Into the wild @Aberto
O tempo estava úmido e Claire continuava com sua tristeza sentada envolta de seus livros lendo e lendo. Os livros traziam pra ela outro mundo. Um mundo que parecia bem melhor do que ela estava. Um mundo sem toda aquela dor que sentia. De meia em meia hora sua mãe entrava no quarto com alguma comida ou agua. Ela realmente pensava que a garota estava doente por causa da morte da amiga. Ou então tentava mais uma vez anima-la para dar uma voltinha. Algumas vezes até dava certo, tão certo que às vezes até mesmo Claire pensava que conseguiria ficar feliz novamente. Terminado de ler mais um de seus antigos livros a loira levantou-se e o colocou na em cima de sua cômoda, olhou os portas retratos que se encontravam ali, olhou o sorrisos neles… Até que ouviu sua mãe no andar a baixo, mexendo na estante de bebidas. Ela odiava ver a mãe beber, isso a lembrava de seu padrasto. Ele sempre bebia, e o pior que voltava transtornado, ele já não era bom sã, e quanto bebia ficava pior ainda e fazia tudo aquilo que doía demais nela lembrar de novo.
Desceu as escadas lentamente e observou sua mãe. Ela chorava, bebia e fumava. Tinha uma grande acumulação de fumaça tocando o teto de sua sala. A garota voltou devagar ao seu quarto, com os paços leves para que sua mãe não a escutasse. Colocou um casaco, implantou um sorriso falso no rosto e desceu as escadas rapidamente. “Mãe eu vou sair um pouco, ok? Uma amiga minha me chamou para ir ao shopping… Por que esta chorando?” Sabia que essa grande mentira faria sua mãe ficar feliz. E deu certo, Claire deixou a casa com sua mãe lá dentro sorrindo. Pensando, mais uma vez, que a garota estava seguindo em frente, mas o que Claire queria era que pelo menos sua mãe ficasse feliz. Seguiu pela escura rua sem rumo. Não tinha ideia do que poderia fazer naquela hora. Então decidiu ficar zanzaguiando pela cidade por uma meia hora, ou mais, assim sua mãe pensaria que ela realmente tinha saído com alguém. Depois de uma longa caminhada, Claire, decidiu ir até Georgia’s House, lá era calmo, e com certeza não teria ninguém com as mesmas perguntas de sempre ou tentado deixa-la animada. Deu meia volta e seguiu pelo caminho mais curto possível até Georgia’s House. Entrou na floresta escura, mas depois de uma pequena caminha pode ver a linda, e enorme, casa entre as arvores. As luzes estavam acesas, mas mesmo assim não poderia ter ninguém ali, pelas janelas ela não via nada vivo dentro da casa. Entrou e depois de ter certeza que não tinha ninguém ali, sentou-se no chão e ficou a pensar na vida. Pensou tanto na vida que nem percebeu que alguém tinha chegado lá.
- Olá – disse Claire meio rouca, sua voz custou a sair, para uma menina de longos cabelos castanhos que nunca tinha visto na vida.
A Casa era imensa, bem iluminada e de aspecto luxuoso. Summer se alegrou e sorriu. Um pouco de sofisticação não seria má ideia afinal. Adentrou as portas de madeira ofegante, havia corrido até ali. A adrenalina fizera milagres em seu interior, já não se sentia mais nostálgica, ou triste com a nova vida que fora submetida a ela. O interior do lugar era como uma bela casa de campo de uma família rica, era calmo, mas todas as coisas caras assumiam um brilho especial para ela, como um verdadeiro radar de coisas fúteis. Summer ficara tão impressionada com a casa, que mal notara uma garota sentada em um canto do sofá concentrada em um ponto fixo do chão, como se houvesse algo muito importante por ali. Ela achou melhor ir com cautela, e andou com pequenos passos em sua direção.
- Olá - Summer respondeu. - Não sabia que tinha alguém por aqui.
A garota era loira, seus cabelos curtos eram levemente ondulados e suas feições eram extremamente delicadas. Ela era bonita, do tipo que faria Summer morrer de inveja. Mas seu semblante estava tão triste e seus olhos estavam tão carregados de sentimentalismo que ela não pensou nem por um segundo que queria se colocar no lugar dela. Não sentiu pena, ou compaixão. Estes eram sentimentos para os fracos. Lembrava-se muito bem de como as pessoas a trataram quando a mãe morrera, e de como se sentia enfurecida. O que fosse que essa garota havia passado, era passado, como é propriamente dito. Summer se pegou pensando, por um momento delirante, de como essa cidade deprimente necessitava de uma festa, de um pouco de diversão. Mas com um assassino a espreita, as pessoas sempre agiam com cautela. Nada de agitação.
- Sou Summer Lancaster, da Inglaterra. E você é...? - Ela continuou se sentando ao lado da garota e sorrindo.















