Pan fala-nos disso através das suas fotografias, dos velhos edifícios em decomposição, das máquinas escavadoras, da destruição, de algo que nos define como gente desta terra, a nossa paisagem urbana, com a qual crescemos e em que vivemos . Essa paisagem e essa memória viva está a ser destruida para dar espaço a uma nova, com uma velocidade de construção, voraz, esta nova paisagem imposta à população com a abertura das licenças do jogo a novas concessoras, no início do milénio. Numa cidade onde o espaço ocupou sempre o lugar de busílis da questão. É neste e por este espaço que segundo Pan se trava uma guerra, uma guerra pelas características de Macau, pela sua identidade física e urbana.
O problema de uma cidade feita para turistas, é o de uma cidade sem história, sem identidade e sem memória onde não se habita quanto mais se co-habita. O problema de Pan e de muitos outros, que cresceram, viveram nesta cidade é que a querem exactamente para isso, para vivê-la, viver nela, construi-la, construir juntos, partilhar e criar memórias. Em conclusão, lutar por ela, de certa forma, é o que Ieong Man Pan faz com este trabalho, um manifesto à vontade de lutar, de fazer ouvir, de acordar. Nas palavras do próprio artista – Faço esta exposição para tocar as pessoas daqui, para elas pensarem no futuro de Macau, na sua memória, na sua cultura. Macau precisa de mais artistas para fazer esta revolução, este trabalho, esta Luta.