“Entre o cuidado e o adeus”.
Você ainda me olha como quem guarda segredos.
Eu sei que você se importa. Sempre soube.
Mas o cuidado que vem de você é como vento frio —
toca, mas não aquece.
É presença que não chega,
mão que não segura.
Eu caminho por ruas que não reconheço.
Te vejo ali, no canto da memória,
como um lar que já não existe.
E mesmo assim, me perco olhando,
como se seus olhos pudessem devolver
o que já não está mais aqui.
Mas há tempestades demais entre nós.
E eu não posso mais respirar sob o peso das suas reviravoltas.
Já enfrentei mares, céus assombrados,
me perdi e me encontrei tantas vezes.
Agora sei: não posso te deixar chegar perto o suficiente para me ferir de novo.
Você me ensinou a saudade;
eu aprendi sozinha a coragem.
Na próxima vez, serei minha própria salvadora.
E se o trovão chamar,
vou ficar de pé, com meus próprios pés.
Entre nós, ficou apenas o eco:
o seu cuidado distante
e o meu adeus definitivo.
- Fazane.
















