Strength and Weakness || Dendy {Plot Twist Part I}
Acredita no poder dos pensamentos positivos, que além de gerar bom humor, poderia alterar de alguma forma o mundo externo. Talvez fosse uma pessoa positiva demais, mas para Wendy era importante ser assim. O mundo não era uma fábrica de desejos e felicidade, muito pelo o contrário. Se não pudesse ajudar a trazer luz para escuridão, o que seria da humanidade no final das contas? Ela olhava para Dedalus e sorria. Sempre foi positiva em relação ao amigo, esperando que com o amadurecimento certo e ao passar do tempo pudesse deixar sua timidez de lado e pudesse ser mais sociável. No entanto uma partezinha dela costumava dizer que ele não mudaria nunca e ela não se importava com isso. Queria ver o bem do Dedalus, mas ela o achava perfeito do jeito que era. Qualquer um que o conhecesse poderia verificar isso. Umas mudanças sutis era tudo que o rapaz poderia precisar, o resto podia continuar intocável. Se ninguém mais gostasse do seu jeito, ela continuaria gostando pelo resto da vida. E, espera do fundo do seu coração, que não bagunçasse as coisas entre os dois. Seus sentimentos estavam confusos e muito profundos para seu próprio bem. Wendy tirou o sorriso do rosto lhe forçando não ser tão amável quanto estava desejando e ser a mesma amiga de sempre. - Como é que é? - Perguntou estreitando os olhos. - Está afirmando que eu sou potencialmente problemática? - Cruzou os braços em um ato birrento e pouco maduro. - Eu sou normal demais, está bem? Sou a salvação do seu círculo ridiculamente pequeno. Nunca se esqueça disso. - Controlou sua diversão contra o desgosto da mania que ela possuía de lhe apertar as bochechas. Estava se fingindo de brava, ela não o deixaria atrapalhar sua atuação. E quando empurrou sua cabeça sem muita delicadeza, ela lhe jogou um olhar duro, mas logo virou o rosto para soltar uma risada. Não dava para ficar muito séria perto de Dedalus.
- Então, - disse se ajeitando e tornando a ficar um pouco séria - se você tivesse outra pessoa que te aturasse tanto quanto eu aturo, você consideraria a opção de enjoar de mim? - Olhou-o em silêncio sustentando o olhar. - Bom saber. - Deu batidinhas em seu ombro como se tivesse decepcionada, quebrou o abraço e se afastou dele. Só estava implicando com ele para que o rapaz, tão observador por acaso, pudesse perceber qualquer diferença em suas atitudes. Wendy acabava sendo mais doce e carinhosa nos últimos dias e isso estava dificultando suas ações perto de Dedalus. Ela não deveria se sentir assim. Sabia como um relacionamento entre amigos poderia terminar, afinal, tinha a experiência com Victor. Uma experiência por vida estava ótimo. Por mais que justificasse a si mesma de como deveria se concentrar em outras coisas e matar todos os desejos contrários a natureza do curso que deveria seguir, não conseguia alcançar seus objetivos. Estava começando a ficar frustrada consigo mesma.
Wendy sorriu. Dedalus estava longe de realmente ser uma pedra no sapato. Era uma extensão dela mesma. Não se imaginava sem o rapaz. Mesmo se não estivesse sentindo nenhum desejo estranho por ele, não conseguiria ficar sem seu melhor amigo. Ele estava presente na sua vida desde que entrou em Hogwarts e suas vidas já estavam interligadas até na vida externa de ambos. Continuou o arrastando para seu dormitório. Como previa estava vazio. Enrugou o nariz ligeiramente para a bagunça que os meninos costumavam fazer. Porque não poderiam serem mais organizados e limpinhos? Não era algo de mulher, era algo higiênico e necessário. Ainda bem que existiam elfos no castelo para ajudá-los. Imagina se tivessem que se virar… Possivelmente não estaria ali naquele momento. - Há coisas tão memoráveis quanto. Ou até mais. - Respondeu virando-se de frente para ele. Ficaram se olhando e aquilo, pela primeira vez lhe incomodou. Limpou a garganta e deitou-se na cama de Dedalus, como costuma fazer. Esperou que o amigo a acompanhasse, assim eram seu costume. Talvez um pouco de normalidade trouxesse sua consciência plenamente de volta. - Você está perdendo um ótimo evento. - Começou por falta de assunto. Dessa vez, eles estavam com cabeça lado a lado, não invertidos. Wendy estava evitando o olhar. Desejava que seu melhor amigo não percebesse sua estranheza, não saberia como lhe responder e seria incapaz de mentir.
Dedalus reprimiu um sorriso e acenou positivamente com a cabeça. - É isso mesmo. Parabéns, você ainda não está surda. - Cruzou os braços também, imitando a expressão da ravina. - Ver você bater o pé não vai me fazer mudar de ideia quanto a sua sanidade. O máximo que a senhorita pode conseguir é abrir um buraco no chão. - Não daria o braço a torcer mesmo sabendo que ela estava certa. Problemas emocionais, familiares ou psicológicos era o que o grupo tinha de melhor. Ele adorava essa característica, aliás. Eram como um grande clube dos lamentos, mas sem a parte das lágrimas. - Você está sendo má com alguns dos seus próprios amigos, não se esqueça disso. Tilden pode até chorar quando souber das suas palavras, senhorita Wendy-a-mais-normal-de-todos-os-meus-amigos.
Bufou ao ouvir o pequeno drama da garota. - Vou fingir que você não está usando chantagem emocional comigo. - Aproveitou para fingir que não havia ficado com um pouquinho de peso na consciência também. Wendy era uma das coisas mais maravilhosas que haviam entrado em sua vida e Dedalus nunca soubera como demonstrar a importância que aquela amizade tinha para ele. Era fácil ser implicante, mas carinhoso ou expressivo não eram características lá muito presentes no rapaz. Ainda assim, fazia o que podia. - Mesmo que isso acontecesse, o que é absurdamente improvável, eu não seria obrigado a aturá-la de volta. Poderíamos ter uma relação unilateral onde nossa personagem hipotética corre atrás de mim e eu passo meu tempo reclamando com você. - Cruzou os braços, dando fim ao seu discurso. Estava orgulhoso da sua escolha de palavras e com um sorriso satisfeito no rosto. Ela não poderia reclamar de negligência agora. Dedalus começava a achar que ninguém conseguiria tomar o lugar que Wendy ocupava em sua vida, na verdade, e não podia deixar de ficar assustado com a constatação.
Entrou em seu dormitório chutando um bolo de roupa que estava em seu caminho. Provavelmente, seu uniforme do dia anterior. Aquele lugar estava se transformando em um chiqueiro, mas nenhum dos garotos se voluntariava a, pelo menos, tirar suas coisas do chão. Dedalus até coagitou a ideia de arrumar tudo aquilo sozinho, mas apenas olhar para o que parecia ser um rastro de furação já lhe cansava. No fim, arrastada tudo para de baixo da cama e fingia que estava tudo certo. Pendeu a cabeça para o lado, pensando sobre o que ela dizia. - Realmente. Uma mordida de dragão, provavelmente. - Opinou, enquanto retribuía o olhar de Wendy. Ela parecia concentrada em seus próprios pensamentos enquanto Diggory ainda pensava em como uma mordida de um bicho enorme como aquele poderia facilmente arrancar um braço. Não que eles saíssem por aí desmembrando pessoas, queimar era muito mais eficiente. Por fim, a movimentação da ravina cortou sua linha de raciocínio e seguiu o movimento, quase como uma ação involuntária. Sentou ao lado dela dessa vez, pois seu travesseiro estava parecendo um apoio muito confortável. A madeira do lado oposto machucava suas costas. - Já sabemos que as nossas definições de ótimo são bem diferente. - Rolou os olhos. Ficar em silêncio era ótimo. Ficar no meio de adolescentes barulhentos, não. - Está se divertindo? Ouvi dizer que Rosmerta está muito feliz com o aumento da venda de álcool. - Pegou a mão de Wendy e trouxe para seu colo, brincando com os dedos da garota.











