Estágio probatório, esse fora o status de Dirk no momento. Passado todo o drama a respeito do seu ‘escândalo de trabalhos e prova’, o jovem estava pisando em ovos em Hogwarts, todos os seus movimentos eram observados e qualquer deslize poderia colocar fim em sua carreira acadêmica. Tivera a sorte de ter pessoas compreensivas a seu lado, ainda que a severidade de seus atos não pudesse passar despercebida. Perdera o cargo de monitor e de capitão do time de quadribol, além de estar suspenso do time durante quatro partidas, o que certamente afetaria grandemente a sua equipe. O fato de ter exposto seus companheiros a um problema pessoa, ainda assombrava Dirk, não era justo que outros pagassem por seus erros, contudo era tarde demais para reivindicar qualquer coisa. Como um homem honrado, apenas abaixou a cabeça e aceitou sem reclamações as punições, não tinha direito algum de apelar. E mesmo com os esforços do corpo doscente de suprimir qualquer boato em relação ao ‘problema’ de Dirk, as parede de Hogwarts tinham ouvidos – quase que literalmente – e não demorou para que muitos conhecessem a desagradável mancha em seu registro acadêmico. O loiro que sempre fora ativo e popular, passara a andar cabisbaixo pelos corredores, nos ombros a marca de sua vergonha.
E então, veio o Feriado dos Fundadores, Dirk estava em Hogsmeade quando os atentados aconteceram e mesmo que aos olhos de muitos fosse apenas mais um estudante de Hogwarts, não hesitou em tomar frente e ajudar os amigos e demais feridos na ocasião, suas ações não passaram despercebidas e um voto de confiança fora posto sobre ele. Para ter seus cargos de volta, teria que andar na linha e manter o nível das notas elevados também era parte disso. Mesmo antes de ser monitor, Dirk sempre tivera um compromisso com os horários, raramente se atrasava para qualquer atividade, ainda que tivesse pouca relevância, as aulas estavam no topo de suas obrigações. Por seu grau de aplicação nas aulas e pela grade sempre preenchida, conseguira adiantar algumas matérias do sétimo ano, entre elas a de Feitiços, fazendo a carga horária dos dois anos em horários diferentes. O arranjo era eficiente, pois permitia que o loiro tivesse contato com outros colegas de classe, abrangendo seu circulo social, e bem, Dirk adorava poder adicionar mais conhecidos a sua agenda. After all, He loves a good party. Quando o professor Flitwick anunciou que o próximo trabalho seria em grupo, Cresswell não esboçou qualquer preocupação, trabalhos em grupo não lhe causavam qualquer tipo de intimidação, pelo contrário, até apreciava ter alguém para trocar anotações e enriquecer o aprendizado.
Aguardou até que seu nome fosse chamado para ver quem seria seu parceiro no trabalho e franziu o cenho quando o nome fora anunciado, tentando puxar de memória quem seria Delilah Stirling. Nada, nada vinha a sua mente, era como se a menina fosse um fantasma. E talvez ela realmente fosse, pois não havia sinal de qualquer Delilah Stirling nos primeiros quinze minutos de aula, levando Dirk a iniciar a tarefa sozinho, talvez fosse melhor assim, sem distrações e com sorte terminaria antes do prazo final. Já havia começado as anotações quando uma figura sentou-se ao seu lado, deixando a pena sobre a mesa, Dirk ergueu os olhos e observou a menina loira ao seu lado. Então essa é a ‘famosa Delilah Stirling’, pensou, ainda com os olhos fixos em Delilah. – Nada muito complicado. – Iniciou a fala, ignorando completamente o pedido de desculpas da garota. – Por ora, apenas descrever o feitiço ‘Lumos’ e as demais variações, como ‘Lumos Maxima’ e ‘Lumos Solem’. –Fez um gesto de pouco caso enquanto apontava para o pedaço de pergaminho no meio da mesa, com as diretrizes impostas pelo professor. – Acredito que seja para uma espécie de revisão, pois essa tarefa é ridícula. – Resmungou, voltando a fazer mais anotações no pergaminho, soltando um suspiro audível, deixando clara sua irritação. – Ou você tem alguma dificuldade nisso? – Parou de escrever e voltou a fitá-la, ainda que seu tom soasse mais agressivo, não tinha real intenção de insultar a menina. Talvez tivesse coisas demais na cabeça, talvez falhar em uma tarefa tão fácil não refletisse a nova imagem que quisesse passar para os professores. Ou talvez, a imprudência da garota lhe remetesse as suas próprias e odiava aquele sentimento de fracasso que agora o acompanhava. – Alguma dúvida? – Perguntou, sem olhá-la diretamente, a mandíbula resetada, outro sinal claro de irritação. O dia seria longo.