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Nunca tenha verdades eternas, experimente sempre.
Skinner. (via involuntus)
Há uma força motriz mais poderosa que o vapor, a eletricidade e a energia atômica: a vontade.
Albert Einstein. (via promisse)
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O Beijo da Morte
Há um tempo eu conheci um anjo. Ele me ensinou as melhores e piores coisas que eu poderia saber, ele me mostrou o lado da vida na qual nunca poderia imaginar conhecer um dia.
Sua absurda beleza me tirava o sono, e seus olhos tão negros quanto o complexo universo, sugavam qualquer ideia da minha mente, deixando-me imune aos mais impuros pecados.
Ele me olhava inexpressivo, como se seus pensamentos fossem indignos demais para que eu pudesse estar ciente destes. Eu estava completamente maluca por seus lábios vermelhos, e simplesmente cobiçada por sua resposta aos meus sentimentos. Mas ele não ligava para a minha ansiedade, e apenas deixava aquele irônico sorriso, o mais filho da puta e perfeito sorriso que eu já vi na vida.
"- Eu preciso lhe contar algo." - Ele disse.
Estávamos deitados à beira de um lago, tendo como telespectador apenas o pôr do sol.
"- O quê?" - Virei minha cabeça para notar-lhe sem qualquer manifestação de expressão. Meu ventre se contraiu pelo peso do momento, e mesmo sem ter noção da gravidade de suas palavras, apoiei em meus cotovelos esperando pelo pior.
"- Eu estou completamente louco por você" - virou seu corpo para mim, apoiando a cabeça na mão, o braço no chão, e me olhou nos olhos, do jeito que só ele sabia. "- Mas eu não sou aquilo que pensa."
"- Você é um anjo?" - Eu hesitei antes de fazer-lhe tal pergunta. Se fosse qualquer outro momento, eu teria enfiado minha cabeça sobre a terra, por vergonha, mas alguma coisa dentro de mim me tirou qualquer preocupação inútil. E afinal, este pensamento vinha me corroendo a mente desde o dia em que o conheci. A origem deste, foi por lembrar que até meus doze anos de idade, um anjo cuidava de minhas noites. Mas não era apenas por isso... o anjo dos sonhos era exatamente igual à este a minha frente.
"- Sim..." - Seu rosto era neutro, mas eu não pude evitar de sorrir, após o choque.
"- Era você em meus sonhos?"
"- Não eram sonhos." - Ele se aproximou de mim, e sussurrou as palavras, seus lábios estavam à uma pequena distância dos meus.
Eu desejei por este momento desde os meus mais íntimos sonhos, e era difícil acreditar que àquele não fosse mais um.
"- Eu sempre soube..." - Fitei-o, e seus olhos antes em meus lábios, agora se encontravam com os meus. Eu não estava mais aguentando a distância, e assim que me inclinei para tocar-lhe a boca, ele recuou um pouco.
"- Mas não se iluda comigo." - ele se inclinou sobre mim, fazendo-me deitar novamente, tendo-o tão perto, sentindo seu calor e sua respiração. "Mesmo a amando, eu ainda preciso da sua alma."
"- O quê?" - Questionei, perplexa.
"- Eu sou um anjo da morte." - Seus cabelos negros caiam por sua face, e seus olhos pareciam ferver aos meus. Nada mais fazia sentido. O anjo na verdade era o demônio.
Um silêncio mortal se propagou naquele instante.
"- Se me ama por que me matar, então?" - Vociferei por fim, mas apesar do tom rígido, tudo em mim estava completamente mole.
Ele sorriu, o sorriso mais lindo, e logo senti seus dedos tocarem meu rosto, queimando por onde passavam.
"- Você está condenada e nada posso fazer para mudar seu destino, você o decidiu e agora tem que aceitá-lo. Se a sua preocupação é a morte, acredite, ela está longe de ser o fim."
"- Eu não quis morrer!" - Gritei com as lágrimas já embaçando minha visão. "- Por favor..."
"- Seu corpo já não tem força, e seus pulsos já não possuem movimento. Está prestes a entrar em coma... não vou deixá-la sofrer..."
Eu levantei meus braços e notei os dois cortes profundos, cicatrizados. Meu destino estava condenado, e infelizmente fora por minhas escolhas...
Meu corpo estava jogado naquele quarto escuro, o pó branco em cima de uma pequena placa de vidro denunciava a minha insanidade. Dos meus pulsos o líquido vermelho se propagava pelo chão, e minha respiração levemente se dissipava. Não doía mais, e meus olhos seme-abertos visualizava a minha própria morte. Era triste e solitária.
"- Nos veremos em breve..." - Ele sorriu e passou o dedo sobre meu lábio inferior. Apenas acenei com a cabeça respirando profundamente. Passei meus braços em torno de seu pescoço e sorri, abrindo espaço para que o deixasse levar todos os meus ressentimentos, e almejei loucamente seu último toque.
Ele entreabriu os lábios e logo tocou-lhes nos meus, um beijo profundo e desejoso que aos poucos me sugava a cor, deixando-me opaca. E aquele foi o último beijo da minha vida. O beijo da morte.
- Hainel.
É como se eu sentisse que há algo por ai... apenas me esperando...