com @cacvdr no quarto dia de celebração
e ele disse: ❝ don’t get alarmed, i’m being followed. act normal. ❞
Era uma noite calma, perfeita aos olhos de Azra. A feérica havia escolhido o lugar com cuidado: nem perto demais da multidão, nem afastado demais, para que não pudesse interagir com ninguém. Era perto o suficiente, discreto o suficiente. Exatamente como ela gostava das coisas. O cobertor estava perfeitamente estendido, alinhado como um pequeno território próprio em meio ao caos organizado do evento. Dois travesseiros — um para apoiar a cabeça quando estivesse cansada de ficar sentada, outro para abraçar — e um arranjo modesto de lanches que, para qualquer olhar desatento, pareceriam escolhidos ao acaso. Não eram. Nada nela era. O filme já havia começado e o murmúrio coletivo criava uma espécie de véu confortável — o tipo de distração que humanos adoravam chamar de paz. E ela adorava isso em relação aos humanos — pelo menos uma coisa ela tinha que gostar. Estava entretida, envolvida no momento, sequer o teria notado se não fosse o tom de voz próximo demais, direcionado demais, impossível de ignorar. Azra não virou o rosto de imediato. Um silêncio quase imperceptível se instalou nela — não externo, mas interno, como o breve intervalo entre o vento mudar de direção. Num gesto calculado, Azra ergueu os olhos para a tela… como se estivesse apenas acompanhando a cena. E então, com a mesma naturalidade ensaiada de quem atravessou séculos fingindo ser comum, virou o rosto na direção alheia, inclinando-se para sussurrar-lhe algo ao ouvido. ━━ está atrapalhando minha cena favorita. ━━ murmurou. O tom era baixo e caloroso, quase como se fossem íntimos, mas, se bem lembrava, conversou com o Murray só uma vez antes daquela. ━━ quantos são? ━━ questionou, quase como quem comenta sobre o clima. ━━ e, por favor… me diga que não são entediantes. Me deve pelo menos uma boa distração, já que tirou minha atenção da tela.










