicadeza para me provocar, não é Lucinda? Voltamos pro acampamento e voltamos pra onde paramos?" Disse, olhando em volta para ver se tudo estava igual, o que obviamente não estava. "Eu? Atingir a filha de Ares com palavras? Eu sei que a única forma de te atingir verdade seria vencendo você em algum dos seus mais queridinhos jogos, mas pode ficar calma, Luci, eu não voltei aqui para isso, na verdade, nem era minha intenção voltar"
"Ora, mas é claro. De volta ao Acampamento, de volta aos velhos dias." Provocou, parando ao lado dela, os braços cruzados como se para reafirmar seu ponto. Era divertido mexer com Marianne quando mais eram mais novas; adorava vê-la perder a paciência. Filhos de Afrodite eram sempre divertidos de atiçar; a animosidade vinda deles era sempre uma surpresa e ela adorava ser a causa daquilo. "Não conseguiria mesmo que fosse sua intenção." Devolveu, orgulhosa. Contudo, a curiosidade levou a melhor naquele momento. "Por que não ia voltar?"
☠️ —— "Desculpa...", Vex pediu ainda, baixinho, quando percebeu o que sua ação impensada e irracional, de tanto fugir do toque mais do que conhecido, havia causado. Com as mãos alheias lhe tocando as maçãs do rosto, já avermelhadas com a quentura de todas as emoções que invadiam seu corpo, a filha de Ares fechou os olhos. Talvez Lu não fosse bem vista, utilizando suas habilidades dessa forma, para amenizar uma situação, mesmo assim, Vex deixou-se levar. Era capaz de sentir ela diminuir gradativamente, demonstrando esforço, a raiva e o pânico, medo e ódio, tudo se completando no interno de sua mente, mas parecia não ser o suficiente. Era uma solução temporária, porque as atitudes de Lu com foco em Vex eram rebatidas pelas brigas externas e xingamentos que todos desferiam àqueles que vissem. "Um pouco", informou-a sobre a solução. Havia funcionado, mas novamente, Vex tinha certeza de que era apenas temporária. A pele quente esfriou, assim como a cabeça, e ela percebeu que suava, pingos molhavam sua testa e seus fios de cabelo. "O problema é externo...", explicou baixinho, mais do que grata por conseguir se comunicar novamente. "Obrigada, Lu! Mesmo... Eu...", suspirando, ela desviou o olhar da irmã e focou no que era verdadeiro. "Mas eu acho que seria melhor manter distância... Mesmo assim."
Lucinda sabia o quão incomum seria usar sua benção daquela forma. De certo aquela não era a intenção de seu pai quando a presenteou, mas em seu próprio entendimento de certo e errado, sabia que cuidar de Vermont havia de ser uma de suas prioridades. No papel de irmã mais velha, entendia aquilo como sua obrigação; como filha do Deus da Guerra, via naquele ato lealdade. Por essas razões, um sorriso gentil - e incomum - esticou seus lábios ao que sentiu que estava dando certo e que Vex, aos poucos, parecia ficar mais calma. "Melhor?" A pergunta veio baixinha, sua delicadeza apenas para a mais nova, e assentiu satisfeita por ter conseguido ajudá-la, o mínimo que fosse. "Melhor do que nada." Concluiu, concordando com a cabeça em seguida, entendendo que era de fato melhor que a outra se afastasse. "Quer que te leve até o chalé? Ou algum outro lugar?"
@springggoddess said "oh, no" really sarcastically
Lucinda fingiu uma expressão chocada, cobrindo a boca com uma das mãos, apenas para soltar um arquejo afetado. "Meus deuses, você foi sarcástica? O que diria sua mãe, a rainha da beleza e do romance ao ver você assim, tão... indelicada?" A filha de Ares provocou, rodopiando em deboche ao redor da outra garota. Seu próprio teatrinho lhe parecia tão ridículo que nem ela mesma aguentou, desfazendo-se numa risada alta. "Vai ter que tentar muito mais se quiser me atingir de verdade com suas palavrinhas, princesa."
@filhadaflecha said “Keep taunting me and see what happens.”
"Ou o que?" Ela insistiu, um sorriso debochado surgindo em seu rosto. "Eu me garanto no braço, se quiser descontar lutando, mas me deixa curiosa assim; são tantas... possibilidades." O tom sugestivo em suas palavras era proposital. Adorava provocar as Caçadoras, mesmo as que não faziam mais parte do grupo, pois toda aquela ideia de castidade lhe era extremamente distante, ainda que não fosse tola o suficiente para ofendê-las. Uma maldição da senhora delas era a última coisa que queria que lhe acometesse. "Mas eu insisto: só um minuto nas minhas mãos e eu desvendo seu arquinho que nem mágica."
@pyrheir made Lucinda say "Why are you taunting me? Stop— stop dancing. We’re in the middle of a fight."
Se havia uma coisa que Lucinda levava a sério eram os seus treinamentos. Era uma lutadora impiedosa, mesmo em combates amistosos, pois sabia que, numa luta real, os oponentes não pegariam leve ou jogariam limpo. Dava tudo de si para estar pronta quando precisasse fazê-lo pra valer e exigia que seus parceiros de treino fizessem o mesmo com ela; precisava ser desafiada. Surpreendê-la era difícil, mas não impossível, visto que vez ou outra um de seus colegas campistas acabava conseguindo tal feito. E naquele exato momento, Matteo o tinha feito.
Lucinda tinha suas espadas em punho, pronta para se defender de um ataque, mas Matteo havia começado a dançar. "Why are you taunting me? Stop— stop dancing." Ela ralhou, as sobrancelhas franzidas em pura confusão. "We’re in the middle of a fight!"
𓂅 ⋯ ⠀› ❛ Mas é realmente necessário ter medo? Você tem livre arbítrio para decidir o que vai fazer da sua vida e sabe das regras, então... Vão ser apenas as consequências de suas ações. ❜ Cerrou os lábios com uma expressão ininteligível. A garota estava até mais relaxada do que ele, o que soava estranho. Sempre havia acreditado que filhos de Ares eram os primeiros a pular em uma batalha — e era óbvio que ela era uma pela forma que se portava. ❛ Eu não sei se consideramos isso, mas será que eles mesmos não estão tendo problemas lá em cima? ❜ Arriscou, dando de ombros. A última coisa que queria era passar pano para os deuses, mas a ideia lhe ocorreu como um lampejo. ❛ Odeio eles tanto quanto você e nossos vizinhos, mas... Hades não tende a ser tão negligente com seu trabalho, a menos que as coisas realmente pareçam apertadas. Ele seria o primeiro que eu procuraria. ❜
"Eu não tenho medo." Bufou. Sendo filha do deus da guerra, o medo da própria morte não lhe atormentava. Guerra e morte andavam juntas; uma a consequência da outra e, portanto, Lucinda aceitara sua inevitabilidade. Quando morresse, não seria com horror em seus olhos, mas orgulhosa, com a glória do combate. "Os outros já não sei." Completou, dando de ombros, deixando os olhos correrem para às expressões irritadiças dos outros campistas, ainda discutindo entre si. Torceu os lábios, sentindo a animosidade querendo dar as caras novamente ao ouvir algumas das acusações, como se incitando-a a tomar partido novamente nas discussões, mas decidiu se abster. Naquele momento. Afinal, a conversa estava interessante. "Normalmente os problemas deles refletem aqui. Zeus irritado causa tempestades, Poseidon irritado gera maremotos e assim por diante. O silêncio geral é..." Assustador. Hesitou antes de completar o pensamento. "estranho. E uma passagem pro Mundo Inferior geralmente é só de ida. Não sei se me arriscaria a tanto. Quem sabe mandar um dos filhos dele pra uma reunião de família?"
Se virou surpreso ao encontrar Lucinda tão perto e não esperava que ela fosse se manter tão neutra naquela situação, ainda mais com o comentário que acabou arrancando um riso breve do semideus. — Por favor, não faz isso. Não sabe o quanto carranca deixa rugas e eu não tô afim de começar a aplicar botox antes dos 40. — ergueu os ombros fingindo uma indignação enorme que claramente era falsa já que ele já havia ignorado completamente a zona que estava o lugar. — Então, estão culpando vocês pelo que?
— Mas sabe que o ideal seria começar a aplicar logo aos 30, né? — Provocou, anda que se lembrasse de sua mãe mencionado algo assim. Ela sempre se preocupara com linhas finas e tudo mais. A lembrança da mulher foi dolorida; a perda recente ainda ameaçava trazer lágrimas aos olhos da semideusa e ela não deixaria que a vissem chorar. Seu pai jamais a perdoaria se o fizesse. Suspirou, então, rolando os olhos ao que a pergunta alheia a fazia lembrar de sua irritação inicia. — Quiseram saber onde eu estava, por que não ajudei o Jackson, como não senti seu pavor... — Soltou uma risada anasalada, mas sem humor. Os olhos, se fossem como os de seu pai, brilhariam vermelhos, tamanho seu desgosto e indignação. — Como se eu não tivesse minha própria vida pra salvar. E outra! Eu ia precisar proteger o Jackson? Não foi ele quem enfrentou o meu pai com, sei lá, 12 anos?
@soldierdaughter said: " it’s been so long since we’ve behaved. "
╰ ‘ "I know, right?" relembrou de todas as confusões que se enfiou ao lado de lucinda nos anos que passaram juntas no acampamento. ambas adolescentes inconsequentes e que queriam viver tudo aquilo ao máximo. da parte de lara, a vontade era de aproveitar tudo que a vida presa naquela mansão vazia não a permitira fazer. o acampamento havia se tornado um refúgio e fora ótimo encontrar alguém com quem pudesse compartilhar o mesmo apreço pelo caos. "mas acho que o quíron merece que a gente acate esse berro que ele deu pelo menos uma vez. digo, foi tão alto que não duvido que até implore por uma balinha de hortelã depois." riu, mas sentia muito carinho por ele e sabia que estava certo em conter a bagunça que os semideuses estava fazendo. "levamos o coitado ao limite."
O sorrisinho de canto, daqueles que prometiam todas as travessuras possíveis e impossíveis, esticava suas feições de forma sutil. Não tinha mentido, fazia mesmo muito tempo desde que as duas haviam se comportado de verdade ali no Acampamento, unindo-se em prol da diversão e inconsequência. Lucinda não tinha medo das consequências; eram brincadeiras bobas, afinal. Apenas duas adolescentes se divertindo no verão. "Vai dizer que está com medo do centauro velho?" Provocou, o insulto a Quíron sendo apenas da boca pra fora; uma forma de se mostrar irreverente, mesmo quando seu respeito pelo, agora, diretor do acampamento era inegável. "Tenho certeza que centenas de meio sangues fizeram isso com ele antes de nós. Ele aguenta."
╰ . ꙳ ━━━ Dante preferiu se abster da discussão. Ouviu ao discurso com atenção, mas a discussão em si não lhe interessava. Não era de hoje que os estereótipos seriam deixados por levar e, bem, até mesmo Quíron deveria saber que não era uma boa ideia reunir tantos semideuses assim num mesmo local após tanto tempo e nas circunstâncias que enfrentavam. Mas para onde eles iriam? Irônico, se não fosse trágico, lembrar que, mais uma vez, haviam sido deixados de lados por seus próprios pais. Mesmo Tânatos havia sumido de seus sonhos e vislumbres. Allora, o que estava fazendo ali? Se a ordem era voltar aos velhos tempos, e, ainda que não fosse bom em seguir ordens, ele acataria. Por isso, brandia sua foice em meio a arena, finalizando um treino, antes de abaixar-se e tomar consciência da plantinha raivosa e insistente que havia crescido no terreno batido durante o tempo que estavam longe. Huh. Um toque foi o suficiente para vê-la murchar e, então, virar pó. Destino cruel ao qual os semideuses estavam fadados. "In bocca al lupo!", resmungou baixinho. Precisariam de muita sorte. Toda a sorte do mundo.
Nos momentos que sua mente funcionava a milhão, o melhor remédio para silenciar o caos de seus pensamentos era o treino. Mesmo quando ainda morava com sua mãe, depois de o Acampamento fechar por definitivo, Lucinda esvaziava a mente enfrentando adversários invisíveis na solitude de seu quarto e agora, de volta à Colina Meio Sangue, Lucinda passava a maior parte de seu tempo praticando com todas as armas que estivessem ao seu alcance. Ver que outra pessoa já estava no campo a fez hesitar quase imperceptivelmente; não tinha planejado um oponente em potencial, mas decidiu, em questão de segundos, que qualquer treinamento era bem vindo. Aproximou-se a tempo de vê-lo transformar uma pequena planta em cinzas. "Sorte sua eu não ser um dos filhos de Deméter."
𓂅 ⋯ ⠀› Fez uma careta, dando de ombros. ❛ Sim, apenas para abandonarem essa ideia de que filhos de Pã não tem nada na cabeça além de álcool, ninfas e erva. Quer dizer, não que eu não aprecie um goró, uma bela dríade e um pouco das plantações de Deméter, mas todo mundo esquece que essas três coisas são as responsáveis por mais da metade das canções e poesias do mundo. ❜ Se inclinou na cadeira, cruzando as pernas. ❛ Os mortais? Nah. A maioria deles se caga de medo da morte por um motivo. É bem mais difícil quando não se tem uma prova cabal do além túmulo, eu suponho. ❜ Lançou um olhar questionador para a mais nova. ❛ Parece interessada no assunto, sweetheart. Interessada em dar cabo de algum deus? Apenas me avise. Eu cubro para você. ❜
Lucinda deu de ombros, a postura relaxada mesmo diante da confusão. Aquele tipo de ambiente era onde ela se sentia florescer, como se alimentada pelo caos e animosidade, similar a forma que plantas reagiam ao receberem água, ainda que aborrecida pelas acusações a ela e seus irmãos. "Não que isso seja um problema." Concordou com um sorriso e um dar de ombros. "Mas mesmo tendo provas cabais de pra onde vamos, ainda existe certo temor. Heróis ainda podem acabar sendo punidos; o julgamento não poupa ninguém, afinal." Enfatizou, decorando suas palavras com um risinho. Achava graça no terror que assombrava a maioria das pessoas quando o assunto era a morte. "Difícil seria escolher só um, especialmente agora que 'ta tudo indo pro brejo." Ela bufou, deixando o corpo escorregar em seu assento e cruzando as pernas, aborrecida. "Todos calados, monstros a torto e a direito e nenhuma explicação, nenhum alerta. Parecem ter nos deixado pra morrer sem sequer nos dizer o que estamos enfrentando."
☠️ —— Ela instintivamente puxou a mão segurada, parando assim que encontrou nos olhos da irmã certo reconhecimento. "Lu...", sussurrou, olhos oscilantes, tentando se conectar às características de seu rosto. Nem mesmo conseguia compreender o que ela estava sugerindo, mas sua mente imediatamente correu à figura e semelhança de seu pai... O quão patética deveria estar parecendo agora? Completamente oposta ao que ele defendia. "Não...", balançou a cabeça, sorrindo brevemente, e então apertou a mão alheia, como se para extravasar a sobrecarga de sentimentos ruins derrubados em si. "Eu... Huh, preciso sair... Sair daqui. Ou... Se você puder amenizar em mim... Não sei se funcionaria...", tentou formular algo que fizesse sentido, sem saber se havia obtido sucesso.
A expressão, inicialmente decorada por um sorriso, assumiu viés mais tranquilo ao que a irmã se desvencilhou dela, recusando o toque. "Calma. Sou só eu." Ralhou, arrependendo-se do tom mais ríspido e ergueu as mãos, na intenção de tranquilizar Vermont, ainda que a recusa tão repentina a tivesse aborrecido. Apenas assentiu quando a mais nova a reconheceu, seus olhos atentos apertando por um breve momento, avaliando o estado dela. "Não custa nada tentar. E se funcionar, fico de prontidão pra te salvar disso aí quando precisar." Deu de ombros, fazendo parecer que ajudá-la não era lá grande coisa. Soltou-se do apertar alheio para colocar ambas as mãos em seu rosto e focou toda sua atenção nas emoções ao redor delas, nas que sabia que a afetavam diretamente e, pela primeira vez, usou de sua habilidade para incitar um diminuir gradativo na raiva e indignação que rodeavam Vex.
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