━ {{ ❝ We ain't ever getting older? ❞ }} || Margott and Ivory.
@ivorysaeger
Margott não havia se dado conta do ataque até que um monstro estava bem em cima de si.
Semideuses corriam para todos os lados, em amontoados, fazendo se desequilibrar. Correndo sendo para buscar armas ou para salvar suas vidas, alguma parte desse meio. Os gritos estavam aumentados de volume, parecia como se sua cabeça fosse explodir. O chão a sua frente ficou turvo, como se ondas estivessem sobre seus pés. Ela não entendia. Não estava pisando na grama? Perto da floresta? Ou havia se deslocado para a praia e nem se dado conta? Tropeçou em uma pedra no chão e caiu de quatro, virou-se rapidamente ao ouvir algo se aproximando e bem ali na sua frente estava um monstro, com sede de sangue de semideuses. Não poderia ter deixado de pensar naquele instante, era assim que ela ia morrer? Nem ao menos tendo a chance de lutar? Todos os treinos, as aulas, para nada? Era lutando que queria morrer, tinha certeza. Protegendo-se ou protegendo seus amigos, porem lutando. Xingou-se por ter tido a audácia de pensar que poderia colecionar mais experiencias para sua vida, xingou-se por pensar que teria seu casamento, com seu tradicional vestido branco, um noivo que amasse e filhos para cuidar. Pelo menos agora ela encontraria seus pais. O mistério do paradeiro de sua mãe biológica ainda não resolvido. Seu pai que sabe-se lá se estava no Acampamento nesse momento ou não. Mas ela encontraria seus pais. Os adotivos. Que chorava todas as noites ansiando por eles. Mas o golpe que esperava não veio. Nada veio...
Já era tarde quando ela saiu de fininho do local que os semideuses estavam jogando verdade ou desafio. O sol em algumas poucas horas ia nascer, ela com certeza não queria limpar aquela sujeira de copos que estavam deixando. As coisas que tinha feito daria dor de cabeça o suficiente amanha, mas no momento ela nem ligava. Estava deixando a bebida circular em seu sangue como se fosse água. Ela o sentia, porem. Sentia que se quisesse podia o deter, mas estava zonza, fraca, alegre demais, tudo de mais. As cores eram tão intensas, brilhantes, as pessoas riam sem se preocupar com nada, e a bebida passava para sua mão da sua boca tão facilmente. Em algum lugar da sua mente algo estava gritando que era hora de parar. Ficar bêbada com bebidas comuns eram uma coisa, aquela coisa que estava ingerindo desde cedo era de certa maneira batizada. E sempre a lembravam que mesmo que seu pai fosse o deus do vinho, das festas, da alegria, ele também era o Deus da loucura, da insanidade.
Com certeza ela podia ver que o céu estava começando a se clarear. Questionou-se que horas seriam? Ela queria se sentar. Em um momento estava dançando com seus amigos e no outro havia se dispersado deles. Não sabia exatamente para onde ia. O copo vermelho que estava em sua mão foi depositado em uma pedra durante seu caminho. Ou seria três pedras? Balançou a cabeça tentando clareá-la, mas só o efeito que teve foi deixa-la mais confusa e um pouco enjoada. Okay, era a hora de parar. E bem assim ela se encontrava perto da boca de entrada para floresta. Onde no começo as arvores tinham alguma distancia uma das outras, mas nos jogos de Caça-a-Bandeira quando adentravam sabiam que tinha muitas folhagens e emaranhados, armadilhas próprias da floresta e um pouco de escuridão. Sem contar um lago que havia no meio. Ela estava parada quando varias coisas além de sua compreensão aconteceram ao mesmo tempo. Gritos. Um sátiro morreu? O que era aquele chacoalhar no chão como se fosse de passos? Bem na hora que vários semideuses passavam como vento por ela, Margott caiu.
Fechou os olhos com força esperando, que covarde, por que fecharia seus olhos? Não, tinha que encarar a causa de sua morte, não devia temer, alguns filhos de Hades já lhe contaram como era o Mundo Inferior, ela fora suficiente boa para ir pros Campos de Elísio? Não fazia ideia. Porem, ao invés da dor, do golpe, mil pedacinhos de pó dourado caiu sobre ela e a mesma viu uma figura muito zangada e ruiva retirando sua arma do centro do peito que a pouco estava o monstro. — Eu poderia te beijar agora.














