five times smiled: ( five times the sender made the receiver smile ) [ ORFEU ]
1. o sorriso da descoberta (quando ele tocou só para ela): não foi quando ele tocou para os reis ou quando fez as pedras chorarem. foi quando eles estavam sozinhos, sentados na grama alta, e orfeu, o grande músico, parecia nervoso. as mãos dele tremiam antes de tocar as cordas da lira. ele improvisou uma melodia torta, imperfeita, que tentava imitar o som da risada dela. eurídice sorriu não pela perfeição técnica, que ele tinha de sobra, mas pela vulnerabilidade de vê-lo tentar, desesperadamente, ser humano o suficiente para merecê-la.
2. o sorriso da manhã (a composição na pele): orfeu tinha o hábito de compor dormindo ou no limiar do sono. eurídice acordou com ele murmurando melodias contra a curva do pescoço dela, os dedos dedilhando a coluna vertebral dela como se fosse o braço do instrumento. quando ela se mexeu, ele resmungou que ela havia "arruinado o crescendo". o sorriso dela foi sonolento, preguiçoso e cheio de uma intimidade doméstica que valia mais do que qualquer ode épica.
3. o sorriso da natureza: eles estavam tentando ter uma conversa séria, bastante reflexiva, mas um rouxinol começou a cantar alto demais, competindo com a voz de orfeu. em vez de se irritar, orfeu entrou na brincadeira, duelando musicalmente com o pássaro até o animal pousar no ombro dele, vencido. eurídice riu abertamente, um sorriso largo e divertido, balançando a cabeça diante do absurdo que era amar um homem que o próprio mundo natural se recusava a ignorar.
4. o sorriso na escuridão (no submundo): o lugar era frio, silencioso e desprovido de cor. eurídice já estava se esquecendo do calor do sol, tornando-se uma sombra entre sombras. mas então, o som chegou. a melodia de orfeu rompeu a barreira da morte, ecoando pelas paredes de pedra do hades. antes mesmo de vê-lo, antes mesmo de saber se ele conseguiria tirá-la de lá, ela sorriu. foi um sorriso fraco, pálido, mas cheio de uma esperança dolorosa: ele tinha vindo. ele não tinha aceitado o fim.
5. o sorriso do adeus (o olhar para trás): é a tragédia que os tornou conhecidos. no momento exato em que orfeu duvidou e olhou para trás, quebrando a única regra, ele viu eurídice. ela não estava chorando. ela não estava com raiva. enquanto seu corpo começava a desvanecer e ser puxado de volta para as sombras eternas, eurídice sorriu uma última vez. um sorriso triste, de perdão e de amor absoluto, como quem dizia silenciosamente: "eu sabia que você olharia. porque você me ama demais para confiar no escuro."












