(log) Juramento de saliva.
Personagens: No Minwoo & Son Junhoe (junho) Classificação: Livre. Observações: Log privada.
Estava melhor que antes, com certeza, mas em outro momento talvez assumisse que aquele Junho de agora é um tanto forçado. Quer dizer, brincadeiras e afins só pois não quer mais ninguém perguntando o que aconteceu e como está. A não ser Minwoo, com o "partner" talvez pudesse só... relaxar. E assim, deixando a feição mais sisuda transparecer, ele bate à porta do quarto do mais novo e o espera. Levara somente uma mochila com a farda e uma toalha que usaria no outro dia, pois sua intenção era dormir por ali mesmo.
A semana estava sendo difícil em questão de transferência dos conhecidos, e se estava sendo difícil pra Minwoo que não tinha laços realmente fortes com eles, pensava como estava a cabeça de Junho. Era com tal motivo que o garoto mais novo acabava chamando o amigo para o quarto numa tentativa de fazê-lo sentir menos, ou de não se importar tanto. Jogava uma partida de Love live no celular quando os toques na madeira ressoaram pelo quarto, avisando que alguém havia aparecido. Levantou-se, jogando o celular no colchão e indo abrir a porta para a única pessoa que lhe visitava atualmente. — Jun, entra aí! — Dera boas vindas apenas pelo costume, fechando a porta quando o mais velho já se encontrava dentro do cômodo. — Vai querer sorvete de que? — Sorriu, dirigindo-se para a mini-geladeira que existia no quarto com a intenção de pegar dois potes para a noite.
ㅡ Oeh. ㅡ Murmura de volta, assentindo discretamente com a cabeça ao passo que adentra o quarto. Ele tira os sapatos de realmente entrar e deixa a mochila próximo a estes. É quase automático ir até a cama que não mais ocupada. ㅡ Do que tiver. ㅡ Gostava mesmo de misturar coisas. Quando senta, é com as pernas cruzas sobre o colchão. Suspira, logo esfregando o rosto só para depois mostrar o sorriso. Um sorriso amargurado. ㅡ O MinSoo também foi embora. Os dois foram embora. Dá pra ser melhor?
á que não existia preferência pra nenhum dos dois, Minwoo só acabou pegando qualquer um, sendo coincidentemente um de flocos e outro napolitano. Não chegou a abrir, tomando posse de duas colheres pra que pudessem fazer uma festa não tão animada assim. Sentou-se a ponta do colchão ocupado pelo inquilino, entregando um dos potes para o mesmo. — Eu fiquei sabendo... Ou alguém está caçando os meninos perdidos, ou só ta dando muito errado tudo. — Comentou sem muita vontade, apesar de ser do tipo que fala o que pensa sobre as coisas, não conseguia deixar de medir as palavras com situações complicadas da qual não conseguia compreender. Abriu o pote de flocos, tomando uma colherada do mesmo, assim pelo menos não se sentiria na vontade de observar o mais velho qual provavelmente queria um pouco de paz. Tentava formular alguma outra frase motivacional, porém como alguém que já quase havia se transferido sem levar em consideração os poucos amigos, não tinha muito que falar.
Aquilo tinha um certo humor... ácido, provavelmente. Um humor que quando Junho o olha, agora com os dedos já sentindo o gelado do pote de sorvete, percebe que não é dito com maldade. Ao menos não aparentemente. Ele desvia o olhar, então, para o sorvete e engole um tanto da saliva - desce difícil uma vez que trinca os dentes no ato. Saber que eram parte dos "Meninos Perdidos" só fazia doer mais, pois em algum momento - talvez, desde o começo - aquilo tinha sido levado à sério para ele. E amigos são tudo para Junho. — Bem... — Murmura ainda com os olhos no sorvete que dessa vez cutuca com a colher antes de enchê-la. — Já tô esperando vim algo certo. — Não há mais o que falar, e então enfia a colher na boca, enchendo; franzido o cenho porque os dentes doem com o gelado. Napolitano. Engole de uma vez não só para parar com a dor, como para falar. — Eu não... Eu só não contava mesmo. Acho que.. A saída de Kai doeu ainda mais. Ele era... mesmo importante para mim, mas... Parece que isso não era recíproco. Desculpa te fazer ouvir isso.
Estava focado no sorvete, ainda não se sentindo preparado para encarar Junho. Não existia bem um motivo certo pra isso, apenas não estava confiante e muito menos útil de verdade como apoio. Era assim que ele se via, nem pra ajudante de super herói ele servia. Mas a confusão lhe venceu, obrigando-o a olhar com confusão para o amigo. — Algo certo? — Perguntou por curiosidade, porém parando pra pensar não sabia se era algo pessoal e o mais velho só teria falado da boca para fora. Porém o que veio depois obrigou-o a abaixar a cabeça novamente, ouvindo-o enquanto brincava com o sorvete. Não queria ser intrometido, então não se preocupou em perguntar novamente. Entretanto parecia que Junho gostava de Kacchan e mais do que nunca Minwoo se sentiu impotente... Porém eles podiam ser só amigos, burro. Nem todo mundo era gay, tinha de se lembrar disso. Levou a colher com o sorvete de flocos a boca, saboreando-o enquanto pensava em alguma coisa. — Tudo bem, não precisa se desculpar... É triste e eu acho que dá pra te entender. Mas talvez você esteja sendo muito pessimista. — Respirou fundo, tomando um pouco de coragem pra tentar ser uma boa pessoa tal como sempre tentava ser. Usou o pouco de experiência que tinha com aquilo, colocando-se no lugar do ex-colega de quarto para tentar ajudar. — Vai ver era sim recíproco, mas às vezes as coisas se complicam e a gente não pode ou consegue dar essas notícias pra quem é importante... E eu acredito muito que esse tenha sido o caso do Kacchan. Ele não era uma pessoa ruim e parecia gostar bastante de você. — Porém de que adiantaria tentar ficar remoendo tal ideia para Junho? Poderia deixar ele bem pior... Mordeu o lábio inferior, enfiando mais um pouco do doce na boca numa tentativa falha de se calar pra sempre.
ㅡ Algo certo. Algo certo nisso tudo que parece só... vim... errado? ㅡ Os lábios se apertam antes de umedecê-los. Provavelmente fosse assim mesmo: um passo para frente e outro para trás. A noite bacana no acampamento, aquele sentimento estranho; uma reconciliação, e uma perda. E no fim, Junho sente que não anda. Odiava crescer, isso só vinha lhe dando dor de cabeça e "heart breaks". Dói tanto assim por mais de um motivo. Ele e Kacchon tinha mais que uma simples amizade, era quase sobre sobrevivência. Ou algo assim. A verdade é que Kai era aquela peça, aquele ponto em sua vida, em que se sentia útil. Kai era alguém que confiava a vida em si, ou ao menos era o que achava - independente de verdade ou não, sentia isso. Sentia que tinha alguém que não o via como um delinquente problema; um punk. E a sensação de poder ser responsável é boa, de fato. Sentia-se assim por Kacchon, logo, era com este que Junho conseguia aquilo que tanto tem dificuldade: calmaria e quietude. Podia deitar e fazer o outro voltar a dormir após os pesadelos, podia fazer isso com toda paciência que normalmente não tem. Mas agora - puf. Uma mordida no canto interno dos lábios e ele volta à realidade, espiando o mais novo pelo canto dos olhos, ouvindo-o num silêncio que nem de longe é seu normal. A não ser com Kai, naquelas noites. ㅡ Mas isso não muda o fato de doer. Não muda o fato de que nunca vou saber se ele se importou em dar um... mero tchau ou não. Eu- ㅡ Os lábios colam. É Minwoo. ㅡ Quando a gente voltou do acampamento... Parecia como se tivéssemos brigados. Mas nós entendemos e... algo aconteceu. Foi só um beijo. Eu deixei isso acontecer porque... por que não? Era o Kai. E nem foi tão... agoniante. Foi até... legal. Ele me conhece, ele sabe que isso é... difícil para mim. Enfim. Acontece que ele disse coisas que... agora dói para caralho saber que ele simplesmente vazou sem tchau. Eu só queria isso, um tchau, porque incomoda ter perdido, acima de tudo, um amigo. Eu não ligo sobre beijar, eu não ligo para essas merdas, mas ligo para o que ele falou e agora foi tudo tipo BUUUM. Eu posso estar exagerando, mas aí culpa minha cabeça e aqui... ㅡ E aperta a ponta do polegar sobre o coração. ㅡ Porque eles dois não conseguem me ajudar em nada. Eu não tô conseguindo controlar.
As palavras fugiam da mente de Minwoo a cada momento, a cada expressão dos sentimentos sentidos e do quão a saída do japonês havia machucado o amigo. Minwoo nunca precisou passar por experiência parecida, sempre havia evitado sem perceber. Sua falta de tato com as pessoas, seu afastamento delas, tudo isso em certo ponto era pra se proteger do que Junho estava sentindo e agora, sentia junto com o garoto. Às vezes era horrível ter empatia demais, sempre acabava se colocando totalmente no lugar da pessoa. Brincava com o sorvete já sem muito interesse, era como se alimentasse da fala alheia e das próprias, que não aparecia de jeito nenhum. Queria ajudar, mas como? E naquele instante, Minwoo se odiava por não ser um bom amigo, e se odiou mais ainda depois de não controlar a boca e soltar a pior coisa que poderia soltar. ㅡ Eu daria tchau pra você... Se eu tivesse desistido agora e não antes de te conhecer. Eu daria tchau. ㅡ Onde estava com a cabeça? Aquilo poderia piorar tudo mais ainda. Pigarreou, sentindo-se o maior idiota do mundo e nem tentando mais disfarçar isso. Porém ofereceu um sorriso a Junho, não era nem de perto o melhor que tinha, mas tentava. Queria sumir, enfiar-se num buraco ou ser engolido pela cama, mas não podia. Então só se sentiu obrigado a mudar o assunto, talvez assim não fosse tão ruim. ㅡ Quer fazer alguma coisa? Ver algum filme ou algo assim?
O dedo perdura pressionando o peito por mais um tempo até que o silêncio cansa até seu braço e então todos os dedos apertam o local, como se fosse possível cravar e arrancar aquilo que dói tanto. Não pode, obviamente, e termina apertando só o tecido antes de solta-lo, deixando a mão cair. E aí, é como se outra coisa também caísse, mas dentro de si. Algo como um sopro; algo como uma corrente - e ele não sabe mesmo explicar a sensação que termina no estômago quando ouve o que MinWoo diz. O olhar que havia se distanciando após a confissão, se volta para o mais novo, embora a cabeça continue imóvel. O que mesmo havia sido aquilo? É realmente ruim quando sua confiança é mexida, trazendo o lado um tanto desconfiado. Odeia, odeia desconfiar de quem gosta - e ele gosta tanto, tanto de MinWoo. Dói mais uma vez em si chegar a cogitar à cogitar um "daria mesmo?". Ainda sim, quando a expressão passa do furioso para expressão-indecifrável, afinal, nem ele sabe o que sentiu com aquelas palavras, Junho se deixa acreditar cegamente que, sim, MinWoo não o machucaria assim. Só percebe que o encara quando a cabeça processa que foram feitas perguntas que, obviamente, requerem respostas. ㅡ Eu- A- ㅡ Pisca freneticamente, trazendo de volta do transe e voltando atenção para o sorvete ao passo que corrige a postura, sentando um pouco mais ereto. ㅡ Eu não faço ideia. Filme? Curtiria filme? ㅡ E ai, bate um daqueles momentos não muito lúcidos onde, na verdade, é somente sua cabeça impulsiva e criativa demais. Junho bate e "esfrega" com a própria colher a de MinWoo e olhando para elas que se explica. ㅡ Nossa baba foi misturada e assim se torna um juramento de, não importa o que, nenhum dos dois pode sumir de uma vez sem se despedir.
O desconforto só cresceu com Junho lhe encarando daquela forma, num misto de expressões indecifráveis que faziam Minwoo desviar o olhar constantemente, tal como virar o rosto ou abaixá-lo algumas vezes. Não gostava da atitude, era como se o amigo mais velho olhasse através de sua alma, visse até mesmo suas imperfeições e segredos. Mas sentia isso com qualquer pessoa que o olhasse muito, não gostava. Era o tipo de pessoa que gostava de observar, não de ser o alvo. Engoliu em seco, começando a ficar nervoso, as palmas das mãos suando frio e se continuasse assim ele estaria suando por inteiro. Sentia como se os segundos fossem horas que não passavam, tal como o clima pareceu pesar nos seus ombros. Havia mesmo falado algo errado, não devia ser tão impulsivo, nunca era. E quando sua mente começava a se auto xingar, tudo ficou meio esquisito. Junho esfregava a colher na sua do nada, fazendo Minwoo arquear as sobrancelhas sem entender, até que finalmente o mais velho se pronunciasse. ㅡ Juramento de baba, sério? ㅡ Rolou os olhos, rindo de alivio, apesar de não estar tão aliviado assim. Aquilo era estranho, mas não iriam trocar salivas realmente, nem seria nenhum tipo de beijo. Tentou deixar os pensamentos de lado. ㅡ Eu sou escoteiro, podia confiar na minha palavra só... ㅡ Balançou a cabeça, como se não acreditava, porém fez o que deveria ser o ritual, esfregou sua colher na dele também, voltando servir-se de sorvete. ㅡ Vamos ver Steven? ㅡ E como se não tivessem tido tais conversas, foi atrás do notebook com a intenção de assistirem algo para esquecerem todo o resto.















