Trabalhos em grupo sempre foram uma questão de incômodo para Hugo. Ele nunca foi exímio em socializar, e parecia ser justamente esse o intuito de seus professores ao forçá-lo a trabalhar com pessoas que nunca conhecera bem para os deveres. Nos primeiros anos em Hogwarts, isso não foi um grande problema. O ruivo simplesmente saía da sala de aula direto para a Biblioteca, fazia tudo sozinho e colocava o nome de seu parceiro, tendo mais tempo livre para ficar sozinho ou ir visitar as proximidades das salas comunais dos membros de sua família e seus amigos, fosse para arranjar um assunto do qual falar com Albus, ou para aguentar um esporro de Rosie por uma razão ou outra.
Mas depois do terceiro ano e do começo das matérias eletivas, Hugo começou a ficar sobrecarregado, e acabou começando a ser forçado a aceitar ajuda alheia para os trabalhos. Isso levou, pouco a pouco, o Lufano a começar a ser mais agradável para conversas. Não é como se ele não gostasse das pessoas, era simplesmente uma questão de não saber como agir perante a elas e não gostar dos olhares que recebia quando vagava pelos corredores. Ele tinha orgulho e amor por toda a sua família, mas tinha, também, vergonha de nunca ter feito nada notável até aquele ponto. Seu tio George com o irmão dele já havia descoberto de alguma forma que nunca contou para os sobrinhos a maioria das passagens secretas daquela escola, e usava essa informação valiosa para pregar peças. Seus pais nem mesmo precisavam de menção com todos os seus feitos. Todos os Weasley e Potter pareciam ter feito tudo o que podia ter sido feito de interessante na escola, e o espírito de Hugo era, francamente, um pouco aventureiro demais para sua mente ordeira e rígida.
Hugo... Era simplesmente inteligente, e fora escolhido por uma varinha que era particularmente poderosa em duelos. Mas nada havia ocorrido para que ele sobrepujasse nada. Fosse nada. E isso o incomodava de um modo pleno. Por isso, preferia a companhia de si mesmo ou da sua família que tanto admirava e o incentivava. Quando estivesse próximo de alguém, gostava de ajudá-los, mas seria mentira se dissesse que não esperava nada em troca. Queria reconhecimento. Queria fazer valer o seu sobrenome e a cor de seu cabelo. Queria ser uma das pessoas responsáveis por tirar o estigma da casa Lufa-Lufa.
O problema começou a aumentar quando ele entrou para o Quinto Ano. Os NOMs, as suas tentativas de começar a ser melhor como aluno e pessoa, sua ambição pelo que tem fora do pequeno planeta onde moravam, sua inabilidade de ignorar o leve caos que a adolescência causava na maioria das pessoas, tudo contribuiu para que Hugo parecesse cada vez mais cansado, e cada vez mais o lufano era visto perambulando pelos corredores de Hogwarts com uma cara que poderia ser facilmente confundida com a de um ghoul, se não fosse pelo seu cabelo cor-de-fogo e a pilha de livros que ele carregava em sua mochila, que mais parecia ter sido feita para acampamentos longos. Apenas as aulas de Música que começara a ter o distraíam de si próprio e das outras aulas, e apenas nelas a distração parecia algo adequado.
Infelizmente, nem sempre Hugo teria tempo para fazê-lo, e, neste dia, a caminho para a aula o Weasley lembrou que o seu trabalho sobre a Primeira Guerra Mágica estava, ainda, inacabado. E que sua parceira nele, a que o derrotara no ano passado num duelo particularmente acirrado, não aparecera em nenhum lugar na semana inteira desde que se viram mais cedo naquela semana justamente para discutir o trabalho. Por isso, suspirando pesadamente, o Weasley desceu os cinco longos andares entre a sala de música e o térreo, com o intuito de procurar a garota no campo de Quadribol, sabendo que ela era artilheira da Corvinal.
Andando apressado e com uma gota de suor na sua testa, ele atravessava o pátio com pressa, sabendo que o trabalho era para a manhã seguinte, quando foi parado por uma voz logo à sua frente, de uma pessoa que nem havia reconhecido até ela chamá-lo – a própria Kathelyn.
Aliviado por encontrá-la sem ter que cruzar os jardins numa tarde que com certeza acabaria em chuva, Hugo se apressou para se aproximar da garota, percebendo só quando já estava a poucos passos dela que ela parecia meio desconcertada de tê-lo encontrado ali, particularmente pela incredulidade em sua voz ao perguntar ao Weasley o que ele fazia por lá. Respirando meio pesado pelos cinco andares do enorme castelo descidos com tanta pressa, Hugo se dá um momento para respirar antes de respondê-la, fechando a cara um pouco para ela – Duvide se quiser, mas eu estava procurando-a. – Disse, sabendo no fundo que seu humor estava particularmente nocivo no dia. – Sumiu depois daquela tarde, sem nenhuma espécie de aviso, quando tínhamos um trabalho para fazer. É para amanhã, no primeiro horário, você sabe.