3ª Temporada - 10º Capitulo - Último dia de férias
Pegamos rumo á casa de minha mãe, e no meio do caminho observei Elidio mais calado e quieto. Aquele não era o verdadeiro Lico que eu e todos conheciamos.
- Você está tão caladinho... - falei ao parar no semáforo, e passei uma mão em sua coxa.
- É ciúmes, Dani... E preocupação. - Elidio dizia olhando para baixo e ergueu uma sobrancelha.
- Eu fiz algo? Nem olhar na cara daquela garota olhei, Elidio. - eu me justificava.
- Será que sempre vão tentar nos afastar? Nos separar? - Elidio dizia preocupado.
- Você não devia se preocupar com isso. Já te disse que podem tentar, querer... - continuei justificando-me. - Mas estamos juntos, Elidio.
- Eu sei, DanDan. Se eu perdesse isso algum dia, acho que eu iria morrer. - Elidio prosseguiu com o tom de voz.
- Não seja dramático á toa, amor. Lembre-se que vou te dar sorvete hoje. - respondi, mantendo minha mão em sua coxa e os olhos no trânsito.
- Então você acha que pode me comprar assim sempre? - Lico aumentou o tom de voz, e inclinou seu corpo pra perto do meu.
- Lico, não me distraia. Estou dirigindo. - esquivei meu corpo, e sorri envergonhado. - Eu sei o que vai te animar! - respondi animado, e liguei o rádio em uma estação que só tocava pagode. Isso mesmo! Pa-go-de.
- Eu amo essa música! - Elidio disse animado enquanto "batucava" com as mãos nem sua coxa.
- Os sacrificios que fazemos num relacionamento. Deixar isso tocar no meu carro. - brinquei.
- E se eu for o resto do caminho dançando pra você? Você se empolga? - Elidio respondeu ainda animado, enquanto fazia alguns movimentos com seu corpo.
Ri sem graça, mais uma vez, e foquei na estrada. Então, dentro de algum tempo, chegamos lá.
- E se sua mãe me chutar? Colocar fogo em mim? - Elidio segurou firme em minha mão, e apertou-a mostrando insegurança.
- Elidio... Acalme-se. - respondi tranquilamente, e beijei sua testa.
Minha mãe então abrira a porta de casa, e olhou surpresa ao nos vermos.
- Meu Daniel! - ela dizia empolgada e abraçou-me. Elidio continuara com sua mão á minha, segurando-a forte. - Ah... Oi, Elidio! - ela finalizou.
- Mãe, viemos almoçar aqui. Podemos? - perguntei forçando para a voz sair.
- Claro, meu filho. Entrem. - ela indicava com as mãos para dentro da casa. - Cadê aquele outro menino? O Anderson? - ela questionara.
- Está na sua casa com sua noiva... Viemos apenas nós dois mesmo. - justifiquei.
- É, percebi... Vieram tão juntos que vieram em seu carro. - ela dizia confusa.
- É que não precisa de 2 carros, não é mesmo? - Elidio tentou descontrair o assunto.
Rimos todos juntos, e então minha mãe nos guiou até a mesa, e serviu o almoço.
- Bom... Anderson noivo. Elidio pegando todas. E você, meu filho? Não veio com Camila porque? - ela continuara com os questionamentos. Elidio continuava apertando minha mão forte, enquanto a mesma suava.
- Então, mãe... Não é tão repentina essa visita. Eu precisava dizer algo mesmo. - eu dizia tentando passar tranquilidade.
- Prossiga, Daniel... Você sabe que Camila é uma excelente garota! - ela exclamou.
- Mãe, eu e Camila terminamos há 2 anos e poucos meses. E... Eu achei outro alguém. Na verdade, sempre fui apaixonado por essa pessoa. - eu encarava Elidio em meio minhas palavras, e ele sorria envergonhado. - Tantos anos juntos, quase a vida toda e demorei para admitir para eu mesmo...
- Daniel de Alves Castro Nascimento! Do que você está falando necessariamente? - ela encarava Elidio.
- Mãe, eu e Elidio estamos namorando. Há 2 anos. - soltei de uma vez e ergui nossas mãos cruzadas para a mesa, mostrando-a nossa aliança.
- Daniel... Você está brincando comigo. - ela dizia trêmula. - Vocês são amigos, você gosta de Camila... - ela prosseguia confusa.
- Eu amo o Elidio. - respondi firme.
- Dona Dalva... Começamos a nos envolver em Florianopólis. Na época que Anderson conheceu Giovana... Eu amo o Daniel demais. - Elidio tentava segurar as lágrimas.
- Todos já sabiam disso? Exceto eu? - ela questionava.
- A mãe de Elidio também não sabia até 2 dias atrás. - tentei achar justificativa.
- Bom, meninos... É forte o que estão me contando. Vocês já passaram da idade de saber o que querem pra vida, e espero que isso não seja coisa momentânea. - ela dizia com lágrima nos olhos.
- De todas as coisas que Daniel é pra mim, "momentâneo" não está incluido. - Elidio respondera firme apertando mais a minha mão.
Minha mãe permaneceu calada e apenas abraçou nós dois.
- Eu vou fazer a sobremesa preferida de Daniel. Almocem á vontade, meninos. - ela dizia aparentando estar mais calma.
- Mãe, traga pra gente sorvete. Eu sei que a Senhora tem pois sempre compra. - pedi.
Ela acenara com um ok, e trouxe rapidamente pra gente. Deixou-nos a sós, e foi preparar uma das coisas que eu mais amava comer: pudim.
- Minhas mãos estão suando. Olhe, amor. - Elidio mostrava suas mãos.
- Conseguimos vencer mais uma etapa. Tente se acalmar. - abracei-o forte, e beijei seu pescoço.
Elidio acalmou-se, almoçamos e Elidio então comera sorvete. 5 vezes!
- Ah, estou cheio, DanDan. - ele dizia passando a mão em sua barriga.
- Bom que sobra mais pudim pra mim! - ironizei-o mostrando língua.
- Bom, meninos... Aqui o pudim. - minha mãe dizia trazendo-o. - Dani, eu preciso resolver algumas coisas no Centro da cidade que são inadiáveis. Mas fiquem aqui em casa, aproveitem a piscina, a sala de jogos, de churrasco, façam o que quiser! Eu volto á noite. Quando você for embora, ligue me avisando. Fiquem á vontade. - ela finalizou beijando minha testa.
- Eu e Elidio levamos a Senhora, espere. Imagina... - levantei-me oferecendo.
- Não precisa! De verdade. Aproveitem um ao outro que amanhã o serviço volta ao normal. - ela se despediu saindo de casa.
- Senti que ela me odeia um pouco, DanDan. Explique á ela que não te forcei á nada! - Elidio dizia preocupado fitando-me.
- Amor... - eu tentava dizer mesmo com a boca cheia de pudim. - Ela não te odeia. Mães sentem quando gostamos de alguém. - falei sério fitando seus olhos.
- Pra ela, é Camila que você ama. - Lico retrucou.
- Porque ela nunca tinha me visto junto á você dessa maneira. Me dá um beijo sabor pudim-sorvete? - pedi aproximando meu rosto do seu.
Elidio revirou os olhos tentando evitar rir, e então abraçou-me forte e me beijou. Arredei o pudim pro lado, e colei meu corpo á Elidio aumentando a intensidade do beijo.
- Estou envergonhado. Estamos na casa de sua mãe. - Elidio interrompera o beijo e disse nervoso.
- Vou te deixar mais confortável. - prometi. Peguei Elidio em meu colo, e fui para a área onde havia piscina e joguei-o na mesma, com roupa e tudo. - Me espera ai, boneca. - falei em meio á risadas.
- Como vou embora molhado? Daniel, você só não é mais idiota por falta de espaço! - eu gritava de dentro da piscina. Ele então dera as costas, e tirei minha camisa, calça, meia e tênis e coloquei todos numa mesa que havia lá. E voltei para a piscina.
- Princesa, olha o que eu achei. - Daniel dizia aproximando-se de onde eu estava. - Champagne. A adega da minha mãe nunca falta mesmo.
- Você vai secar minhas roupas com sua língua. É disso que quero saber. - disse fingindo estar aborrecido.
- Secar com a língua? Você é idiota. - Daniel gargalhava. Esperei até que ele colocasse o champagne e taças na mesa, e nadei para perto dele. Puxei-o pelo pé, fazendo com que caisse na piscina com roupa e tudo.
- Idiota é você. - falei olhando em seus olhos e pressando-o contra a beirada da piscina.
Daniel tirou toda a roupa, ficando apenas de cueca e jogou tudo para o chão. Então, voltou para a piscina e dessa vez, ele que me prensara.
- Eu te odeio. - ele dizia firme.
- Eu acreditaria caso sua mão não estivesse no meu... Você sabe. - respondi em meio á risadas.
- Eu duvido você conseguir ficar mais tempo embaixo d'água como eu. - Daniel desafiou-me e mergulhou.
- É claro que consigo! - respondi animado e então fiz o mesmo.
- É lógico, você é uma piranha! - Daniel dizia em meio á gargalhadas.
Não contive a risada, e apenas ignorei. Depois de 6 rodadas, empatamos em 3 x 3.
- Como desempataremos? - perguntei olhando nos olhos de Daniel.
- Assim: você corre, ou melhor... Você nada. - ele rira. - E eu vou atrás de você. Se eu te pegar, "cabô"...
- Daniel, não comece com esses seus joguinhos! - respondi revirando os olhos.
Daniel então ameaçou a ir atrás de mim, e resolvi nadar como nunca. Ele gritava que iria me pegar, e não sei porque aquilo era a coisa mais engraçada pra mim. Eu ria de perder o fôlego. Aliás, gostaria de lembrar de algo em Daniel que não tirasse meu fôlego. E adivinhem? Isso mesmo. Nenhum resultado.
- Te peguei! - Daniel abraçava-me forte por trás e mordeu meu pescoço.
- Eu que deixei. Você nem sabe nadar, Daniel. - retruquei rindo.
- Ah, é? E desde quando você decidiu ficar zuando o namorado assim? - Daniel perguntou, virou-me de frente e começou a apertar meu nariz com sua mão, brincando com o mesmo.
- Eu não brinco com você. Você que é todo atrapalhado mesmo. - prossegui rindo disparadamente.
- Já que você gosta tanto de rir, vê se acha isso engraçado. - Daniel saiu de perto de mim, saiu da piscina e começou a rebolar para mim.
- Daniel, que coisa ridicula. Parece uma dançarina de funk com dislexia. - zombei.
- Dislexia? Você é burro demais. Só fala coisa que não tem a ver. - Daniel interrompera sua dança e caiu na risada.
Olhei aquela cena, e joguei um tanto de água em Daniel com as mãos.
- Para de me zoar, seu ridiculo. - pedi.
- Princesa, saia da água e venha brindar comigo. - Daniel pedia erguendo sua mão na beirada da piscina.
- Não invente de me pegar no colo. Se você escorregar... - pedi enquanto ia em sua direção, e me agarrei em sua mão. Daniel abraçou-me por trás e beijou minha nuca toda, até nos sentarmos na mesa ali fora.
- Um brinde para que venham mais 90 anos de namoro. No minimo. - Daniel dizia brindando sua taça á minha.
- 90 é muito. - disse firme. - Muito pouco. 200 anos. - finalizei.
- No caso eu estaria namorando sua versão zumbi, depois de tantos anos... - Daniel brincou.
- E minha bunda estaria flácida. Mas ainda sim quero que me ame. - respondi.
Daniel sorriu, pegou seu óculos escuro que sempre andava junto á ele, e entregara o meu.
- Vamos tirar uma foto? Dessa vez esconderemos as alianças. - Dani sugeriu.
- O que você pede que não cumpro... - disse enquanto pegava meu óculos, e colocava o mesmo. Daniel encostou a taça junto á minha, de forma que não pegasse as alianças e então tirou a foto.
- Colocarei de legenda: "Férias da melhor maneira possível. Exceto pelo fato de que Elidio está aqui também". - Daniel dizia rindo enquanto digitava.
- Espere, quero tirar uma para o meu instagram também. Ai revidarei essa legenda. Imbecil! - retruquei segurando a risada. Tiramos outra foto parecida, porém, dessa vez fazendo "bico" com a boca.
- Coloca de legenda: "Férias com o cara mais lindo do mundo." - Daniel propunha.
- Eu não minto. - sorri de lado. - "Descobrimos que fazer bico pra foto fica bonito. Exceto pro Daniel.", essa é a legenda. - finalizei.
- Daqui a pouco Anderson nos liga. "Porque não anunciam no Jornal Nacional de uma vez?", só espera. - Daniel comentou.
Depois que tiramos as fotos, deitei no colo de Daniel e ficamos conversando como costumávamos fazer. E acabamos com a garrafa de champagne.
O tempo passara, e quando vimos marcava 17:00 e estávamos mortos de fome.
- Vamos para a cozinha preparar um lanche para nós. - Daniel disse pegando-me no colo e levando-me para a mesma.
- E eu preciso colocar essas roupas para secar, Dani. Mas não sei fazer isso. - disse meio envergonhado por isso.
- Foi assim que começamos a ficar. Tudo começou com você não saber fazer nenhum serviço doméstico. - Daniel relembrava.
- Minha mãe fazia tudo por mim, e eu que tenho culpa? - retruquei.
Daniel fizera vários sanduíches, e nos serviu suco natural que já estava pronto na geladeira. Comemos no sofá, enquanto assistiamos filme.
- Olha Dani, aquele cara ali parece o Anderson. - brinquei apontando pra televisão.
- Parece mesmo. Não fale isso dele, sem ele estar aqui pra se defender. - Daniel respondeu rindo ainda mais.
- Daniel, já são 19:30. Melhor irmos embora, né? Amanhã já é dia de espetáculo. - disse olhando para o relógio na parede.
Daniel concordou, vestimos nossa roupa que, por sorte, havia secado naturalmente devido ao calor escaldante.
- Gostou de hoje? - Daniel perguntou pressando-me na porta do carro.
- Sim, principalmente da dancinha. - sorri e respondi carinhosamente.
Daniel sorriu, e quando passou uma vendedora de picolés na rua, ele comprara um e me dera antes de irmos.
- Só não suje meu carro. Tenho que falar como se fosse bebê porque você se lambuza todo. - Daniel exigiu ao entrar no carro.
- Eu não tenho mais 9 anos, Dani. - ironizei.
Dani apenas riu, e tomou caminho para a nossa casa.
Depois de passarmos quase que o dia todo deitados juntos na cama, como não faziamos há meses, á tarde Anderson caira no sono, enquanto eu assistia televisão. Ouvi um barulho de notificação em seu celular, e avistei que Daniel e Elidio haviam compartilhado mais fotos. "Isso vai dar problema", pensei comigo mesma e pensei em abrir as fotos. Vi que os dois estavam em algum lugar com piscina, e tomando champagne. O check in marcava "em algum lugar". Respirei aliviada que eles não deixaram as alianças á mostra, e coloquei o celular de Anderson na mesa ao lado da cama. Por mais que parecesse uma foto normal, sabia que Anderson iria pirar.