O MEDO
Que ata aquele nó no estômago. Que aperta a garganta.
O músculo invisível que nos obriga a respirar. Inspirar; suster. Expirar; recuperar a calma.
Ninguém pára de respirar por mera vontade: o instinto está lá. O instinto é o medo.
Que persiste. Um pequeno ponto, ali mesmo, no centro do nosso peito.
Qualquer coisa de visceral, imbuída na nossa existência.
Se não fosse o medo, de que outra forma sobreviveríamos? É ele que fomenta este impulso.
Por isso o medo vai acompanhar-nos sempre. Por isso acredito que, nos últimos instantes de vida, se sente medo. Talvez, terror. Por ser impossível tornar a respirar, que é a inequívoca prova de vida.
E pelo desconhecido. Esse fantasma com o qual andamos de mão dada a vida toda, enquanto tentamos descobrir o que raio andamos aqui a fazer.
A necessidade de desmistificar o desconhecido, de controlar o medo. A respiração.
Inspirar; suster. Expirar; recuperar a calma.
The Doors, Ghost Song















