Sonhei que minha boca estava cheia de sal grosso. Meus lábios e minhas bochechas estavam inchadas e eu chorava uma dor que nunca tinha experimentado.
Eu cambaleava por entre corredores de um lugar que eu sabia que já tinha visitado, mas que não mais conhecia.
No fim de cada corredor havia uma mesa com adornos fúnebres, nos quais eu me recusava a tocar e até mesmo olhar por muito tempo. Nesses corredores haviam portas, com placas. Cada porta tinha uma placa com algo que paceciam datas que eu bem reconheço…
Estava prestes a cair desidratado após liberar um rio de saliva quando percebi uma porta sem placa. Abri-a sem esforço, e percebi que era um banheiro. Imediatamente corri à uma pia em que claramente ninguém limpava há anos. Tirei todos os cristais de sal que pareciam crescer enquanto eu andava e lavei o interior da boca sentindo finalmente o alívio que me fazia falta a muito tempo.
Enquanto chorava cuspindo toda a saliva e todos os cristais que ainda insistiam e rasgar minha carne, a dor estava começando a cessar e eu recitava um texto sobre ela, um texto que eu nunca escrevi e (como em todos os sonhos que tenho) não me lembro de como era, por isso nunca escreverei.













