quem quiser saber quem sou
me dê um lapis e um papel
vou desenhar o meu retrato.
fui uma criança feliz, mas
em busca de um novo ninho.
eu alimentava os passarinhos
levantava bem ligeiro, pegava
não me importava com frio.
levava um fornel bem farto
e dizia que eu era livre.
muitas marcas, muitas dores
foi quando aquelas olhos cor de mel
e eu lamentei minha sorte
pois mais uma vez a morte
levava tudo o que eu tinha.
eu me pergunto se eu mereço
ter um alguém para cuidar.
eu sempre quis muitos filhos
mas meus olhos perderam o brilho
estão cansados de esperar.
as doenças foram chegando
pouco mais posso esperar.
para aqueles que mais chegar.
eu já fui pantera que rugia
mas meu passado foi de gloria
essa é só mais uma história
da china que vem do mato.
autobiografia de minha avó materna - Zilá