Tatiana Lucila Castaño 2016
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@tabacaxi
Tatiana Lucila Castaño 2016
Soñé que nos perseguían grupos militares armados. Estábamos organizados en diferentes grupos, de varias personas, y teníamos que escondernos para que no nos acribillaran. Habíamos desarrollado un sistema digital en el que nos eescondiamos dentro de casas modeladas en el espacio virtual. Nos envolviamos en frazadas oscuras y nos pegabamos unx al lado del otrx, paradxs contra la pared donde nos camuflabamos. Las fuerzas militares habían descubierto nuestras casas digitales. Entraban y nos buscaban, mataban a algunos. Dentro del espacio digital se iban desarrollando diferentes formas de escondernos a medida de que ellos nos encontraban. Escapando de una casa que habían descubierto y que pronto atacarían, la directora Pat nos guío hacia un tubo al estilo Mario, donde nos metíamos dentro de otro software, más primitivo, y donde cada unx se transformaba en un archivo comprimido con su nombre. Cuando alguien ingresaba al tubo, aparecía dentro del sistema literalmente como un ícono de una carpeta con su nombre. Había algunas personas que, del otro lado, no se transformaban en ícono, quedaban con la misma forma humana pixelada, digitalizada, y eran las que podían volver al mundo material para traer a lxs compañeros convertidos en archivos al mundo material de vuelta.
ROBERTI, Tatiana. Mail: [email protected]
POSE MIKAELIAN, Nuria. Mail: [email protected]
Spirited Away (2001) Tea Time!
No tempo da minha avó a música popular que tocava era o tango ou a milonga, no tempo da minha mãe foi rock nacional, no meu tempo foi a cumbia ou o reggaeton. Os tempos e as histórias mudam, e também mudam as costumes da sociedade em conjunto. E, por exemplo, a minha avó nunca entendeu a cumbia nem o reggaeton, mas eu também não entendia o tango quando eu era mais nova. Eu achava ele muito chato, triste, mas eu via que pessoas que eu admirava muito gostavam desse ritmo. O tango é o orgulho argentino.
Eu entendi, faz não muito tempo, que as tradições podem nos trazer um sentimento de pertença, de casa, de comunidade, de amiguxs, memórias lindas e compartilhadas. Eu comecei a gostar do tango quando vi que era um reflexo de outro tempo, e que tinha uma enorme carga cultural e emocional da sociedade do momento onde ele surgiu. Eu aprendi a respeitar o tango, e eu estou muito a favor de trazê-lo aos ouvidos de todxs hoje, para as pessoas saberem que existiu e existe. Se não for reproduzido, talvez alguém nunca tenha acesso a esse tipo de música, e nunca iria conhecê-lo, e se isso acontecer no passar dos anos poderia sim ser esquecido.
Eu fiquei refletindo com o caso da festa junina brasileira e das músicas tradicionais, como o forró, sendo desplazadas por novos ritmos, como o sertanejo, e eu vejo uma situação similar. Eu acho que deveria existir sim algum tipo de cuidado e resguardo dessas manifestações culturais tradicionais do nordeste brasileiro pelas instituições governamentais e educativas/culturais. Essas manifestações são muito importantes para a região. Elas são únicas no mundo, elas brotaram de um lugar geográfico específico, num momento histórico específico. Proliferaram, e muitas pessoas se identificaram e se identificam ainda hoje em dia com elas. Existem datas e momentos especiais para relembra-los, desfruta-los e respeita-los.
Eu acho que o sertanejo não deve invadir uma festa tão particular como e a festa junina, porque ele não tem nada a ver com ela. Eu acho que só seria apropriado acompanhar os festejos da festa junina com novidades musicais se elas estiverem relacionadas com aquela primeira tradição, se elas a representassem. Eu quero dizer, se elas tiverem a mesma raiz, se a referência for muito clara, se tiverem o mesmo ponto de partida, seja geográfico, social ou cultural. Se aquela novidade não tiver nada a ver com a cultura própria do território, eu acho que lá começa um desplazamento(?) da cultura regional que pode trazer consequências negativas, como a perda da própria identidade, chegando a invadir muitos outros âmbitos como a linguagem, a cozinha, a forma de nos relacionarmos. Mas, porque que que eu acho que a identidade é tão importante? Se nós não temos uma identidade própria, não temos chão onde pisar e pensar o que fazer adiante. Não temos história, nem bases, nem referências. Nesse mundo globalizado e capitalista, o mercado pode ocupar esse lugar da identidade e determinar os nossos alcances e limites, emoções e principalmente os nossos desejos. O sistema colonial e eurocêntrico é voraz, e pode arrasar com as culturas que não lhe servem aos seus interesses. Devemos cuidar a nossa cultura, o fio que une e gera o sentido de comunidade.
Eu acho muito importante, também, reflexionar sobre o termo tradicional. O que é que se considera "tradicional" na cultura? Quanto tempo demora um elemento, costume, crença ou um comportamento em ser considerado uma tradição?
Eu escrevi um trabalho de investigação sobre o termo "tradicional" utilizado na indústria da contrução na argentina. Aqui, a construção com tijolo, cemento e béton é chamada de tradicional, mas essa técnica é uma técnica construtiva moderna que não é única e representativa dessa parte do planeta, mas é sim a única aceitável para o homem capitalista moderno. O lobby e os interesses das empresas da indústria da construção desvalorizaram, por exemplo, a construção com terra crua, e hoje ela está até proibida por se considerar suja, instável e insegura. A construção com terra tem muitíssimos benefícios, um deles é a utilização da terra local como material de construção, sem precisar comprar outro material industrializado. Então eu fico refletindo, são os nossos próprios interesses os que definem a nossa identidade ou são os interesses de quem?
#elonce #once #caba
[16/5 10:08] Tatiana: Oi! Bom día para você que dormiu bem à noite com DoceSonho! E se você ainda fica com insônia, ansiedade, está nervosx e não consegue descansar bem, eu te apresento esse produto que pode mudar a sua vida. DoceSonho é uma balinha colorida feita com ingredientes naturais que nos ajuda a relaxar e dormir profundo para ter descansos de qualidade. Se estiver interessado ligue ao número 0810 9993 DOCE.
[16/5 10:08] Tatiana: Oi, meu nome é Gabriela Kiwi e eu queria compartilhar a minha experiência consumindo o produto DoceSonho.
Em março do 2020, no começo da pandemia, eu fiu diagnosticada pela minha psiquiatra com um quadro de ansiedade grave. Eu não conseguia dormir à noite, eu ficava como uma coruja olhando para o teto do quarto, e quando olhava o relógio já tinha que sair para o trabalho de novo. Esses episódios aconteceram por quase um mês e meio, eu não conseguia nem ver, escutar ou trabalhar direito. Um colega do trabalho, o Tales, me apresentou o DoceSonho, ele tinha atravessado uma situação parecida um tempo atrás. Ele falou que demoraria umas semanas em fazer efeito, já que a dose dos componentes naturais do remédio e baixa para não causar um choque no organismo. Depois de quinze dias, eu comecei a me relaxar um pouco, e consegui dormir uma noite inteira. Essa noite eu sonhei muito. Nesse sonho eu vi todas as coisas que eu tinha medo de enfrentar, eu briguei bêbada com pessoas na rua, eu chorei, achei uns amiguxs numa praça e me abraçaram, depois fomos para a praia e entrei no mar com roupa. Nadei até uma ilha onde eu achei um tesouro, muitas moedas de ouro e um cofre. Dentro do cofre tinha uma carta, dentro da carta um papel que dizia, me perdoe. E eu me perdoei e perdoei a todxs.
Depois de esse sono eu consegui viver uma vida mais tranquila, a diferença foi realmente significativa. Eu procurei papers e investigações sobre os componentes do DoceSonho e achei algumas coisas mas nenhuma dessas ervas foi estudada com intensidade pela ciência. Eu entendi que não conhecemos todos os secretos desse mundo, e que tal vez é impossível conhecer tudo. Que as plantas podem ser mágicas, que elas podem nos ajudar nos momentos certos.
(atenção: contém ironia)
Cartas de leitores, jornal Clarín, Buenos Aires.
Boa tarde, meu nome é Maria Mercedes Brownie, eu tenho 63 anos e moro no bairro de Caballito, no centro geográfico da Cidade mais importante da Argentina, a capital federal. Sim, eu sou portenha, e com muito orgulho. De mãe inglesa e pai espanhol, eu cresci e morei quase toda minha vida no bairro de Recoleta, mas faz uns meses resolvi vir morar nesse bairro. Esse AP é o antigo apartamento da minha filha, Felicitas, que ficou livre quando ela resolveu morar nos EUA depois de uma viagem para Miami com amigas. É Ela fez bem, lá tudo é perfeito para gente como nós. Ela se foi é eu gostei da ideia de vir aqui, eu até queria tirar umas férias do meu marido. Enfim, eu estou escrevendo e publicando no jornal essa carta para fazer uma reclamação sobre um assunto que vem tirando meu sono desde que cheguei no bairro. Eu sou uma profissional, sou cirurgiã, uma mulher normal, mas tenho determinados códigos de estética visual e de estética moral. Para ir comprar por exemplo, sushi, eu tenho que atravessar todo o parque Rivadávia, e toda vez que passo eu vejo muitas pessoas, que claramente não são do bairro, achando que isso aqui é a Bristol de Mar del Plata. Eles vem com as suas cadeiras de praia, tiram os sapatos, dormem na grama, fumam, bebem mate, jogam as crianças no parque e elas correm e gritam e empurram a gente. Eu até vejo as crianças passando a tarde toda na fonte de água deixando a água cinza. Eu tentei atravessar o parque pelo menos duas vezes para chegar até o Million Sushi, mas eu fico com muito medo e desgosto dessa apropriação do espaço que eles fazem. Esse parque é tão lindo, e ainda leva o nome de Rivadávia, tio do pai do meu pai, e uma figura histórica para nosso país. É uma pena ele ficar perigoso e desvalorizado assim. Eu sinto que eu fico impedida do meu direito de transitar e comprar livremente. Então, eu pago meus impostos para quê? Eu queria, por favor, que alguém escutasse o meu reclamo. Esse bairro não é o mesmo de antes. Eu me sinto aprisionada, só quero ser livre. O que eu proponho para vocês, vizinhos da paz, é, momentaneamente, construir uma passagem subterrânea privada até o local de Sushi, exclusiva para os vizinhos nativos do bairro. Eu já conheço duas vizinhas do prédio que estão dispostas a financiar o projeto, e meu neto é arquiteto, ele poderia desenhar os planos. Eu só quero justiça, que os meus direitos sejam respeitados, que a minha voz seja escutada. E senão, compatriotas, sabemos que a única saída é Ezeiza.
Santa Ana Amor
Valle Colorado <3
Tortilla de David
Refugio del Tapir, Fuente del Jaguar, Jujuy