stepping into another maze.
Depois de uma manhã de estudos e uma tarde sem muito o que fazer além de deitar no sofá de casa e ficar com o velho gato Kafka sobre sua barriga enquanto assistia alguma coisa na televisão enorme – porque não aguentava mais ler textos e autores da faculdade, mas estes não pareciam ter fim – e descansar, o clima ameno do dia pedia para que Aika saísse do conforto do seu lar e fosse explorar o mundo exterior de muito bom grado e à convite de seus colegas mais novos de faculdade.
Espreguiçou-se deitada e novamente depois que se levantou e viu o gato, inconformado com seu colchão ter ido embora, fazer o mesmo. O felino reassumiu o conforto e ela foi tomar uma ducha, desfez a trança do cabelo e o penteou, o que garantiu um ondulado às madeixas castanhas. Colocou shorts pretos, uma camiseta branca com uma estampa geométrica da sua cor oposta e, como tinha o costume, colocou um casaco comprido, que passavam o limite dos shorts; entretanto, por ser verão, o mesmo era de um tecido leve e excessivamente fino e ela também dobrou as mangas para que ficassem nos antebraços. Quando foi pegar a bolsa, viu seu violão sobre o suporte e sorriu. Decidiu levá-lo também.
Não era segredo para os amigos de faculdade nem para ninguém que um dia Aika tinha sido famosa. Até mesmo tivera alguns poucos singles e um álbum lançado no Japão anos antes, mas sua fama já tinha adormecido. Não era problema andar na rua sem disfarces e era raramente reconhecida e mais raramente ainda abordada. A popularidade de idols se esvaía muito rapidamente, ainda mais quando a maior parte de seu sucesso não tinha sido em seu país natal e sim na Coreia do Sul. O assunto era visto, incrivelmente, com muita naturalidade, provavelmente porque seus amigos não se importavam tanto com o estilo de música que ela foi responsável por anos. Ela aprendeu a amar pop, mas sempre foi uma criança que preferia os sons ásperos das guitarras e as letras muito mais profundas que as dezenas de músicas de coração partido e festas que ela tinha em seu repertório como a rubi do já extinto grupo Crystallis.
Seu trajeto deu-se de forma rápida e logo o tempo foi passado ao lado de três amigos, algumas conversas e algumas músicas. Ao longo dos anos, ela tinha melhorado muito naquilo, seus dedos tornaram-se mais ágeis e precisos e ela conseguia fazer coisas que antes apenas sonhava. Mas a música continuava sendo algo que ela amava, mas não tinha muita confiança. Um divertimento. Horas depois, seus amigos foram partindo um a um, deixando a garota sobre uma cadeira do lado externo da cafeteria, onde seu violão e seu canto não incomodavam ninguém. Até ousaria dizer que algumas pessoas entraram ali para ver a cena e acabaram ficando. O cheiro do café e o barulho do violão confortavam seu coração com lembranças desde boas e ruins, todas nostálgicas. Era o momento de tocar a última música para voltar para casa e ela escapou por muito pouco do clichê que a memória insistia para que ela seguisse. Até escapou da banda que lembrava dele, mas não de seu nome e nem de uma outra música cuja letra dizia mais do que ela deveria sobre a memória. Tone, de Aimer, era uma música que exalava saudade, que enquanto ela tocava, só parecia aumentar.
Foi quando ela levantou o rosto que aquele sentimento pareceu um comboio de caminhões a atropelando. Tudo o que ela pôde e quis fazer foi sorrir. Contra todas as improbabilidades do universo, Kou estava ali.













