SOBRE A IMPERMANÊNCIA
Sobre perder alguém que não é nosso, mas quando sentimos essa perda como se fosse nossa.
Sobre a dor. Sobre a perda, sobre a perda para o outro. Sobre a perda para o mundo.
Sobre a injustiça de nos roubarem alguém, de roubarem a alguém, de privarem o mundo desse alguém.
Do invólucro que fica, vazio. Das lágrimas que caem, cheias.
De se reconfortar alguém, de nos reconfortarmos. Das palavras que não se conseguem dizer, mas que pairam no ar. Do sentimento que transparece.
Do encher o coração e tentar tomar a dor do outro, quando não se pode fazer mais nada.
Sobre o estado de alternância entre imortalidade e o relembrar de quão fugaz é o momento que temos o privilégio de estar aqui.
De nos termos uns aos outros. De tocarmos outras vidas, como elas nos tocam a nós.
De saber que um dia vamos seguir em frente. Lado a lado.
E de saber que um dia tudo vai ficar bem, mesmo que um pouco mais pobre. Um pouco mais triste, um pouco mais quebrado, um pouco mais vencido.
De deixar correr as lágrimas sem as conter. De sarar. De viver.
Sylvan Esso “Coffee”














