“Eu não consigo pensar como as pessoas. Eu não consigo ver o que eles vêm, nem sentir o que sentem. A tristeza e a alegria me acontecem de forma diferente. A raiva também. Eu sou quase um coração inteiro, perambulando por aí. Eu reajo instantaneamente. Eu não sei ser o adulto sério que engole o choro pra desabar em casa. Eu não sei engolir o choro. E às vezes é tão difícil viver num mundo assim, tão sei lá. Parece que eu não sou daqui. Não tem ninguém aqui que diga: ei, eu sou assim também, tá tudo bem. Porque não tá tudo bem.
Tem dias que é só difícil.
Eu queria que todos os motivos bastassem. Eu queria que a minha mente fosse capaz de se calar, e ouvir. Ou se calar e escrever. Às coisas estão cada vez mais confusas aqui dentro.”
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