A força é uma virtude; o controle de quem a domina há de guiar o mais depravado dos corações rumo à fidelidade de seus valores. Força também exige esforço — o peito tenaz também cederá à carne.
Ambivalência. O carnal foge de suas funções tentadoras e seduzentes. O monstro é um flagelo, como uma necessidade vital de adquirir, de consumir, de possuir.
E junto ao fraco, convive a aceitação. Sempre pretendo negociar meus limiares, cedo ao demônio outra versão de mim, um homem mais duro, contínuo, um ser irredutível.
Porém, a força recusa a voracidade.
E, como um canhão de vidro, quebro-me diante do calor da batalha.
Intacto, descansa o devorador em meio aos destroços, regozijando-se em meio às chamas do seu homem ideal. De combustível foi utilizado todo o meu rancor, então deixarei faminto aquele ser.
Meu corpo encontrará na rigidez sua apatia, meu peito será frio como rocha — jamais sentirá alegria na luxúria, pois gélido será tua cela, maldito monstro sodomita.
Do maldito, corto seus víveres. O meu mal será sentenciado à miséria eterna, amordaçado comigo até o fim dos meus dias.
Pertenço hoje àqueles que condenam seus desejos como malignos.
Já o monstro procurará outro alimento. Sempre estará à espreita — presunçoso e sedento por meus temores, consciente das injúrias que enfrento, esperará pelo momento em que o saciarei.
Trilharei meus passos sozinho, longe de qualquer afago carnal; refugiarei minha mente em nevasca, meu corpo encontrará mantimento na serenidade.
O inferno é real, ele existe dentro de mim.