Just letting go might be the chance I have to take, before the thread decides to break. - Pov
O chocolate quente permanecia absorto, pousado sobre a mesa, sequer fora tocado. O celular, atirado sobre a cama, era ignorado a cada nova mensagem, o olhar não ousava ir naquela direção, não iria ler o que quer que fora escrito. Sophie soltou o ar devagar, o prendia devido ao nervosismo, seus pulmões clamavam por oxigênio, no entanto. Colocou a cabeça entre as mãos, tentando por um momento não pensar em nada. Era uma tentativa tão falha, tão inútil. Os olhos marejavam, cintilantes de lágrimas, mas piscou com força para não permitir que caíssem e escorressem pelo seu rosto.
Deveria estar pulando de alegria no momento. Sim, deveria. A carta estava ao lado do seu telefone, não recebia a atenção que supostamente deveria receber. Suas emoções eram conflitantes, um turbilhão delas lhe atormentavam ao mesmo tempo, e sabia que poderia desabar a qualquer momento. Era tanta coisa passando-se por sua cabeça que não conseguia pôr os pensamentos em ordem e organizá-los corretamente. Era uma droga o que estava passando. Outras pessoas lhe diriam que era idiotice ficar triste com uma notícia tão boa assim. Uma ponta de si realmente estava alegre com o que descobrira, mas não podia deixar de sentir-se mal. Respirou fundo, e mexeu vagarosamente a pequena colher dentro da caneca com sua bebida que pouco tempo atrás já fora quente. A fizera na intenção de beber enquanto lia a carta que lhe fora enviada, mas sua surpresa foi tamanha que perdeu vontade de tomar qualquer coisa.
Seu pai lhe enviara a tal carta, dizendo que a recebera há poucos dias e assim que viu o conteúdo, mandou para o acampamento no mesmo instante. James não lhe dissera do que tratava-se, apenas informara que era uma notícia maravilhosa. Imediatamente, Sophie ficara curiosa para descobrir o que seria, mas teria de esperar por volta de uma semana até que a misteriosa correspondência chegasse às suas mãos. E se Peter sabia de alguma coisa, ela o mataria por ter escondido o que quer que fosse a notícia. Então, finalmente, a carta chegara. Teve de segurar-se para não abrir no mesmo momento, rasgando o envelope e tudo mais. Tratou de diminuir a euforia, preparando um chocolate quente para ler calmamente o que estava escrito de tão maravilhoso naquele papel. Com a bebida quente em cima da mesa, abriu a carta.
Informamos que V. Sa. foi aceita na Universidade de Oxford. Apresentando as notas necessárias para ingressar com louvor em nossa universidade, teremos o prazer de tê-la estudando em nossas instalações. Aos novos alunos, oferecemos um programa para ajudá-los a situarem-se apropriadamente antes do início do período, tal qual iniciando-se dentro do período de duas semanas. Pedimos que se apresente neste tempo máximo, para que nos dê uma confirmação e faça devidamente a matrícula no curso desejado.
Seus olhos arregalaram-se com o que acabara de ler, não conseguia acreditar no que via. Fora mesmo aprovada na universidade dos seus sonhos? Sempre desejara estudar naquele lugar, ele tinha algo de mágico, algo que Sophie sonhara a vida toda poder conhecer. A euforia que sentira antes de abrir a carta, voltara ainda mais intensa, tomada pela alegria de poder realizar seu grande sonho. Iria fazer o curso que queria e na universidade que queria, uma astrônoma de Oxford... Ainda não parecia verdade, mas a carta estava ali, em suas mãos, para provar que era. Ela realmente iria para Oxford! Estava empolgada, sentia-se infinitamente feliz naquele momento. Tinha de falar com o pai naquele instante, então digitou rapidamente uma mensagem de texto para o seu celular, sem se importar com o quanto pagaria por enviar um torpedo para o outro lado do oceano, pedindo que entrasse urgentemente no Skype. Esperava que ele não estivesse no meio de uma reunião importante, não queria atrapalhá-lo somente para comemorar uma coisa que ele já havia descoberto antes dela. Assim que recebeu a resposta positiva, correu para ligar o laptop.
"E então?" Foi a primeira coisa que o Sr. Ramsey disse, fazendo-se de desentendido quanto ao conteúdo da carta, apesar de exibir um sorriso largo no rosto que o entregava. Sophie deixou escapar um grito eufórico ao encará-lo, tampando a boca com ambas as mãos em seguida para conter-se. "Por que você não me contou logo?! Me fez esperar isso tudo para receber a notícia?" Pelo que dizia supunha-se que estava a reclamar com ele, mas o tom era leve porque não importava mais o tempo de espera, já sabia afinal o que informava o papel. "Achei que fosse ter mais graça ler as palavras deles do que escutar de mim." Deu de ombros, e Sophie terminou por concordar, fora mais emocionante realizar a leitura. "Empolgada para se tornar uma universitária de Oxford?" "Não acho que um "não" como resposta seja válido para a sua pergunta." Cruzou os braços com um sorriso divertido se formando nos lábios.
"Informo que sua passagem já está comprada. Você volta para cá dentro de dois dias." Ergueu as sobrancelhas, fitando o pai enquanto o sorriso diminuía na mesma velocidade com que surgiu. "Espera, quer dizer que só tenho dois dias para me despedir do acampamento?" Ele assentiu positivamente com a cabeça, parecia ter algo mais preso em sua garganta para contar à filha. "E tem mais uma coisa que quero falar com você..." Já não conseguia imaginar o quão horrível seria despedir-se do namorado e dos amigos naquele curto espaço de tempo, o que mais ele queria lhe informar com aquele tom de voz tão desempolgado? "Seu namorado... Não acho que vão poder ficar se vendo." Coçou a nuca, desconcertado em ter de discutir aquilo com a filha. "O quê?" A pergunta fora curta e cortante em sua garganta, não conseguia ter uma reação exagerada, ainda estava processando o que acabara de ouvir. "Sophie, preciso que me escute. Oxford é uma universidade mais importante, e isso consequentemente exige mais de você. Tem de se focar nos seus estudos, não posso deixar que falte alguma aula para visitar Caleb do outro lado do oceano. Sinto muito, filha, mas estou pensando no melhor para você." Ela queria protestar, gritar com o pai, mostrar a tamanha raiva que sentia naquele momento. James precisava mesmo ter feito aquilo? Sophie amava Caleb, e justo quando conseguiam ficar juntos, recebia uma notícia daquelas. Sem conseguir fazer com que nada saísse de sua garganta, simplesmente fechou o laptop e encarou o vazio.
Logo uma enxurrada de pensamentos lhe vieram à tona. E todos eles envolviam o namorado. Pensou nos olhos verdes que tanto adorava fitar, e nas covinhas que se formavam quando o mesmo sorria. A música que ele cantara para lhe pedir em namoro ressoava em sua cabeça, uma canção que ele escrevera especialmente para ela. Sentiria falta de ouvir sua voz, de ver seu sorriso, de sentir seu abraço ou os lábios dele contra os seus. Amava aquele garoto, seu coração sabia disso, e todos aqueles pensamentos só faziam com que lágrimas surgissem em seus olhos, que agora escorriam por seu rosto. Não queria que aquilo terminasse assim. Não queria ter de separar-se de Caleb.
Entretanto, do outro lado da balança estava Oxford. A universidade dos seus sonhos e o garoto que amava. Só de pensar nisso um gosto amargo tomava conta de sua boca. Sonhara com aquele lugar a vida inteira. Respirou fundo, fitando os próprios pés. Se conhecia muito bem. Sabia que decisão tomar.