(tarde de 23 de maio de 2021) Sonho alquímico do apocalipse de luz
Estava na casa dos meus pais, e ela era uma espécie de casarão antigo. No salão principal super amplo tinha uma abóbada de vidro e várias plantinhas ao redor.
Não me lembro bem o que acontecia antes desse ponto, mas a campainha tocava e chegavam alguns parentes meus. Uma tia entrava na porta do salão colocando a mala no chao e tirando a máscara com um sorriso enorme como que dissesse: cheguei! Abria os braços e tacava um abraço em minha mãe.
Aos poucos foram entrando algumas garotas na faixa dos 13 anos, uma mulher com seus 30 e um homem na faixa dos 50. Não faço ideia de quem eram aquelas pessoas, mas elas me parecem uma versão de alguns tios, primas e filhas de primas que tenho por parte de mãe.
As garotas eram engraçadas e descontraídas, abracei uma delas e chamei "Brenda, como você está?" E ela me respondeu: "já esqueceu meu nome, primo?" Com um sorrisinho de puro deboche, porém descontraído. Ela falava como se fosse mais madura que a idade dela, fazendo chistes e dando sorrisos carismáticos mas ainda assim mantinha uma inocência infantil.
Daí o homem mais velho veio me cumprimentar calorosamente. Ele era alto, moreno escuro, usava blazer e uma roupa formal toda branca. Ele também era bem elegante & esguio e tinha um nariz arqueado imenso, óculos redondos de aro grosso e uma ligeira cara de quem fuma cachimbo. Ele se sentou no sofá de camurça azul do salão principal, logo abaixo da abóbada e começou a discorrer sobre psicanálise. Isso me fez presumir que era psicanalista e gostava de contar casos que geravam grandes auto-descobertas e tal. Falava de um modo muito sábio e amoroso, sempre fazendo piadas... Mas, por algum motivo, meu rosto começou a travar e não conseguir rir. Eu sentia meus músculos fazendo pequenos espasmos, porém não era uma sensação de risada natural, apesar de eu estar me divertindo com aquilo tudo.
Comecei a me sentir chato por não estar agindo com naturalidade próximo às pessoas, e então comecei a olhar pro céu através da abóbada. A noite estava com uma luz azul meio escura. O céu tava lindo, mas, depois de um tempo comecei a reparar uns feixos de luz vermelha atravessando-o.
Aos poucos aquilo foi se tornando um misto de aurora boreal e jogo de luzes. Eu, hipnotizado por aqueles efeitos, chamei por minha mãe e apontei pra cima - "olha".
As pessoas começaram a olhar e a miríade de cores pareceu acelerar e se modificar numa espécie de time lapse-esquisito. Ao fundo, uma música em espanhol, nostálgica e doce, começou a tocar como saída de um LP antigo.
Todos estavam boquiabertos e o ritmo do time-lapse ia ficando mais e mais rápido até culminar em um inevitável: “não!!” por parte da minha tia e uma explosão de luz invadiu o salão.
Parecia o apocalipse. Todos congelaram naquele momento. Seus rostos petrificados nas mais diversas impressões, que iam do deslumbramento ao horror.
A última coisa que lembro é que, antes de acordar eu pensava que aquilo era só um recomeço e lembrava que toda noite, quando olhava pro céu, o mesmo espetáculo sempre acontecia, mas eu nunca tinha encarado com o pavor e a surpresa que aquelas pessoas.
Na verdade, eu só achava aquilo tudo bonito, e minha vontade era de dizer pra todos que só repararam aquilo pela primeira vez: "gente, isso é natural, acontece todo dia, vai passar e vocês vão continuar aí como sempre."