Tinha ido mais uma vez a casa de minha amiga Hanabi, éramos muito próximas por conta do colégio, assim que cheguei, bati na porta e em menos de um minuto fui atendida por Hanabi me abraçando alegremente. Entrei em sua casa, pelo percurso da porta até seu quarto, encontramos sua irmã mais velha Hinata na cozinha, já tinha a visto algumas vezes por sempre ir na casa de Hanabi, mas nunca conversamos, não sabia sobre oque ela gostava ou não, as poucas coisas que sabia eram:
Seu nome era Hinata Hyūga, ela tinha 18 anos enquanto eu tinha 16, estudava no colégio Konoha School no terceiro ano e que era alfa, nem o som de sua voz eu não sabia como era.
Ela sempre ficava no quarto, era difícil ela sair, pelo menos era isso que Hanabi me dizia, ela não trazia amigos em casa, estava sempre com a porta do quarto trancado, quando eu perguntava Hanabi não sabia o porque, pensava que era coisa da irmã.
Ao chegarmos em seu quarto ficamos conversando sobre várias coisas aleatórias. Depois de um longo período de conversa, Hanabi disse que precisava usar o banheiro, então ela se levantou e foi o usá-lo, fiquei mechendo no celular enquanto a esperava, então senti uma forte dor em minha barriga, na região de meu útero, comecei a me sentir quente e a me contorcer no chão dando baixos gemidos, meu cio tinha chegado, não tinha nenhum remédio comigo então não sabia oque fazer. Ouvi a porta do quarto abrindo e logo passos apressados vindo até mim.
_ Sakura oque aconteceu? - era oque ela me parguntava, Hanabi respirou fundo sentindo o forte cheiro de meus feromônios. - Seu cio chegou, eu não tenho nenhum remédio aqui comigo e meus pais saíram, vou ver se a Onee-chan pode ajudar! - péssima ideia aquela, eu sendo ômega e estando no cio perto de uma alfa não seria tão bom, mais esse nem era o problema.
Assim que Hanabi saio do quarto eu pude me deitar na cama ainda me contorcendo e sentindo muito dor. Algum tempo depois Hanabi voltou ao quarto trazendo Hinata consigo, vendo meu estado na cama ela se aproxima. Pude sentir fortemente seu cheiro, lavando e limão, seu aroma era refrescante, eu poderia os sentir para sempre que nunca me cantaria.
_ Onee-chan também não possui remédios para cio, teríamos que comprar, mas demoraria muito até estamos novamente em casa! Como vocês não se conhecem direito não seria tão boa ideia, mas eu confio na Onee-chan então, se vocês concordarem a Hinata pode te ajudar Sakura! - eu podia sentir seu desespero, sua preocupação por mim.
_ Ajudarei Sakura se ela permitir! - e a primeira vez que ouvi a voz de Hinata foi numa situação como aquela, poderia ser se forma mais romântica mas aquela foi um começo não clichê, isso eu agradeço.
_ Alfa me ajude! - pedia de forma manhosa, Hinata tinha um incrível controle de instintos, normalmente um alfa ao sentir os feromônios de um ômega no cio o iria atacar querendo satisfazer os desejos, mais Hinata não fez isso, ela estava perto de mim, sentindo meus feromônios mais forte, e mesmo assim não me atacou.
_ Vou deixar vocês a sós! - falou Hanabi saindo do próprio quarto nos deixando sozinhas.
Hinata poderia ter sido violenta e bruta comigo, me tratando da pior forma possível, eu não a julgaria, mas ela foi delicada, doce, mesmo mau me conhecendo ela foi carinhosa comigo, a todo momento parecia se preocupar, como se eu fosse quebrar a qualquer momento, posso dizer porque ela não foi minha primeira, aquela foi a melhor transa que já tive em toda a minha vida! Logo apois de chegarmos em nossos ápices ela cuidou de mim, me deu banho, colocou minhas roupas, ficou comigo até eu dormir, Hinata foi a alfa mais amorosa que já passou o cio comigo.
Após o ocorrido de meu cio, Hinata veio falar comigo, foi a primeira vez, ela tentou ser legal, sua voz doce me deixava calma, seu jeito delicado era muito reconfortante. Poucos dias depois ela começou a me buscar no colégio me levando para comer em algum lugar, as vezes saíamos de tarde para irmos passear em algum lugar, muitas vezes numa cafeteria, Hinata tinha um amor imenso por café. Que pena que aquele dia aconteceu em frente a um lugar tão amado por ela.
Eu me lembro daquele dia como se fosse ontem, era um sábado, dia 21 de agosto, Hinata tinha ido até minha casa me chamar para sair, eram 14h25 da tarde, estava frio e eu pensei que apenas minha blusa de manga longa seria o bastante, mais não foi. No caminha para a cafeteria bateu uma brisa gelada me fazendo tremer, Hinata percebeu e me entregou o seu casaco cor lavanda, eu devia ter levado um de casa, como eu me culpo por isso.
Entramos na cafeteria e fizemos nossos pedidos, um capuccino e um macchiato, ficamos conversando enquanto nossos pedidos eram preparados. Hinata e eu tínhamos meio que um caso, não falamos pra ninguém e ainda estávamos nos conhecendo, não era nada sério, mesmo sentindo sentimentos uma pela outra. Assim que nossos pedidos chegaram, continuamos a conversar, estávamos falando de faculdade, no final do ano Hinata iria terminar o colégio e iria pra faculdade e eu ainda estava pensando no que queria me formar.
Terminamos de tomar nossos cafés então pagamos e saímos do café, atravessamos a rua indo para uma praça do outro lado, até que sinto uma brisa fria e percebo que esqueci de pegar o casaco de Hinata. Eu iria o pegar mais Hinata não permitiu.
_ Deixa que eu busco, me espere aqui! - foi oque ela disse antes de começar a atravessar a rua, eu nunca deveria ter a deixado pegar aquele casaco.
Hinata foi atravessando a rua e não tinha nenhum sinal de carro vindo, foi então que derrepente um carro desgovernado apareceu do nada indo em direção a Hinata, eu a chamei avisando mais era como se ela não tivesse me ouvido, ela apenas continuou a andar, o carro estava se aproximando cada vez mais, fui correndo em sua direção não adiantando muito, antes do carro se chocar contra ela, Hinata se virou para mim sorrindo docemente, após isso o carro bateu nela, eu estava em choque, lágrimas escorriam descontroladamente por meu rosto, fui correndo em direção ao seu corpo caído no chão, ela ainda respirava, ainda estava viva. As pessoas que estavam perto ligaram para a ambulância contando do acidente, o motorista do carro após bater em Hinata se chocou contra um poste, a polícia também foi chamada ao local. Mais meus olhos nem por um segundo desgrudavam de Hinata, sua fraca respiração mostrava ainda estar viva, os segundo que passavam pareciam minutos, os minutos pareciam horas, uma peça de sangue se formou em volta de seu corpo, suas roupas estavam completamente sujas, eu implorava para que Hinata não morresse, eu não entendia o porque dela não ter saído da frente do carro, eu sei que ela o viu.
_ Porque? Porque fez isso? Porque não fui eu? Porque não saio da frente daquele carro? - eram minhas perguntas, eu apenas queria entender.
Senti a mão ainda quente de Hinata em meu rosto, abri os olhos encontrando os dela com os meus.
_ Meus momentos com você foram os melhores de toda a minha vida, eu me senti muito melhor estando com você... - sua voz saia fraca mas de modo que eu ainda conseguia ouvir.
_ Não fale essas coisas como se isso fosse uma despedida! - pedi ainda chorando.
_ Sakura... Eu te amo... Você foi a primeira e única em minha vida! - minhas lágrimas só aumentaram.
_ Eu também te amo Hinata... Sempre será a única em minha vida! - após minha fala, ouvi os barulhos da polícia e da ambulância.
Os médicos colocaram Hinata na ambulância e eu fui junto, alguns policiais ficaram e outros foram ao hospital para fazerem algumas perguntas a mim sobre oque aconteceu. Assim que chegamos Hinata foi de imediato a cirurgia enquanto eu fiquei na sala de espera respondendo as perguntas dos policiais.
Poucos minutos depois ele foram embora e Hanabi e os pais dela chegaram, Hanabi veio em minha direção me abraçando enquanto chorava, o pai de Hinata abraçava a mãe dela a consolando, era um momento difícil para todos nós. Duas horas e meia depois, a cirurgia terminou e um médico veio em nossa direção.
_ Eu sinto muito informar mais ela não resistiu a cirurgia! - ele disse de forma calma.
Esse consertesa foi o pior dia de minha vida, após todos os papéis serem acinados fomos para casa, acompanhei Hanabi e os pais dela até em casa, ainda estavam muito chocados.
Assim que chegamos, fiz um pedido.
_ Posso ver o quarto de Hinata para lembrar dela uma última vez? - os pais dela me entenderem e me deixaram entrar em seu quarto, mesmo que eu tenha ficado mais próxima de Hinata, ainda não tinha entrado em seu quarto, nunca pensei que entraria após sua morte.
A porta estava destrancada, coloquei a mão na maçaneta e a girei, entrei em seu quarto e era igualzinho ao que eu imaginava, um quarto organizado e limpinho, bem a cara dela, foi em direção a sua cama me sentando logo em seguida olhando em volta. Senti algo abaixo de mim, puxei um pouco o cobertor vendo um caderno, na verdade, um diário. O peguei sentando novamente na cama, a capa era grossa, uma coloração marrom com detalhes ouro, era muito lindo, eu sabia que era um diário, não devia ter mexido nele, mas minha curiosidade falou mais auto.
Assim que abri comecei a ler, minhas lágrimas foram voltando, aquele diário tinha coisas muito sensíveis, contava de coisas muito pessoais, com ele, descobri que Hinata tinha ansiedade e depressão, alguns vícios por remédios e que toda vez que se sentia triste, tomava um tal "remédio da felicidade" Hinata passava por muita coisa e não queria me contar, não queria me fazer sofrer junto. Descobri alguns problemas que nunca imaginei que ela passaria, sempre escondendo tudo por trás de um sorriso, ela não saio de frente daquele carro porque queria acabar com o sofrimento, com a dor.
Hoje nove anos depois de sua morte estou eu e nossa filha, em frente a seu túmulo, sim você leu certo, nossa filha, uns dois meses depois de sua morte eu senti meu corpo estranho, fui ao hospital e descobri que estava grávida de três meses, em meu cio eu engravidei de Hinata, o nome de nossa filha é Himawari, ela tem meus olhos é os cabelos de Hinata, nossa filha me ajudou a seguir em frente. Eu terminei os estudos, fiz faculdade de medicina e hoje sou uma renomada médica. Nesses nove anos eu nunca me apaixonei por ninguém, nunca senti o que sinto por Hinata com outro pessoa, ela foi minha primeira e será minha última, dediquei todo meu tempo para meu trabalho é para minha filha.
_ Eu sinto tanta a sua falta! - digo colocando o buquê com suas flores favoritas em seu túmulo.
Tirando meu trabalho, Himawari é meu único amor ainda vivo.